| dbpizzato@cpovo.net | A MÃO QUE BALANÇA O BERÇO ESPLÊNDIDO |
Décio Pizzato |
São dois os aspectos a comentar e que vieram a ser objetos de muito espaço nos meios de comunicações. O primeiro refere-se a que Bancos de Investimentos e Corretoras estavam recomendando aos seus clientes se desfazerem dos títulos da dívida brasileira, em função do crescimento nas pesquisas eleitorais do principal candidato da oposição. Ao mesmo tempo houve a divulgação pelo Wall Street Journal que essas instituições e outras estavam sob investigação, pela Procuradoria do Estado de Nova York e pela Comissão de Valores Mobiliários americana. E o que aconteceu ? A Corretora Merril Lynch, a maior dos Estados Unidos, fez um acordo na Justiça, e pagará a multa de US$ 100 milhões. A acusação foi de relações promíscuas entre as suas áreas de análise e a de investimentos. Análises essas que visavam classificar melhor os títulos de seus interesses, ou vice-versa. Mas, mesmo assim a Merril Lynch alega que nada fez de errado, e se é sincera a sua afirmação, fica então a pergunta porque fazer um acordo para pagar uma multa tão alta ? Quem não deve não teme.
O Procurador Geral do Estado de Nova York informa que haverá continuidade nas investigações com acusações de conflito de interesses contra outras instituições financeiras, que operam em Wall Street.
O segundo aspecto, já no plano interno do país, são sobre as afirmações dos economistas ligados ao Partido dos Trabalhadores, dizendo que será mantido o espirito da Lei de Responsabilidade Fiscal. Entretanto há um fosso enorme em relação as opiniões emitidas e a ação concreta de seu próprio partido, que conseguiu liminar no Supremo Tribunal Federal visando derrubar 3 artigos da Lei. Com esta suspensão, por exemplo cai o limite de 60% das receita dos estados para gastos com a folha de pagamento. É só perguntar para qualquer empresário, o que aconteceria com a sua empresa, se os seus gastos com a folha de pagamento fosse na ordem de 60% de seu faturamento? A resposta, mais do que óbvia, seria que estaria há muito tempo falido.
Parece estar havendo uma operação de desmonte do arcabouço do ajuste das contas públicas, se a tudo isto também vier a se somar a possibilidade de que os estados e municípios possam contrair mais empréstimos, conforme em andamento no Congresso Nacional. A nossa dívida interna é muito alta, e é sustentada pelos Fundos de Renda Fixa, que administra recursos de investidores e pelas aplicações dos Fundos de Pensões, que mantém aposentadorias e pensões. Como se sabe, esta dívida de 2/3 de R$ 1 trilhão de reais, está sendo administrada, mas está havendo tentativas de desequilibrá-la. Como vêem há uma ajuda interna para os analistas de Wall Street fazerem as suas recomendações de rebaixamentos.
Assim, parodiando um recente filme de suspense e quem o viu deve ter sentido arrepios, este artigo só pode ter como título o de " A mão que balança o berço esplêndido ".
Décio Pizzato
Economista
Escrito em 29/05/2002