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IMIGRANTES ALEMÃES 1824-1853 (CÓDICE C333 do AHRS) |
Gilson Justino da Rosa |
SUMÁRIO
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Apresentação (Telmo Lauro Müller) Prefácio (Rovílio Costa) Introdução O Códice C333 Complemento Sobrenomes e prenomes mais freqüentes Localidades e Origens Índice Referências e Bibliografia |
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9 13 239 268 271 286 323 |
APRESENTAÇÃO
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O autor deste livro, por algum motivo, deve ter-se perguntado “quem sou?” e, em seguida, mais duas perguntas devem ter batido à porta: “donde vim?” e “para onde vou?”. Essas perguntas fazem parte da gente e, se forem respondidas, nos levam a dados inesperados que entusiasmam e outros nem tanto, dependendo daquilo que algum parente “genealógico” fez. Pois o Gilson Justino da Rosa veio ao Museu Histórico Visconde de São Leopoldo, onde eu trabalho, para ver dados genealógicos. Quando eu ia frustrá-lo, dizendo que não temos dados sobre portugueses, ele se adiantou e disse: “dados da família Haubert”. E me surpreendeu dizendo: “minha gente vem da Lomba Grande, que é também a sua terra!” E sem esperar continuou: “o senhor lembra da Alaide, minha parenta, que o senhor conheceu” – e deu ênfase à pergunta. Usando uma linguagem comum, eu poderia ter dito: “estamos em casa!” Alaide e eu fomos colegas de aula, na Lomba Grande, na Escola do Prof. Afonso Hoher, ao tempo da “Tafel”, a lousa, e do “Griffel”, o lápis de pedra. Faz tempo... Gilson perpassou todos os livros que lhe interessavam, fazendo muitas anotações. Agora depois de alguns meses, ele voltou para mostrar o resultado na busca das respostas às perguntas que se fez e muitos outros também já fizeram. É o livro que o leitor tem em mãos. Certamente, à medida que o atencioso leitor for virando as páginas desta preciosidade, ficará admirado, como aconteceu comigo. Sem dúvida é uma obra genealógica notável; um trabalho de fôlego! Já imagino quantos consulentes dirão “encontrei os dados no livro do Gilson!” Por tudo isso, sintetizando: Parabéns e obrigado em nome dos consulentes favorecidos. Prof. Telmo Lauro Müller São Leopoldo, 8-10-2004 |
INTRODUÇÃO
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Na adolescência, quando convivi com dois tios-avós, Oscar e Emílio Winter, entre 1965 e 1970, naquela época sentia uma frustração em saber que um dia todas aquelas histórias e conhecimentos que ouvia deles, história da nossa família, perder-se-ia quando eles morressem. Aproveitei a convivência e montei a minha primeira "árvore genealógica", a qual ficou guardada por quase 30 anos. Minha sobrinha Melissa, lá por setembro de 1997, numa visita que me fez, pediu para olhar a dita árvore. Senti um pouco de vergonha, sabia que podia ter feito algo muito melhor. Naquela noite fui para a Internet pesquisar sobre a Imigração Alemã. Começou aí um período de intensa dedicação à genealogia, um vício que já não sei como abandonar. Logo descobri a "homepage" do Sr. Egídio Weissheimer, e ele havia deixado o número de seu telefone. Contatei com ele. Ele encaminhou-me para o Instituto de Genealogia do Estado do Rio Grande do Sul – INGERS. Já na minha primeira visita ao INGERS reconheci o livrinho capa azul que tio Emílio tinha (chamávamos os tios-avós de tios), de onde ele havia buscado os antepassados Winter. Era o "Deutsche Einwanderer in São Leopoldo 1824-1937", do pastor Wilhelm Wolf. Tio Emílio havia dito que o Peter Winter (meu tetra-avô) tinha uma irmã e tomando o livro, indicou-me qual era ela. Mas eu esqueci e agora haviam duas que podiam ser irmãs dele. E uma delas havia casado com Braescher e constava o nome dos pais dos noivos. De imediato conclui que poderia estar citado ali os meus penta-avós. Lá no INGERS tem um caderno, um manuscrito deixado pelo Dr. Daniel Hillebrand, que relaciona os imigrantes chegados entre 1824 e 1830. Queria encontrar o registro de entrada da Philippina Winter, certamente vinha com seu pai Jacob e mãe Margaretha Wolfschlering, mas não obtive sucesso. Também não encontrei o registro de entrada do noivo da Philippina, o Heinrich Braescher. Uma das irmãs de minha avó Hilda