*Economista 

 

UM ANO DEPOIS DOS ATENTADOS

Décio Pizzato*

 

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            Há exatamente um ano o mundo viu estarrecido a barbárie praticada contra Nova York e Washington que teve milhares de mortos, e ficou com a certeza de que a partir daquela data tudo começaria a mudar. O centro financeiro mundial mostrou a sua fragilidade, não só sob o aspecto de defesa contra ataques terroristas, como veio a desnudar as empresas que eram o expoente dos negócios na Bolsa de Valores de Nova York. As queridinhas do mercado, as empresas da nova economia tais como as dos setores de alta tecnologia, e também as ponto com, já vinham ladeira abaixo nas cotações registradas pelo índice Nasdaq. A economia americana, após aquela data, manteve-se em compasso de espera, não crescendo, e o Federal Reserve - FED foi obrigado a fazer reduções na taxa de juros básicos até o nível de l,75%, o mais baixo dos últimos 40 anos, mas mesmo assim não houve o aquecimento esperado. Com isto surgiu a gota d’água que transbordou tudo e mostrou toda a fragilidade do mercado acionário americano, com a descoberta de que as mais conceituadas empresas vinham ao longo de anos fraudando os seus registros contábeis e apresentando lucros fictícios, que visavam mais a beneficiar os seus administradores do que os investidores que neles confiavam. Assim, grandes bancos que gerem fundos de pensões e de investimentos, viram os realizados em ações dessas empresas sumirem, assim como tiveram também que absorver prejuízos com os títulos da Argentina, cuja a economia ruiu ao final de 2001. Só que desta vez as vítimas foram centenas de milhares de pensionistas e investidores.

O impacto no Brasil daquele atentado foi imediato, mas mostrou que tínhamos novas oportunidades, e essas se mostraram claramente. Partiu-se para buscar novos espaços no cenário do comércio internacional. Não sem antes ter que enfrentar, como continua-se ainda enfrentando, toda a sorte de análises tendenciosas feitas por agências de classificação de riscos, precedidas pelas feitas no início de maio deste ano por bancos de investimentos de Wall Street. O objetivo dessas análises era o de aumentar o deságio dos C – Bonds brasileiros para permitir ganhos mais altos com os mesmos, afim de recuperar os prejuízos com os erros cometidos com ações daquelas empresas fraudadas em sua contabilidade e cujo o valor virou pó, além das perdas com títulos argentinos. 

A nova meta de superávit de US$ 7 bilhões na Balança Comercial anunciada, mesmo com reservas, pelo Ministro do Desenvolvimento, não deve ser vista apenas como um feito conseguido pela área. Este superávit ultrapassa a necessidade para o fechamento das contas do ano de 2002. Assim, existe um trabalho em ação que projeta um superávit de US$ 8 bilhões para 2003, até alcançar US$ 18 bilhões em 2006. Superávites na Balança Comercial cada vez mais crescentes tenderão a fazer com que haja diminuição na dependência de financiamentos externos, ocasionando nesses anos queda nas taxas de juros. Instituições financeiras com comportamento oportunistas, que os americanos chamam de free-riders, aproveitam-se assim do cenário eleitoral brasileiro para provocar aumento do risco Brasil. Informando haver uma exposição muito grande em linhas de crédito para financiamento do comércio exterior, o que em seu ponto de vista seria de estarem sujeitos a grandes riscos. Além é claro de afirmarem que a dívida interna, por ser muito alta, estaria sujeita a um calote pelo próximo governo que assumir. Existe um motivo para que façam isso, e os efeitos climáticos mundiais nos dão a resposta, pois favorece o Brasil. A seca que se acelera na faixa sul- norte passando pelo oeste dos EUA atinge 9 estados, fazendo com que haja grandes perdas com soja e milho. Soma-se a isto as catástrofes com as inundações na Ásia, como na Coréia do Sul e também na China e na Índia, estes últimos, países que já ultrapassaram cada um a barreira de 1 bilhão de habitantes, apontando para as necessidades pôr alimentos que virão. 
Desta forma não é atoa que há um movimento de ganância, como dito pelo presidente do FED Alan Greenspan, em cima de um bom momento que se aproxima para o Brasil.

 

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