ANALISANDO A CRISE

Décio Pizzato

 

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Desde o início do mês de maio se desencadeou uma onda de turbulência sobre o país. Começou com as analises de bancos de Investimentos atuantes em Wall Street recomendando aos investidores se desfazerem de títulos da dívida do Brasil. O que aconteceu, além do rebaixamento do valor dos títulos brasileiros foi a comprovação pela Procuradoria Geral do Estado de Nova York, que havia uma relação promíscua entre as áreas de análise e as de investimentos. A primeira constatação foi com a instituição Merril Lynch, que sofreu a multa de US$ 100 milhões, e outras ainda estão lá por vir. Esta crise artificial se alastrou e chegou aqui no País, e resultou na atitude de precipitação pelo Banco Central que antecipou a apropriação de setembro para junho, dos rendimentos das Letras Financeiras do Tesouro LFT nos Fundos de Renda Fixa pelo valor de mercado e não apenas pela valorização diária até o vencimento da mesma. A atitude do Bacen foi correta, mas incorreta foi a falta de divulgação esclarecedora oficial. Os nervos a flor da pele dos investidores, pela crise Argentina, e possíveis alastramento da mesma no Uruguai e Paraguai, agravados pelas notícias externas, fez com que a recomendação extemporânea do propósito do Bacen atingisse níveis de catástrofes.

O Concílio de Trento por proposta do Papa Gregório XIII aprovou em 1582 o nosso atual calendário e foram suprimidos 10 dias para que houvesse a adequação aos anos bissextos. Assim alguns Fundos fizeram uma adequação gregoriana suprimindo ganhos de 10 dias, e de até 40 dias em outros fundos. Neste caso, seguiu-se o Patriarca Noé, o da Arca, e foram 40 dias sem ver nada.

Estão sendo seguido por atordoados investidores diretrizes nem sempre recomendáveis pelo bom senso. O investimento em dólar, significa perder na compra, e se necessitar de liquidez perde-se na venda. A Caderneta de Poupança, apesar de baixa a sua rentabilidade, apresenta algumas vantagens fiscais e tributárias, e a permanência no próprio fundo diminui a perda, a medida que se aproximam as datas de vencimentos das LFT’s.

O que acontecerá daqui para frente, neste ou no próximo governo ?

A Caderneta de Poupança terá necessariamente seus ganhos elevados, talvez com mudança em seus benefícios fiscais e tributários. Pois há um déficit habitacional, e a construção civil é, isto sabido, a saída mais rápida para acelerar a economia.

Já os Fundos de Renda Fixa, voltarão para o modelo de época bem recente aliás, onde tinham vencimento de 30, 60 ou 90 dias, acabando com a liquidez diária, que os transformaram no velho "overnight". Haverá assim alívio na pressão redutora nos preços de mercados das LFT’s. Era assim antes, e não havia cataclismo no mercado, os investidores ajustavam as datas de aniversário de suas aplicações as suas necessidades de liquidez. Enfim nada de absurdo, e amplamente conhecido. Quanto a rentabilidade, haverá uma gradual redução nas taxas de juros, que deixará de ser a única âncora que segura a inflação, e uma aproximação das rentabilidade nas várias opções de investimentos em renda fixa, não deve ser descartada.

Assim, apesar de todos os percalços deve-se dizer que há um equilíbrio fiscal e a balança comercial externa apresenta superávites, isto dentro de um mundo que tem aumentado o seu protecionismo.

 

PESQUISAS ELEITORAIS

 

Tem sido amplamente divulgadas várias pesquisas que apresentam as mais diversas colocações entre os principais candidatos. Mas, o que não está sendo dito é que todas não ultrapassam o universo de 30% do eleitorado. Assim, desde quem lidera com os mais altos percentuais nas atuais pesquisas até aquele que apresenta apenas traços, pode teoricamente ganhar no primeiro turno, basta ter o apoio dos demais 70% do eleitorado. A corrida começa apenas na 2ª quinzena de agosto, até lá é apenas se angustiar atoa.

 

Décio Pizzato

Economista 

Escrito em 7/06/2002

 

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