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CRISES, FORUNS E OUTRAS NOTÍCIAS

Décio Pizzato

 

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Foi dito em Paris no último dia 22 de janeiro pelo Sr. Horst Köhler, Diretor- Gerente do Fundo Monetário Internacional - FMI, que a crise argentina é um fracasso desse Fundo e de toda a comunidade financeira internacional e da política de subsídios agrícolas da União Européia.

Confirmando este pensamento o Fórum Econômico Mundial, que terá sua edição deste ano em Nova York, e não em Davos na Suíça como tradicionalmente acontecia, quer avaliar com cuidado a crise na Argentina, para saber o que ocorreu de errado e como pode-se evitar que não ocorra em outros países. E não é só isso, em sua pauta haverá debates sobre a reforma do Fundo Monetário Internacional.

Assim não há nenhuma surpresa nestas informações, pois esse assunto já havia sido objeto de palestra feita em 3/11/98 para alunos do Centro Universitário FEEVALE, em Novo Hamburgo (RS), e que tinha como título " A crise global e o limiar de um novo mundo", onde fazia analise da crise da Ásia de 97. Na parte final da palestra dizia o seguinte " que dever-se-ia limitar as flutuações entre a expansão e a recessão, flutuações estas que destroem as esperanças e reduzem a riqueza global". E, continuava falando " sobre o estabelecimento para o combate das crises financeiras, de uma série de melhorias na regulamentação, maior transparência, códigos de conduta mais rígidos, e por fim nova rede de segurança no Fundo Monetário Internacional". Entretanto, admitia que "uma agenda de reforma do sistema financeiro internacional é extensa e complexa. Não existem soluções prontas e fáceis de serem implantadas. Deve-se pois fazer propostas concretas e não profissões de fé ideológicas". Como pode ser visto algo já está começando a mudar.

Nas mesmas datas do Fórum Econômico, ocorrerá em Porto Alegre a Segunda edição do Fórum Social Mundial, e não sei se teremos a presença do agitador francês José Bové, um dos maiores defensores da política de subsídios agrícolas de seu país, política essa que barra com seu protecionismo a entrada de produtos agrícolas de outros países. Pois, não deve-se esquecer que o superávit da Balança Comercial do Brasil de 2001 foi realizado graças as exportações do setor primário.

Por outro lado, o país tem sido visto por analistas internacionais como um oásis na economia mundial, já que os países desenvolvidos estão com suas economias estagnadas. Essa forma de ver é devida ao saneamento dos sistema bancário brasileiro, a federalização das dívidas estaduais e municipais, e por possui um câmbio flutuante. O que faz com que atraia investimentos, que no mínimo deverão ser iguais aos de 2001, isto sem falar nos investimentos nacionais, mostrando assim que os investidores não se assustam com o fato de estamos em um ano eleitoral.

Todavia, apesar das boas notícias, não devemos nos esquecer que temos uma dívida de resgate daqueles que estão abaixo da linha de pobreza.

Décio Pizzato

Economista

Escrito em 23/01/2002