ARROMBANDO A CONTABILIDADE

Décio Pizzato

 

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Os atentados praticados em Nova York e Washington pela barbárie terrorista em 11 de setembro de 2001 tiveram conseqüências na economia mundial, os fatos que todos hoje sabem. Mas, muito mais prejudicial do que aqueles atentados, que retirou a vida de milhares de pessoas, tem sido o constante aparecimento de fraudes na contabilidade de grandes empresas, essas vitimando os investidores. A concordata da empresa americana Enron, mostrou ponta do iceberg dessas fraudes praticadas por empresas, e na ocasião envolveu conceituada empresa internacional de auditoria. Daí em diante esses artifícios contábeis propositais foram aparecendo também em outras empresas, como se fizessem parte do mesmo novelo, com apenas variações sobre o mesmo tema. Os registros contábeis das mesmas não espelhavam a verdade, e isso veio à tona além da Enron, continuados nas empresas WorldCom e Xerox, que estão abrindo o caminho para outras tantas que em muito em breve virão.

Entretanto, não é só isso, e deve-se somar a esses fatos, as análises divulgadas no início do mês de maio passado, por instituições financeiras como Merril Lynch, Morgan Stanley, Abn- Amro Bank e Banco Santander, com recomendações de suas áreas técnicas, para que as de investimentos se desfizessem dos títulos da dívida externa brasileira. Como não foram apenas com os títulos brasileiros, e haviam também distorções com análises sobre ações de várias empresas, essas e outras instituições de Wall Street , ficaram sob o foco da Procuradoria do Estado de Nova York e da Comissão de Valores Mobiliários americana, dando inicio a uma série de investigações sobre o assunto. Assim, se antecipando uma demanda judicial a Corretora Merril Lynch, a maior dos Estados Unidos, optou em fazer um acordo na Justiça, e pagará a multa de US$ 100 milhões. A acusação era de relações promíscuas entre as suas áreas de análise e a de investimentos. Análises essas que visavam classificar melhor os títulos de seus interesses, ou vice-versa. O Procurador Geral do Estado de Nova York informa que haverá continuidade nas investigações contra outras instituições financeiras com acusações de conflito de interesses. Essas investigações ainda não chegaram nas agencias de classificação de riscos.

Para ficar mais claro, sempre quando se vende títulos mesmo em baixa, existem na outra ponta quem os compre, esperando a sua valorização. Devendo ser interpretado que essas análises eram tendenciosas, e visavam um ganho substancial mais adiante. Desta forma, consultores, auditores e analistas, detentores de certificações aceitas internacionalmente, parecem usarem as mesmas como uma Carta de Corso. Utilizam de seus conhecimentos como um pé-de-cabra para arrombarem os lançamentos contábeis, distorcendo-os em prol de seus interesses, e totalmente contrários à centenas de milhares de investidores que neles estão confiando. Como pode ser visto tudo isso é todo um processo em cadeia. Conforme disse o mega investidor George Soros vai levar a uma perda de confiança na economia global, como houvesse uma espécie de efeito Bush que deprime o mercado, em razão da defesa que os EUA fazem dos seus interesses, e com um fracasso em corresponder à responsabilidade de ser o centro financeiro do mundo. Pois os fundamentos da economia americana sofreram restrições por parte do FMI. E, o Brasil sofre os efeitos dessa crise que não é sua, mas é utilizada para manipulações especulativas. Até o presente momento, não há nada que possa dizer que aqui no país estão sendo usadas as mesmas diretrizes de burla, é isso o que se espera de nossos profissionais para que não usem como modelo, o do american way.

 

Décio Pizzato

Economista

 

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