Agroindústrias, frigoríficos e cooperativismo

Evoluções e contradições nas
 lógicas de desenvolvimento de
 Passo Fundo
1950-1990

João Carlos Tedesco

Paulo Ivan Schutz Beux

Sirlei de Fátima de Souza

Renan Cechet

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A periodização da análise de­senvolvida nesse trabalho cristaliza toda uma história de desenvolvimento socioeconômico de Passo Fundo. Município que, por quase um século após sua emancipação (1857), possuía um vasto território no centro-norte do RS, aliava pecuária, agricultura e extrativismo, detinha grande parte da população no meio rural caracterizada pelo grande proprietário e pelo agricultor familiar.

A partir da metade do século XX, alterações profundas se fazem sentir no até então território de Passo Fundo: emancipações frag­mentam e reduzem consideravelmente seu espaço, avança a urbanização, moderniza-se o campo pela presença da figura do granjeiro, constitui-se o complexo agroindustrial em substituição ao complexo rural, consolidam-se as indústrias a montante e a jusante por meio de frigoríficos, metalúrgicas, cooperativa empresarial e grandes redes de comércio. Ganha corpo e maturidade um processo estruturante da economia e da mobilidade espacial de fatores e atores. Empreendimentos industriais rompem e redefinem formas artesanais de produção; a modernização técnica e produtiva seletiviza o produtor rural; os grandes grupos industriais multinacionais ocupam espaços de indústrias locais; o modelo de cooperativismo empresarial não se sustenta frente às novas dimensões do mercado mundializado; o urbano se adensa e se constitui, em grande parte, pela população rural, etc.

A presente análise adentra para alguns desses grandes processos em nível de Brasil e que foram profundamente dinamizados regional e localmente, mostrando suas contradições, suas redefinições, lógicas e convivências em conflito.

Os autores:

João Carlos Tedesco

Doutor em Ciências Sociais, professor do Mestrado em História da UPF.

Paulo Ivan Schutz Beux

Economista, Especialista em Administração, Mestre em História. Gerente do Sest/Senat – Unidade de Passo Fundo.

Sirlei de Fátima de Souza

Mestre em História pela UPF.

Renan Cecchet

Bolsista – Fapergs, aluno do curso de História, estagiário do Arquivo Histórico Regional.

 

 

 

 

  SUMÁRIO

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Introdução 9

1. Modernizar é preciso: difusão e conhecimento técnico agregados aos complexos agroindustriais e ao agricultor familiar (anos de 1950-1990) 29

1.1 Síntese de discussões sobre o desenvolvimento do meio rural no período 30

1.2 Patrimonialismo, capitalismo, dualismo, modernização: síntese de um debate 33

1.3 O projeto desenvolvimentista 36

1.4 Industrializar era preciso 38

1.5 Migração, família, proletarização, agroindústrias 40

1.6 O ethos de colono nesse cenário de dimensão modernizadora 43

Referências 48

2. Avanços do processo transformador da economia rural em economia agroindustrial no município de Passo Fundo 51

2.1 Tecnologização do rural: aspectos macro 52

2.2 A consolidação do complexo agroindustrial 54

2.2.1 O maquinismo e o químico na agricultura: expressões modernizantes 61

2.2.2 Produzir, industrializar e comercializar 64

2.3 O agenciamento público 66

2.4 A modernização do Estado e a pesquisa para a agricultura: o papel da Embrapa 72

2.4.1 A Embrapa/Trigo em Passo Fundo 76

2.5 Alguns tópicos da história do complexo agroindustrial de Passo Fundo 83

2.5.1 Depoimentos sobre a história do CAI em Passo Fundo 90

2.5.2 Orientação, procedimentos e investimentos no setor agrícola no período em questão 99

2.5.3 Orientações, procedimentos e investimentos relacionados ao CAI 108

Considerações finais 115

Referências 119

Anexos 122

3. O cooperativismo regional: o caso da Coopasso 131

3.1 Aspectos que dão início à organização associativa dos agricultores 132

3.2 Políticas públicas e a triticultura 133

3.3 As intenções do cooperativismo regional 136

3.4 As multifunções do sistema cooperativista 141

3.4.1 A esfera da representação institucional e comercial 144

3.4.2 Agentes de modernização 145

3.4.3 Modelo vulnerável 146

3.5 A experiência da Cooperativa Tritícola de Passo Fundo – Coopasso 147

3.5.1 Seu surgimento e suas justificativas 148

3.5.2 Fatores de expansão da produção local e do cooperativismo: décadas de 1950/60 150

3.5.3 Síntese do período 158

3.6 Anos 70: período de expansão e consolidação de uma estrutura multicooperativa 160

3.6.1 O auge da expansão 161

3.6.2 Reestruturação geográfica e da lógica econômica da Cooperativa: o eixo dos anos 70 173

3.7 Década de 80: entre a expansão, o endividamento e a liquidação 184

3.7.1 Período de fusões e incorporações 185

3.7.2 Para além das coxilhas do Planalto 188

3.7.3 A performance multicooperativa 191

3.7.4 Sintomas e explicitação tímida da crise que se avizinhava 193

3.7.5 A operação com a CentralSul 197

3.7.6 Várias tentativas de reerguimento 199

3.7.7 O alardeamento da crise, a desimobilização do patrimônio e o golpe de misericórdia 203

3.7.8 Posições sobre as causas do fim da Coopasso 212

Considerações finais 216

Referências 218

4. Da agricultura para o comércio e à indústria: frigoríficos, moinhos e olarias em Passo Fundo. Algumas considerações... 221

4.1 A agropecuária e a indústria artesanal rural nas primeiras décadas do século XX no RS e em Passo Fundo 224

4.2 A política do trigo e os moinhos coloniais em Passo Fundo 231

4.3 As olarias: bases do artesanato industrial rural em Passo Fundo 249

4.3.1 O gênero no trabalho e o trabalho de gênero 258

4.3.2 Inovações técnicas e suas implicações 261

4.3.3 A expressão de uma indústria moderna: a Cerâmica São João 267

4.3.4 A crise das olarias artesanais 270

4.4 Os Frigoríficos Z. D. Costi e Planaltina 275

4.4.1 Os primeiros frigoríficos no Rio Grande do Sul 277

4.4.2 A indústria frigorífica em Passo Fundo 278

4.4.3 Matadouros artesanais 279

4.4.4 O Frigorífico Z. D. Costi & Cia Ltda 286

4.4.5 Gerenciamento e mercado 290

4.4.6 O Frigorífico Planaltina 293

4.4.7 A esfera do trabalho e da produção 296

4.4.8 A crise e o fechamento dos Frigoríficos 304

Considerações finais 314

Referências 318

Anexos 321

 

 

 

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