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A Consciência como Fundamento da Ética

Urbano Zilles

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O que determina a estatura moral de uma pessoa é a fidelidade à própria consciência. A afirmação mais altaneira que o ser humano pode fazer é: "Agi de acordo com a minha consciência". A consciência corresponde, no homem, ao que é o instinto para os animais. Sem consciência, a espécie humana já teria perecido. Pela consciência somos livres e, por isso, responsáveis pelos nossos atos.

O fenômeno da consciência é muito complexo e, de certa maneira, desconcertante. Em nome da consciência já se fez de tudo: muitos morreram, outros mataram. E isso porque não nascemos com a consciência pronta. Esta forma-se no encontro com outras consciências. Por isso, sobre ela pesam influências do meio ambiente e, não raro, se mistura ou até se confunde com hábitos, sentimentos e até fanatismos.

A consciência é um fenômeno constitutivo do ser humano. Desenvolve-se porque sempre existiu no homem. Pertence às estruturas fundamentais do ser humano. Quando nasce o homem, nasce o primeiro lampejo da consciência.

Através da consciência o todo vital da pessoa percebe e discerne os valores e sente o imperativo de realizá-los, sensibilizando-se pelo bem. É o núcleo interior do homem, onde este está a sós consigo mesmo, sentindo-se responsável pela própria existência. A consciência é sua instância orientadora. Seguindo-a, cada homem vive e realiza a vida a ele confiada. Nisso ninguém pode substituí-lo. Cabe a cada qual viver a própria vida e dar-lhe um sentido. A consciência é o centro de autonomia do homem, tornando-o responsável último por tudo que faz e é.

A consciência não é absoluta. Não cria o bem e o mal. Pode descobrir o bem. É como uma lei que o homem não deu a si mesmo, mas cabe obedecê-la. E esta lei ordena a amar e praticar o bem e evitar o mal.

A consciência orienta-nos a favor do bem na hora de decisão. Não se vende nem se compra. Louva e aprova gratuitamente nossas decisões boas da mesma maneira como nos repreende e incrimina quando agimos mal. Põe-nos diante de nós mesmos, responsabilizando-nos por nossas decisões.

O valor de uma pessoa é proporcional à fidelidade com que segue sua consciência. É dever de cada um formá-la, para que seja reta, bem intencionada e sincera. Ela não perde sua dignidade quando erra por ignorância invencível, desde que sempre nos preocupemos o suficientemente com a investigação da verdade e do bem.

 

 

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