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Cegonha à vista! E agora, o que vai ser de mim? |
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Prefácio Iara L. Camaratta Anton Aquem se destinam estas palavras? Apesar da capa e das primeiras páginas, que sugerem algo lúdico, não se trata de nenhuma espécie de literatura infantil. Este livro é escrito, em primeiro lugar, para pais. Traz temas instigantes, numa linguagem muito simples e clara, procurando reunir alguns aportes teóricos, inspirados em obras deixadas por importantes autores ligados à psicologia, à educação e à saúde. Seu conteúdo é fruto de uma seleção de questionamentos
que tenho acompanhado, em muitos anos de cursos de psicologia evolutiva e
educacional, dirigidos a pais e a profissionais da educação, da saúde e do
direito de família, e nos quais tenho atendido a casais e a famílias
Entretanto, em última análise, este pequeno livro nasceu de minhas próprias indagações, ou melhor, de minhas inquietações maternas, experimentadas lá pela década de 70 quando, recém-formada em psicologia, nutria ideais quase absurdos, porque etéreos: era como se uma mãe que deseja e ama não pudesse ter dúvida alguma e, principalmente, qualquer tipo de conflitos. Vigoravam ditados como “ser mãe é desdobrar fibra por fibra o coração”, “ser mãe é padecer num paraíso” ou “mãe que é mãe sempre sabe”. Além dos ditos populares, aturdiam-me certos (pré)conceitos, segundo os quais qualquer manifestação de ansiedade poderia ser interpretada segundo um “entendimento” já postulado: “Enjoa? É ansiedade! Vomita? É rejeição. Dor de parto? É psicológica!” Até pode ser e, freqüentemente, assim o é, mas tais interpretações não podem ser generalizadas. Entre outras coisas, a prática da “psicanálise selvagem” - devidamente advertida e condenada pelo próprio Freud - não conduz a uma compreensão genuína e, em vez de abrir caminhos, acaba por estimular vergonhas e culpas neuróticas, estreitando radicalmente os horizontes. Então, na verdade, verdade mesmo, estes singelos rabiscos refletem bate-papos ou leituras que eu mesma gostaria de ter a meu alcance quando tive meus bebês. |
Eu imaginava contar muito com a orientação do neonatologista e pediatra de meu primeiro filho e, assim, ia alinhavando perguntas de ordem prática, as quais ele, em nossas consultas prévias, habilmente transferia para a maternidade. Minha inexperiência não permitia que eu percebesse que já estava sendo indiretamente informada sobre um “modo de funcionar”. Afinal, quem sistematicamente diz “quando o nenê nascer, a gente conversa sobre estes detalhes” já está demonstrando algo a respeito de si mesmo, como pessoa e como profissional. Minha tendência era pensar que eu é que estava me precipitando, ansiosa demais, diante do novo... Aceitei, acreditei. Afinal, tratava-se de um médico indicado por pessoas próximas, professor universitário na área da pediatria, com um certo renome. Chegada a época prevista, recebi nem mais nem menos que uma impessoal e pequena “lista de recomendações” impressa por uma multinacional de sucesso, contendo sugestões perfeitamente dispensáveis para acompanhar um brinde simplesmente “maravilhoso” para uma “mãe de primeira viagem”: era uma lata de leite em pó! Meu filho estava ótimo, e isso era tudo o que o neonatologista tinha a me informar, além de, naturalmente, combinar os horários das próximas consultas. Para culminar, ao cabo de um mês, cometeu um grave erro médico, que poderia ter resultado em danos permanentes se não tivéssemos ido em busca do médico que passou a acompanhar meus dois filhos por toda a sua infância e parte da adolescência. A experiência chocante que vivemos em relação ao primeiro pediatra escolhido faz pensar cada vez mais intensamente na necessidade de selecionarmos muito bem os profissionais que nos assessoram e de sermos permanentemente sensíveis a deslizes, a pequenas frustrações que revelam limitações, recursos e, principalmente, modos de ser. Hoje sabemos que títulos e indicações devem ser muito bem pesados, junto com o que dizem nossas observações pessoais e intuição. Assim, neste livro, assuntos como este e muitos outros são analisados em linguagem quase coloquial - ainda que inspiradas ou completadas por alguns aportes teóricos. Absolutamente todos os itens que me proponho a analisar foram, de uma ou de outra forma - vividos pessoalmente ou por pessoas próximas a mim, por laços de amizade, parentesco ou profissionais. São, portanto, preciosidades para meu coração. Espero que sua leitura seja grata e útil.
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