Winter, a Olga, que ainda é viva, era casada com Braescher, e despertou mais ainda a minha curiosidade. Lá no INGERS disseram-me que havia no Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul o original daquele manuscrito, que era mais completo e legível. Conheci então pela primeira vez o "CÓDICE C333". Ele contém os registros de entrada dos imigrantes no período de 1824 a 1853. É um manuscrito do Hillebrand, um caderno pautado de 250 páginas, com 35 linhas cada página, onde ele registrou os imigrantes na ordem cronológica de chegada. Sem dúvida alguma, um dos mais importantes documentos históricos da imigração alemã, pois dá uma idéia precisa de quantos imigrantes vieram, quem eram eles, de onde vieram, sua profissão e religião e ainda em alguns casos citava com quem havia casado e quando havia falecido. O acesso a este documento é livre e é intensa sua procura. Muitas vezes precisei aguardar a vez para usá-lo. Historiadores, genealogistas e até desinformados que buscam a cidadania estrangeira manuseiam-no diariamente. Logo percebi que o documento está com os dias contados. Assim como os meus tios-avós se foram, este logo estará inacessível... Os meus antepassados Winter eram evangélicos, mas meu avô Aloysio Haubert era católico, e católicos não constam no livro do pastor Wolf. Procurei informações nos arquivos da Cúria Metropolitana. As informações que ia descobrindo, lançava-as no banco de dados de meu computador, havia descoberto um programa de uso livre, adequado à genealogia e que atendia as minhas necessidades. As informações avolumaram-se. Como deve acontecer a todo principiante, custei a achar o "fio da meada". Desisti da procura da Philippina Winter e arrisquei na procura da outra Winter, a Margaretha, que era casada com Philipp Dick. Procurando o registro de entrada do Philipp Dick, encontrei-o no C333 na p. 62, linha 135. Hillebrand escreve apenas Felipe Dick, na linha abaixo Margarida (Mr.), abaixo Catharina e Felipina, filhas e por último Felipina, cunhada. Achei enfim o registro de entrada da Felipina. Descobri então que as duas eram irmãs e fiquei com dúvida, será que os tios-avós não sabiam disso? Será que o Jacob Winter era meu penta-avô? Quanto ao Braescher foi um pouco mais complicado, ele veio com dois irmãos, o padrasto e a mãe que faleceu no Rio de Janeiro. No C333 apenas o padrasto tem o nome por completo, Conrad Gerhard, filhos Henrique, Cristiano e Margarida. Henrique e Margarida não são filhos, são enteados, por isso não encontrava a entrada do Braescher. A esta altura já havia catalogado inúmeras famílias no meu banco de dados e comecei a descobrir famílias que não estavam no C333, outras constavam disfarçadamente, como foi o caso da família Lüth, que de fato é a família Lied, a família Martens é Mattes, e assim muitas outras. Também encontrei inúmeros e curiosas situações, são muitos os casos de imigração onde a esposa ou o próprio imigrante vem com filhos de outro casamento. Empolgado com as descobertas decidi dar prioridade a edição do C333, o livro da família virá depois. Passei todo C333 para o computador, enriqueci-o com as informações colhidas nos registros evangélicos e católicos. Decifrei cada um dos casamentos católicos de São Leopoldo, e foi trabalhoso... Fiz o mesmo para os batismos e óbitos, a ponto de descobrir os erros involuntários cometidos pelos pastores e padres, cujos meios e recursos da época justifica e perdoa-os completamente. Pois pinçando um pedaço aqui, outro acolá, desconsiderando alguns desafios ainda insuperáveis, tenho hoje informações mais completas daquela época que os próprios padres e pastores que vivenciaram aqueles momentos. O Códice C333 contém 7465 imigrantes, apenas 143 deles não consegui descobrir o sobrenome, quase todos esposas dos imigrantes. Quando decidi interromper as pesquisas para iniciar a etapa de digitação deste catálogo, eu tinha no meu banco de dados cerca de 700 imigrantes que comprovadamente estavam aqui antes de 1853 e não constavam no C333. Revisei um a um e baixei o número para 505. A grande maioria constava no C333, outros foram nomes errados gerados pelos pastores e padres. Eis alguns exemplos: O casamento número 29 do livro de São Leopoldo realizado em 27-1-1829 