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CORRUPÇÃO NA POLÍTICA

Urbano Zilles

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A palavra “política” tem sua origem na antiga Grécia, na cidade-estado chamada “polis”. A organização, o governo e o que diz respeito à cidade e seus habitantes, é a política. O filósofo Platão escreveu um tratado de política sob o título de República. Aristóteles escreveu um tratado de oito livros, baseando-se no estudo de 158 Estados (cidades) gregos e bárbaros. Distingue três formas de governo fundadas na razão: a monarquia, a aristocracia e a democracia. Segundo ele, qualquer uma dessas formas, de acordo com as circunstâncias, pode ser boa, mas qualquer uma delas pode degenerar, originando, respectivamente, a tirania, a oligarquia e a demagogia. Para os gregos, a política é inseparável da ética. Quando se tenta a política separada da ética, abrem-se as portas para todo o tipo de corrupção, pois a falta de ética na condução da “coisa pública” destrói os fundamentos de todo e qualquer sistema.

Por “corrupção” entendemos a deterioração, a decomposição física, orgânica de algo, por exemplo, a putrefação de alimentos. Neste caso trata-se de um processo natural. Quando falamos em corrupção na política referimo-nos a um processo de depravação de hábitos, costumes etc. entre segmentos da população. Tal corrupção pode ser delimitada e punida com relativa facilidade. Mas, quando a prática de subornar pessoas em causa própria ou de um grupo em prejuízo do povo, quando políticos oferecem dinheiro ou outras vantagens para aprovar projetos interesseiros no parlamento, fica muito difícil e complicado controlar a corrupção. Quando esta contamina o poder executivo, o legislativo e o judiciário nas mais altas instâncias do país, a democracia está seriamente ameaçada. Quem acompanha o quadro político de nosso país durante a última década, cansa de ler manchetes sobre desvios de verbas, tráfico de influências de pessoas públicas que usam sua função, informações privilegiadas para obtenção de vantagens no interesse próprio ou de amigos. Não faltam as manchetes sobre desvio da merenda escolar, de projetos destinados à educação, sem falar da saúde, do caos que são muitas estradas, da insegurança dos cidadãos. Será apenas invenção malévola da imprensa? Diz o ditado que “onde há fumaça, há fogo”. Quem caminhar pelas ruas de uma cidade de porte médio ou grande, tem a nítida impressão de que os bandidos andam soltos e os cidadãos honestos escondem-se atrás de grades, de cercas elétricas etc. É essa a democracia com a qual sonhamos? A corrupção na política não é privilégio do Brasil. É tão antiga como a própria humanidade. O problema é que no Brasil parece deixar de ser a exceção. Será difícil combatê-la quando atinge aqueles que deveriam zelar pelo bem comum, garantir a segurança dos cidadãos. A corrupção une corruptos e corruptores. Para onde vai o dinheiro dos trabalhadores?

Quando os homens públicos perdem a credibilidade por falta de conduta moral, o que se pode esperar do povo? A política sem ética engana o povo com falsas promessas. Chegou a hora de organizar uma campanha pela ética na política, começando pela educação na família e na escola. O Brasil precisa livrar-se do falso estatismo, que só interessa a alguns poucos, e recuperar o respeito pela “coisa pública” por parte dos governantes de todos os poderes.

 

 

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