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O caminho no qual a esperança se realiza

Marcelo Barros

 
 

                        Todo mundo precisa de esperança para viver. A utopia é aquilo que ainda não existe mas anima nossa esperança. Serve de motor para caminharmos rumo à humanização da vida e do mundo. A pior tragédia que pode ocorrer para a juventude mais consciente é o assassinato das utopias. Quando a sociedade dominante nega e decide tornar inviável o que os jovens esperam,  abrem-se as portas para todo tipo de violência e absurdo. Não tendo mais em quê acreditar, um adolescente pode matar o outro por um par de tênis.
O exército americano enviou jovens negros e índios ao Iraque dizendo que eles iam à guerra para libertar esse país de uma ditadura e ajudar um povo oprimido. Lá descobrem que as intenções do seu governo eram outras. Para derrubar um ditador não precisaria demolir o país inteiro, matar tanta gente e destruir todos os edifícios da capital, com exceção - e não parece coincidência -  do prédio do Ministério do Petróleo. Quando os rapazes descobrem que arriscaram a vida e mataram pessoas para atender a interesses privados, quando percebem que seus próprios coordenadores militar os enganaram, em quê ainda acreditar? É urgente que grupos e organizações de Paz lhes ofereçam novos motivos para crer e esperar. Muitos rapazes e moças dos mais diversos continentes se questionam aonde buscar esperança e força para resistir, alívio para as angústias e para o medo do futuro. No caminho atual do mundo, haverá alguma estação da libertação e da vida? Este é, exatamente, o nome de uma grande festa que duas religiões celebram nestes dias: a Páscoa.
No judaísmo, o título da festa da Páscoa é Pezah zeman herutenu : a estação da nossa libertação . O cristianismo fala de memorial da morte e ressurreição de Jesus Cristo . Entre judeus e cristãos, a forma e o conteúdo das celebrações da Páscoa variam, mas a raiz fundamental é a mesma. Os cristãos herdaram a Páscoa do judaísmo. As comunidades judaicas a receberam de antigas religiões nativas que festejavam a primavera e agradeciam a Deus as primeiras crias do rebanho, ou as espigas novas da plantação. Com o decorrer do tempo, tornou-se a comemoração da noite em que o Senhor libertou da opressão do Faraó os antigos judeus escravos no Egito. Até hoje, as comunidades cristãs continuam fazendo memória deste fato e acrescentam a essa memória a Páscoa da morte e ressurreição de Jesus Cristo.
Cada ano, as comunidades judaicas continuam fazendo a ceia pascal para recordar a libertação do seu povo e a vocação que cada ser humano recebeu de Deus para libertar-se de tudo que o torna menos humano e feliz. Para reviver a pressa com a qual o povo hebreu fugiu do Egito, as famílias judaicas retiram de suas casas todo fermento e comem pães ázimos. Os antigos rabinos ensinavam que o fermento simboliza a vaidade e a mentira que incham a pessoa como o fermento faz mentirosamente com o pão. Paulo escreve à Igreja de Corinto: Celebremos a festa, jogando fora o velho fermento da malícia e da perversidade. Comamos o pão ázimo da pureza e da verdade, pois Cristo, nosso cordeiro pascal, foi imolado (1 Cor 5, 5- 7). 
Celebrar a Páscoa não vai mudar mecanicamente a situação social, política, ou econômica do mundo. Não eliminará doenças físicas ou dores do coração. Nem conseguirá acabar com as guerras assassinas dos que se sentem imperadores do mundo . Mas ajudará as comunidades que crêem a se firmarem na opção pela liberdade e a saberem que, como dizia João Crisóstomo, pastor do século IV: mesmo n,0o meio das lutas e das dores, o Deus da aliança que libertou o povo hebreu do Egito e mais tarde ressuscitou Jesus da sepultura pode, hoje, fazer da nossa vida uma festa de comunhão e amor .  A Páscoa é profecia, grito de liberdade e vitória para dar força a quem continua no trabalho pela transformação deste mundo.
As comunidades judias oram: Celebremos esta festa porque, quando Deus libertou nossos pais da escravidão, fez isso por nós . Os cristãos expressam a esperança de que nossas utopias podem se tornar realidade com um cântico: o Aleluia. Literalmente significa louvai a Deus , mas na realidade significa a alegria da vitória cantada já no meio da luta. Santo Agostinho diz: O Aleluia é o cântico novo de quem ama. O cântico é novo porque o amor é sempre novo. É o amor que dá esperança a todas as lutas da vida. Quem ama sabe que pelo amor podem sempre vencer. Por isso sempre podemos cantar Aleluia!.

 

 

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