é de Jorge Echer (Georg Eckert) com Margarida Cum (Margaretha Kuns). Não os encontrava no C333. O Georg acabou ficando na lista dos 500, mas a Margaretha cujo sobrenome está borrado (rasurado, escreveram por cima) apareceu como Dil nos registros de batismos dos primeiros filhos e depois como Kuns. Revendo a relação dos padrinhos, descobri que Gertrudes Dil (Gertrudes Dillÿ) foi madrinha, logo percebi que Margaretha Kuns era aquela que eu pensava ser Margaretha Dillÿ , de quem nada havia encontrado. A mãe viera casada pela segunda vez... Um outro imigrante que ficou na lista do complemento foi o casal Johann Friedrich Schneider e Margaretha Rech, que batizaram a filha Sofia Catharina em São Leopoldo na Igreja Evangélica. Diz no registro que ele era de Schmidthachenbach. Listei no computador todos os imigrantes que vieram deste local. Apareceu um Johann Jacob Fritz (alfaiate, Schneider em alemão...) casado com Maria Margaretha Rech, que tinham tido uma filha Sofia Catharina, que casou em Campo Bom com Johann Wilhelm Stiehl. Não ficou nenhuma dúvida, o pastor havia trocado o sobrenome do imigrante. Tenho convicção que outras situações semelhantes existem, este número de 500 imigrantes não relacionados poderá baixar se aprofundarmos a pesquisa. A busca por informações trouxe-me muitas descobertas, fiquei surpreso como existem tantas informações inéditas e quão pouco se pesquisa. Acostumamos a encontrar informações em livros, e escrevemos livros baseando-se em outros livros, pouco ou nada se pesquisa em correspondências, inventários, registros eclesiásticos, e outros documentos, de sorte que assunto novo alguns livros pouco contém. Hillebrand aportuguesou todos prenomes, o mesmo fez Carlos H. Hunsche. O pessoal que faz genealogia, motivado certamente pelo orgulho de sua origem, conserva os nomes em alemão o máximo que conseguem justificar. Quando comecei a colocar os nomes no computador, comecei a lançá-los conforme constava no registro. Se no registro de casamento o nome era Johann, lançava Johann. Depois descobria o registro de batismo, onde o nome estava como João. Mudava-o para João. Aparecia um irmão, o Pedro, que foi registrado conforme o casamento, só que depois também surgiu o registro de batismo, agora como Peter. E assim comecei a montar famílias que tinham metade dos nomes em português e a outra em alemão. E como todos são estranhos, não há como saber como eram realmente chamados, certamente houve uma miscelânea, cada família agiu de acordo com seu grau de aculturação ao novo ambiente. Decidi usar um padrão que me pareceu mais coerente. Se fosse imigrante, ficava o nome em alemão, senão em português. O interessante é que muito destes imigrantes tem o seu nome registrado na Alemanha em latim, principalmente os católicos, um Carl Anton, por exemplo, foi registrado como Carolus Antonius. Alguns nomes não têm equivalente em português ou soa estranho: Gottlieb, Gottlob, Güinter, Schwickert. A linguagem que se usa não é problema, é apenas uma questão convencional. Complicadas são as confusões que o segundo prenome gera. Muitas vezes acreditamos que é outro filho e não é. Mas os problemas não param por aí. Os alemães tinham o hábito de dar o mesmo nome de um filho falecido ao próximo que nascesse. E ainda há casos de dois irmãos terem o mesmo prenome... E os alemães usavam poucos prenomes, davam aos filhos normalmente o prenome dos padrinhos, gerando uma enormidade de nomes iguais. A título de curiosidade acrescentei ao trabalho uma estatística com os sobrenomes e prenomes. Depois do longo período de análise do C333, algumas conclusões ficaram óbvias para mim. Hillebrand elaborou o C333 com propósito de argumentar junto ao governo provincial de que a Colônia de São Leopoldo já estava populosa demais. Também serviu a Hillebrand de apoio na solução dos problemas relativos as questões de distribuição de terras, por isso fez uma relação dos imigrantes vindos até 1830. Hillebrand ainda elaborou o "Registro de Distribuição dos Colonos pelas Diferentes Colônias", o Códice C332 do AHRS. Ouvi opiniões de que Hillebrand elaborou este registro desde que chegou em São Leopoldo, isto é, desde novembro de 1824. Os erros nos nomes de algumas famílias conhecidas, a inclusão