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De Manoel Congo a Manoel de Paula. Um africano ladino em terras meridionais |
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SUMÁRIO Apresentação (Eduardo Silva) 11 Introdução 13 1 Da África negra à colônia alemã: tráfico e escravidão no Brasil Meridional 25 1.1 Manoel Congo no contexto atlântico 25 1.1.1 A escravidão na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul 25 1.1.2 A proibição do tráfico internacional e o Rio Grande do Sul 30 1.2 Manoel: um africano ladino em busca da liberdade 34 1.3 Construindo o cenário: alguns aspectos sobre a formação histórica da colônia alemã de São Leopoldo 44 1.3.1 Um pouco mais do que uma colônia isolada 51 2 Negras vivências 56 2.1.1 Algumas considerações sobre a bibliografia 56 2.1.2 Os imigrantes teutos e a sociedade escravista 59 2.1.3 A retomada do fluxo imigratório e a escravidão 62 2.1.4 Senhores e escravos 2.2 Vivências escravas 2.2.1 Um ladino no cativeiro e outras vivências 72 2.2.1.1 Mobilidade e sociabilidade escrava: construindo redes 78 2.2.1.2 A economia independente dos escravos 86 2.2.1.3 Solidários e conflituosos laços 2.2.1.4 Castigos, punições e maus tratos – para além da negociação 101 |
3.1 Em busca de uma nova vida 108 3.2 De Manoe1 Congo a Manoe1 de Pau1a 119 3.3 Outros destinos e percalços – “africanos livres” no Rio Grande do Sul 124 Considerações finais
145 Referências 147 Fontes consultadas
160 Apresentação Vida de escravo - ou mesmo de "africano forro" -
não era brincadeira. Manuel Congo, por exemplo, desembarcou
clandestinamente numa praia deserta do Rio Grande do Sul, no Capão dos
Negros, em 1852. Como o tráfico africano estava proibido desde 1850,
Manuel Congo não seria, teoricamente, escravo, mas “africano livre”. A
saga desse homem para afirmar-se como “africano livre” dentro da sociedade
escravista é o que nos revela esta pesquisa fascinante de Vinicius Pereira
de Oliveira, De Manoel Congo a Manoel de Paula.
Apresentado originalmente como dissertação de Mestrado na Universidade do Vale do Rio dos Sinos, trata-se de trabalho acadêmico bem pesquisado e bem escrito. Fica evidente a seriedade e importância da pesquisa realizada tanto em fontes primárias manuscritas quanto na historiografia mais atual. Vinicius Oliveira trabalha com nada menos de sete unidades arquivísticas, cobrindo desde o Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul até o Arquivo da Casa Paroquial de Nossa Senhora da Conceição de São Leopoldo. Ao focalizar e reconstituir a vida ordinária de um
africano ilegalmente escravizado, Vinicius Pereira de Oliveira nos revela
e confirma aspectos realmente importantes da experiência histórica
afro-brasileira. Podemos ter já alguma idéia sobre o que seria a vida de
um escravo no Brasil tradicional. Mas como seria a vida A história de Manoel Congo nos revela as imensas dificuldades enfrentadas pela população negra - fosse escrava, liberta ou “africana livre” - no Brasil escravista. Dentre as piores dificuldades, devemos incluir a falta De Manoel Congo a Manoel de Paula de credibilidade social, de voz autônoma e, portanto, de visibilidade histórica. Vinicius Oliveira nos ajuda a suprimir essa grave lacuna. Outro mérito da pesquisa é reafirmar a importância e fecundidade dos estudos sobre o negro, mesmo em áreas tradicionalmente vistas como colônias “puramente” européias. A escravidão está por toda parte. A nova historiografia do Rio Grande do Sul vem recuperando muito bem, nos últimos anos, a participação do povo negro na história meridional. Já sabemos muita coisa sobre o tema, mas é preciso saber sempre mais. A historiografia gaúcha, sem dúvida, está entre as melhores do Brasil. Basta lembrar, ao correr da pena, as contribuições fundamentais de Sandra Pesavento, Helga Piccolo, Margaret Bakos, Mario Maestri, Paulo Roberto Staudt Moreira e muito outros. A essa construção magnífica, eternamente contraditória e inconclusa, vem Vinicius Oliveira contribuir com sua pesquisa sobre um homem comum e quase invisível, um certo Manoel Congo, aliás; Manoel de Paula. Penso que esta história de vida há de tocar profundamente a leigos e especialistas. Prof. Dr. Eduardo Silva Fundação Casa de Rui Barbosa, Rio de Janeiro. | |