Povoadores de Antônio Prado

 

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Como reconhecimento ao Município de Antônio Prado, onde, de 1962 a 1967, auxiliei no serviço paroquial, na sede e, por vezes em capelas e em Nova Roma, e tendo meu editado Fidélis Da1cin Barbosa, confiado a mim e a Luis Alberto De Boni a complementação da obra de sua autoria, Antônio Prado e sua história, por mim editada, resolvi publicar estes meus apontamentos e pesquisas de diferentes autores.

Povoadores de Antônio Prado, com relação de famílias chegadas em diferentes pontos do Estado e do País, no caso dos trentinos, é um registro inicial e provisório que poderá ajudar na elaboração de árvores genealógicas e histórias familiares.

Nomes e sobrenomes foram transcritos consoante os documentos citados, razão de diferenças às quais se juntam, seguramente, equívocos de interpretação, devido à quase inelegibilidade de alguns registros.

Espero que os leitores colaborem com emendas, acréscimos e correções (e-mail: freirovilio@esteditora.com.br; fone: 51-33361166).

A história e os registros demográficos recentes, em andamento, não foram contemplados, privilegiando-se dados e registros do passado, que fazem parte do patrimônio histórico oral e/ou escrito. Minha gratidão a quantos colaboraram para a obra ser o que é, e a quantos colaborarem para ela vir a ser o que já devia ter sido.

Porto Alegre, 20 de maio 2007.

Frei Rovílio Costa.

 

 

 

In memoriam

Agradecido a Deus, recordo as lições de vida que recebi em Antônio Prado do Pe. Antônio Galioto, Pe. João Bosco Luiz Schio e Pe. Estêvão Vanin, bem como dos pradenses, Freis Celestino e Justino Dotti, Ambrósio Tondello e Casimiro Zaffonato. Memória especial do Pe. Cármine Fasulo, fundador do La Libertà (1909), o quase centenário jornal das etnias e culturas. (Rovílio Costa).

             

APRESENTAÇÃO

Acompanho o percurso das Edições EST, desde sua fundação, em 1973, com o lançamento de Psicologia da fraternidade religiosa, de autoria do seu próprio fundador, Frei Rovílio Costa.

Com o Biênio da Imigração e Colonização, 1974-1975, floresceram publicações sobre as diferentes etnias constitutivas do Estado do Rio Grande do Sul, destacando-se a italiana, com sua história, língua e tradições.

Para atender às numerosas buscas de origens, começou a Editora a publicar Registros Civis e Eclesiásticos, que foram dando embasamento à reconstituição de árvores genealógicas e à organização de documentação essencial para a cidadania italiana. Dentre as obras fundamentais, no caso da Imigração Italiana, estão as publicações de códices do Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul: - 1. Registro dos Imigrantes do Núcleo Colonial de Nova Palmira: 1876-1879, 1989, com relação dos primeiros imigrantes entrados em Caxias do Sul. - 2. Gênesis: etnias do RS: 1891-2 (Códice C 197), 1993, com as entradas no Estado de imigrantes procedentes dos portos de Santos, Rio de Janeiro, Montevidéu e Rio Grande. - 3. Alfredo Chaves e seus Imigrantes (Códice SA 071), 1995 e Alfredo Chaves: imigração e povoamento 1886-8 (Códice SA 73), 1997, com Registro de imigrantes entrados nessa Colônia nas respectivas datas. Caxias do Sul tem relevância em relação a Antônio Prado, porque de Caxias começa migração de famílias para Antônio Prado; e Alfredo Chaves é colônia aberta concomitante a Antônio Prado.

Povoadores da Colônia Caxias, de minha autoria com Rovílio Costa (2ª ed. 2002), baseia-se no recenseamento de 1884 e nos livros matrículas do Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul, com informações familiares, indicando Légua, Travessão e lotes de estabelecimento dos imigrantes.

Sem me deter na obra As Colônias Italianas Dona Isabel e Conde d'Eu (1992), de Rovílio Costa, Luis Alberto De Boni, Nilo Salvagni e Élyo Caetano Grison, com os registros territoriais de Bento Gonçalves e Garibaldi até o recenseamento de 1920, aponto para uma obra também significativa para Antônio Prado - Povoadores das colônias Alfredo Chaves, Guaporé e Encantado (1997), baseada em registros paroquiais e públicos. Povoadores da Quarta Colônia, de José Vicente Righi, Edir Lucia Bisognin e Valmor Torri, 2001, e Gênese da Colônia Guarani (Códice SA 290), de José Newton Cardoso Marchiori, 2001, contemplam a imigração na região central do Estado e, agora, com Povoadores de Antônio Prado, de Rovílio Costa, 2007, conclui-se o mapeamento histórico-genealógico das colônias do nordeste do RS.