de uma e outra família já constituída aqui no Brasil e, embora eu não seja entendido em questões de grafologia, a constância na escrita, tudo indica que foi feito num período curto de tempo. Entre 1824 e 1848, ou 1853, se considerarmos os últimos registros, transcorreram 29 anos. Se é difícil conservar a mesma grafia por tal período, mais ainda é ter a mesma qualidade no material empregado na escrita. Como leigo não percebo diferença. E também não havia motivo para começar tal levantamento nos anos de 1825 e 1830, tampouco no conturbado período de 1830 a 1835. Motivos de organizar a casa, somente durante e após a Revolução Farroupilha, quando Hillebrand já estava investido dos poderes outorgados por Caxias. Mas como pode Hillebrand lembrar de todos os nomes, mormente os dos mercenários que tiveram uma breve passagem pela Colônia? Não se tem conhecimento da existência de um livro de registro de entrada na Colônia, mas é possível ter havido listas de passageiros dos lanchões que traziam os imigrantes, estas listas eram necessárias e serviam como comprovante para pagamento do transporte, tal qual as listas ainda conservadas no AHRS que relacionavam os colonos vindos do Rio de Janeiro para Porto Alegre. As listas que estão arquivadas no AHRS não foram usadas por Hillebrand, há diferença significativa de conteúdo. Nas listas dos colonos que vieram do Rio de Janeiro, as famílias que possuem parentesco aparecem quase sempre relacionadas, uma após a outra. É compreensível pois os grupos comuns seguem juntos. Apesar da maioria dos colonos constarem na leva correspondente que chegou em São Leopoldo, sempre há inclusões de outras famílias ou pessoas. E Hillebrand teve o cuidado de distribuir as famílias de forma a terminar a página sem brancos ou com parte da família numa página e parte noutra, o que separou os grupos comuns. Penso que estas listas possam ainda existir, sabe-se lá onde poderiam estar... Estive indagando em São Leopoldo, mas não obtive sucesso. Hillebrand quando acrescentou o local de origem, citou a nação: Prússia, Hesse-Darmstadt, Oldenburgo, Hamburgo, Mecklemburgo. Só o chefe da família tinha o sobrenome citado. Vendo a relação com os nomes completos e os lugarejos de origem dos imigrantes, nota-se muitos parentescos entre as famílias e elas vieram de locais próximos uns aos outros. Isso não se percebe no C333 original. Em 1849 começam a chegar os imigrantes para a Colônia de Santa Cruz do Sul e em 1851 chegam cerca de 1800 soldados, os Brummer. Estas pessoas não foram relacionadas no C333 , exceto um ou outro caso, que constam no complemento por seu relacionamento com os imigrantes antigos, mas não pesquisei com esse objetivo. Quero ressaltar porém, que para fins de quantificar os imigrantes aqui chegados, há que se lembrar desta parcela significativa de imigrantes. E o período de 1853 a 1857 parece ser uma lacuna mais complicada de se preencher. Acompanhando-se a imigração pelo C333, tem-se a impressão que ela encerrou em 1848 e apenas uns poucos mais vieram até 1853. Pelos registros feitos pelo governo provincial, dando ordens e instruções a Hillebrand, entende-se que o livro ficava em Porto Alegre e quando havia uma justificativa para assentar novos colonos, o livro ia para São Leopoldo com as devidas recomendações. Parece que o C333 passou a ficar em Porto Alegre após 1848. Muitos colonos entraram em São Leopoldo entre 1848 e 1853 e não constaram no C333. A partir de 1849 o preenchimento do Códice C333 diferenciou-se dos anos anteriores. Existem casos curiosos, vários imigrantes chegados em São Leopoldo faleceram alguns dias depois. Hillebrand não relacionou estes casos, também há o caso de um imigrante cujo registro de casamento comprovadamente é anterior ao seu registro de entrada na Colônia de São Leopoldo. Algumas datas de óbitos e nomes citados por Hillebrand não coincidem com os registros das Igrejas Católicas e Evangélicas. E há uns dois ou três casos de imigrantes (estão citados no trabalho) que foram registrados duas vezes, isto é, tem duas datas de entrada. O que traz convicção e certeza nas pesquisas é a coincidência de informações colhidas de fontes primárias distintas. Entretanto, tratando-se de datas, há que se considerar