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Todo mundo precisa de esperança para viver. A utopia é aquilo que ainda
não existe mas anima nossa esperança. Serve de motor para caminharmos
rumo à humanização da vida e do mundo. A pior tragédia que pode
ocorrer para a juventude mais consciente é o assassinato das utopias.
Quando a sociedade dominante nega e decide tornar inviável o que os
jovens esperam, abrem-se as portas para todo tipo de violência e
absurdo. Não tendo mais em quê acreditar, um adolescente pode matar o
outro por um par de tênis.
O exército americano enviou jovens negros e índios ao Iraque dizendo que
eles iam à guerra para libertar esse país de uma ditadura e ajudar um
povo oprimido. Lá descobrem que as intenções do seu governo eram
outras. Para derrubar um ditador não precisaria demolir o país inteiro,
matar tanta gente e destruir todos os edifícios da capital, com exceção
- e não parece coincidência - do prédio do Ministério do Petróleo.
Quando os rapazes descobrem que arriscaram a vida e mataram pessoas para
atender a interesses privados, quando percebem que seus próprios
coordenadores militar os enganaram, em quê ainda acreditar? É urgente
que grupos e organizações de Paz lhes ofereçam novos motivos para crer
e esperar. Muitos rapazes e moças dos mais diversos continentes se
questionam aonde buscar esperança e força para resistir, alívio para as
angústias e para o medo do futuro. No caminho atual do mundo, haverá
alguma estação da libertação e da vida? Este é, exatamente, o nome de
uma grande festa que duas religiões celebram nestes dias: a Páscoa.
No judaísmo, o título da festa da Páscoa é Pezah zeman herutenu
: a estação da nossa libertação . O cristianismo fala de memorial
da morte e ressurreição de Jesus Cristo . Entre judeus e cristãos, a
forma e o conteúdo das celebrações da Páscoa variam, mas a raiz
fundamental é a mesma. Os cristãos herdaram a Páscoa do judaísmo. As
comunidades judaicas a receberam de antigas religiões nativas que
festejavam a primavera e agradeciam a Deus as primeiras crias do rebanho,
ou as espigas novas da plantação. Com o decorrer do tempo, tornou-se a
comemoração da noite em que o Senhor libertou da opressão do Faraó os
antigos judeus escravos no Egito. Até hoje, as comunidades cristãs
continuam fazendo memória deste fato e acrescentam a essa memória a Páscoa
da morte e ressurreição de Jesus Cristo.
Cada ano, as comunidades judaicas continuam fazendo a ceia pascal para
recordar a libertação do seu povo e a vocação que cada ser humano
recebeu de Deus para libertar-se de tudo que o torna menos humano e feliz.
Para reviver a pressa com a qual o povo hebreu fugiu do Egito, as famílias
judaicas retiram de suas casas todo fermento e comem pães ázimos. Os
antigos rabinos ensinavam que o fermento simboliza a vaidade e a mentira
que incham a pessoa como o fermento faz mentirosamente com o pão. Paulo
escreve à Igreja de Corinto: Celebremos a festa, jogando fora o velho
fermento da malícia e da perversidade. Comamos o pão ázimo da pureza e
da verdade, pois Cristo, nosso cordeiro pascal, foi imolado (1 Cor 5, 5-
7).
Celebrar a Páscoa não vai mudar mecanicamente a situação social, política,
ou econômica do mundo. Não eliminará doenças físicas ou dores do coração.
Nem conseguirá acabar com as guerras assassinas dos que se sentem
imperadores do mundo . Mas ajudará as comunidades que crêem a se
firmarem na opção pela liberdade e a saberem que, como dizia João Crisóstomo,
pastor do século IV: mesmo n,0o meio das lutas e das dores, o Deus da aliança
que libertou o povo hebreu do Egito e mais tarde ressuscitou Jesus da
sepultura pode, hoje, fazer da nossa vida uma festa de comunhão e amor .
A Páscoa é profecia, grito de liberdade e vitória para dar força a
quem continua no trabalho pela transformação deste mundo.
As comunidades judias oram: Celebremos esta festa porque, quando Deus
libertou nossos pais da escravidão, fez isso por nós . Os cristãos
expressam a esperança de que nossas utopias podem se tornar realidade com
um cântico: o Aleluia. Literalmente significa louvai a Deus , mas
na realidade significa a alegria da vitória cantada já no meio da luta.
Santo Agostinho diz: O Aleluia é o cântico novo de quem ama. O cântico
é novo porque o amor é sempre novo. É o amor que dá esperança a todas
as lutas da vida. Quem ama sabe que pelo amor podem sempre vencer. Por
isso sempre podemos cantar Aleluia!.
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