Enfim, nestas e outras publicações da EST, estão mapeadas cerca de 10.000, das 14.000 famílias italianas que, segundo diferentes autores, teriam entrado no RS, de 1875 a 1914. Fidélis Dalcin Barbosa (1979) assim historia como a Colônia de Antônio Prado recebeu o seu nome: “Em 1885, sendo Imperador do Brasil D. Pedro II, Presidente da Província do Rio Grande do Sul o Conselheiro Dr. José Júlio de Albuquerque Barros, Inspetor Geral de Terras e Colonização o Tenente Coronel Francisco de Barros e Acioli de Vasconcelos e engenheiro-chefe da Comissão de medição de lotes o bacharel Manuel Barata Góis, ficou estabelecido que, durante o exercício de 1886-1887, fosse criado um núcleo de colonização na margem direita do Rio das Antas. Este núcleo não tinha nome, por isso o engenheiro-chefe, Manuel Barata Góis, sugeriu e solicitou que fosse dado à nova Colônia o nome do Conselheiro Antônio da Silva Prado, por ter no Parlamento pugnado a favor da imigração...”.

A família Prado tem destacada presença na história de São Paulo e do Brasil. "Família de fazendeiros, políticos e escritores, cujo patriarca foi o sargento-mor Antônio da Silva Prado nascido em Portugal, e falecido em Jundiaí SP Os Prado destacaram-se na vida de São Paulo a partir da terceira geração, com Antonio da Silva Prado (1778-1875), terceiro esse nome, grande proprietário rural, e que obteve o título de Barão de Iguape (1841). Sua filha Veridiana Valéria da Silva Prado (1825-1910) casou-se com o tio, irmão do Barão de Iguape, Martinho da Silva Prado (/8/1-1891), segundo desse nome, também fazendeiro” (Encic, Mirador Internacional, v. 17, p. 9.255).

Os filhos deste casal assinalaram-se na vida nacional, notadamente o Conselheiro Antônio da Silva Prado (1840-1929), Martinho Prado Júnior (1843-1906), Antônio Caio da Silva Prado (1853-1889), que faleceu como Presidente da Província do Ceará, e Eduardo Prado (1860-1901). Projetaram-se, também, os descendentes da quinta e sexta geração, Antônio Prado Júnior (1880 - 1955) e Fábio Prado, este nascido em 1887. Foram respectivamente prefeito do Rio de Janeiro (1926-19230) e prefeito da cidade de São Paulo (1935-1938), além do escritor Caio Prado Júnior,nascido em 1907.

Antônio da Silva Prado, filho de Martinho da Silva Prado e de Veridiana da Silva Prado, nasceu em São Paulo a 25-2-1840, e faleceu no Rio de Janeiro em 23-4-1929. Fez na cidade natal seus primeiros estudos, cursando os colégios Tautphoeus, Calógeras e Pedro n. Em 1861, colou grau de Bacharel na Faculdade de Direito de São Paulo. Fez um curso de especialização em Direito em Paris. Destaca-se como político e como empresário.

Como político, foi deputado provincial, deputado geral e senador, já distinguido com o título de conselheiro e Ministro. Integrou o Gabinete conservador, de 20 -8-1885, cujo Presidente do Conselho de Ministros foi João Maurício Vanderlei. Ocupou a pasta da Agricultura, sendo na mesma, substituído por Rodrigo Augusto da Silva. No gabinete, de 10-3-1888, primeiramente respondeu pelo Ministério dos Estrangeiros e, depois, pelo da Agricultura.

Foi um grande incentivador da imigração européia, buscando a substituição da mão de obra escrava pela dos imigrantes. De sua passagem pelo Ministério destacam-se três grandes relatórios referentes ao fenômeno da imigração.

Como empresário, atuou nos mais variados setores da economia: plantação de café, criação de gado, construção de estradas de ferro, fundação de empresas comerciais, fundação de banco...

Eis, cronologicamente, seus principais encargos: 1861, forma-se na Faculdade de Direito de São Paulo; 1862, Delegado de Polícia em São Paulo; 1865, Vereador na Câmara Municipal de São Paulo; 1866, Agricultor e pecuarista; 1889, com o pai e o irmão compra a Fazenda São Martinho, que foi a maior plantação de café num só bloco, com 3.300.000 pés; 1866-1869, trabalha na Companhia Paulista de Estrada de Ferro e preside-a de 1892-1927; 1872-1884, Deputado Geral; 1876, Presidente da Caixa Econômica Imperial; 1877, Presidente da Câmara Municipal de Vereadores de São Paulo; 1878, Jornalista no Diário de São Paulo, e em 1879, no Correio Paulistano; 1881, Chefe do Partido Conservador em São Paulo; 1884, Diretor da Associação Comercial de São Paulo; 1887, Senador; 1887, Sociedade Promotora da Imigração, com o irmão Martinico e com o Visconde da Paraíba; 1887, Casa Comercial Prado, Chaves & Cia.; 1889, Banco do Comércio e Indústria de São Paulo, que preside de 1889-1920; 1885, Conselheiro do Porto de Santos; 1895, Vidraçaria Santa Maria, com Elias Fausto Pacheco Jordão; 1897, Curtume de Água Branca; 1891, Balneário do Guarujá; 1905, Minas de Ouro em Amaro Leite (Goiás); 1899-1910, Frigorífico de Barretos.

O nome sugerido para a Colônia foi Conselheiro Antônio Prado, que passou, depois, a Antônio Prado.

Antônio da Silva Prado foi um diferencial na política brasileira de imigração e colonização, e o município de Antônio Prado é um diferencial na manutenção da herança imigratória no Estado.

Caxias do Sul, 20 de maio de 2007.

Prof. Mário Gardelin

 

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