como estas informações chegaram aos registros. Num registro de batismo, fonte primária, a data do batismo é a data confiável. A data do nascimento foi passada pelo pai, às vezes pelos padrinhos, e é fácil de entender que fica sujeita a erros, muitos pais não se ligavam na importância da data e davam uma informação sujeita a erros de interpretação: nasceu na terça-feira, nasceu na semana passada. O celebrante podia interpretar a informação de forma errada. Hoje quase todo mundo conhece a brincadeira do telefone sem fio, é fácil perceber como as informações vão se corrompendo, essa é a explicação que encontro para entender as divergências que encontrei nas pesquisas. A ordem cronológica dos registros de batismo garante a informação relativa ao ano de nascimento. Se a informação do nascimento vem do registro de óbito, a situação é diferente. O dia e mês são mais confiáveis, as comemorações de aniversário fixam em nós a data do nascimento, mas o ano, em nossa memória, guardamos às vezes apenas uma referência. O livro "Cemitério das Colônias Alemãs no Rio Grande do Sul", de Petry e Dullius, com dados obtidos dos túmulos, certamente dados fornecidos pelos familiares aos construtores dos túmulos, em confronto com os registros de óbitos pesquisados nos livros católicos e evangélicos, as informações de nascimento acusam diferenças no ano e raramente no dia e mês do nascimento. Nem mesmo a idade do noivo ou noiva, nos casamentos, escapa de erros, na grande maioria das vezes percebe-se que foi para esconder a diferença de idade. Para todos efeitos, sempre cito a fonte de referência de onde vem a informação. Muitas pessoas que sabem do meu trabalho, questionam se não era mais valioso fazer uma reprodução fiel do Códice C333, tal qual vem sendo feito em outros trabalhos correlatos. Seria mais simples, porém eu não acrescentaria nada, apenas estaria ajudando a conservar o documento original. Li muitos livros de história, e observei que os autores não dão o nome correto aos protagonistas dos fatos, os nomes estão corrompidos nos documentos. E não tendo onde buscar o nome correto do humilde participante dos fatos, citam-os como os encontram. E nós que descendemos destes imigrantes, não os relacionamos à história, ficamos sem saber o que eles fizeram por nós. A micro-história acaba se perdendo, confunde e dissolve-se nas lendas e por fim, penso que vai distorcer a própria História. Conservo a mesma estrutura do documento original, cada página corresponde a página do original e cada linha corresponde a um imigrante, de tal modo, que o colono que eu digo estar na página 153, linha 22 neste catálogo, é o mesmo do original na página 153, linha 22. Existem poucos casos onde diferenciamos, todos eles devidamente assinalados. Procurei acrescentar o máximo de informações. Foi necessário resumir e abreviá-las. Foram usados os símbolos que normalmente se usam na genealogia para indicar nascimento, casamento e óbito, e ainda abreviei os nomes dos municípios onde se instalaram a maioria dos imigrantes. A intenção foi conseguir espaço e melhorar o visual do texto. Meu objetivo não foi fazer uma obra literária, mas uma relação de imigrantes, dando uma luz, uma pista aos descendentes desta gente, orientando-os aonde pesquisar, possibilitando o resgate dos antepassados germânicos. Acredito que em termos genealógicos é o melhor resumo da imigração alemã feito no RS até hoje. Mas estou consciente que pode ser melhorado em muito. A pesquisa não se estendeu a todo Estado, embora tenha conseguido algumas informações da região de Santa Maria e Campanha, faltou dados da região Sul do Estado e das Missões. Os dados que obtive de Torres, foi numa época em que ainda buscava dados da minha família, embora tenho anotado muita informação, por motivos de total corrupção de nomes, desprezei muitos deles. Precisava fazer o mesmo tipo de levantamento que fiz em São Leopoldo, e isso implicaria em mais alguns anos. E depois de uns 4 anos trabalhando neste projeto, decidi que estava na hora de mostrar o trabalho. Não quero correr o risco de desistir no caminho, antes um esboço concluído que uma obra-prima inacabada...
Porto Alegre, 3 de outubro de 2004. |
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