Memórias da vida Judaica – personagens, episódios e instituições gaúchas

 

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Introdução

Em 1984 e 1987, publiquei, respectivamente, os livros Aspectos da Vida Judaica no RS e Imigrantes Judeus. Estando meu primeiro trabalho esgotado há tempos, o Prof. Rovílio Costa e o Dr. Abrahão Finkelstein, este na época presidente da Federação Israelita do RS, por várias ocasiões, insistiram para que eu apresentasse mais um livro. Como vinha há várias décadas desenvolvendo em meu consultório o nobre exercício da profissão médica, pensei em encerrar tal atividade. Feito isso, tomei a iniciativa de retomar a escrever, com o objetivo de acrescentar novos elementos em relação à comunidade judaica, da qual participo. Desde minha infância, sempre estive em contato com o estudo e com as entidades que venho acompanhando desde os seus primórdios, ou seja, desde a vinda dos israelitas a Porto Alegre.

Nos seis primeiros capítulos deste livro, apresenta elementos sobre quase todas as instituições e entidades judaicas da Capital gaúcha. Entrei em contato e entrevistei dirigentes, rabinos e orientadores religiosos de todas as sinagogas de Porto Alegre.

Sobre este aspecto, apresento novos elementos, pois, no meu primeiro livro, os relatos referiam-se apenas a dados da fundação e das primeiras décadas. No entanto, nestes últimos 20 anos, praticamente todas as entidades apresentaram algo singular, não no aspecto religioso, mas em relação a novas características que colhi junto a dirigentes e orientadores.

Em relação ao Colégio Israelita, primeiramente, relatarei como funcionou nas primeiras décadas, quando eu e, depois, meus filhos, fomos alunos. A seguir, mostrarei o Colégio nas últimas décadas, através de depoimentos de uma professora que ainda leciona no referido educandário.

Algumas entidades que descrevi no primeiro livro não mais existem; em contrapartida, neste atual trabalho, aparecem as novas e dinâmicas direções da Federação Israelita do Rio Grande do Sul.

Algumas entidades alteraram suas razões sociais, suas denominações, e outras não.

Desejo destacar que, neste livro, apresento, pela primeira vez, entidades que já existiam, como é o caso da Fundação Kadima, e, também, novas entidades, como o Instituto Cultural Mare Chagall, importante centro de pesquisa do início da colonização judaica no RS. Este Instituto criou um museu, procurando com isso preservar a memória do povo judeu.

            Cito ainda o novo conjunto musical Leehaim. Dedico espaço para o Lar da Criança Anne Frank, entidade de valiosa atividade social, no atendimento de uma centena de crianças carentes de Viamão, com apoio e abnegação de senhoras da comunidade judaica.

Sobre o aspecto beneficente, destaco a seguir, o trabalho dedicado das Damas de Caridade junto aos idosos do Lar dos Velhos.

No capítulo 7, faço rápida retrospectiva dos programas radiofônicos.

No oitavo capítulo, apresento entrevistas realizadas com personalidades judaicas de Porto Alegre, ressaltando alguns pioneiros nas atividades médicas, sociais, culturais e beneficentes. Embora hoje naturalmente haja muitas outras personalidades de destaque, concentrei-me naquelas com quem tive contato pessoal e pude apreciar suas contribuições.

No capítulo 9, apresento as principais festividades religiosas, começando com Pessaeh e seguindo até Chanueá, a última do calendário judaico.

Ao relatar cada uma destas festas tradicionais e episódios, recorri à minha memória. Assim, vou descrevendo o significado, apresentando as práticas tradicionais que presenciei em diferentes países por mim visitados.

Como exemplo, cito Pessaeh (Páscoa Judaica). Relato, de começo, como acompanhei esta comemoração na infância e adolescência com meus pais; depois, como ocorria na minha casa, em Porto Alegre, com os filhos.

Apresento, ainda, como observei Pessaeh em Israel, num Kibutz, em Nova Iorque, no Rio de Janeiro e em Upsala (Suécia), preparando o Seider em companhia de filhos e netos.

No livro também acentuo as comunidades judaicas do interior do Estado (capítulo 10), dando ênfase ao teatro idish e à tradição. Descrevo Filipson e Quatro Irmãos desde o início da vinda dos judeus ao Rio Grande do Sul.

Nos capítulos 11, 12 e 13, trato das ocupações profissionais dos imigrantes e faço um pequeno levantamento de provérbios e apelidos da época, muitos ainda presentes em nosso meio.

Com Glossário final, desejo facilitar a compreensão de algumas palavras e expressões usuais.

Meu desejo é que esta publicação seja útil na preservação e valorização de nossas raízes, nossa história e cultura.

 

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