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Conhecimento e origem da escrita

Urbano Zilles

 
 

                    

 

Nos primórdios da história humana era difícil a transmissão e conservação dos conhecimentos adquiridos. A transmissão oral facilmente introduzia erros e a memória falhava. Entretanto na Mesopotâmia surgiu um novo caminho quando se começou a desenvolver um sistema de escrita.

Parece que o primeiro uso da escrita data entre 4000 a 3000 a. C., quando os sumérios, cuja avançada civilização tinha um comércio bastante desenvolvido o qual exigia registros precisos e extensos. Inicialmente trabalharam com cunhas para imprimir marcas em placas de barro mole que, depois endureciam ao sol ou no fogo. Esta escrita chama-se cuneiforme, nome derivado do instrumento empregado. Graças à resistência do material muitas informações daquela época conservaram-se através de séculos e milênios. O mesmo já não aconteceu com os egípcios que registraram seu conhecimento em material menos resistente, como o papiro vegetal, que no decurso do tempo tende a estragar. A escrita cuneiforme substituiu a pictórica.

Quando, cerca de 2.400 a. C., os sumérios foram submetidos pelos semitas acádios, estes passaram a utilizar o mesmo sistema de escrita cuneiforme com certas modificações para sua língua, o acádio. Esse sistema, com novas adaptações, foi transmitido a outros povos. Nesse processo parece que um dos aspectos mais importantes foi a crescente simplificação, reduzindo o número de sinais de cerca de 900 para cerca de 30. Originam-se, assim, os alfabetos. Surgiram dois grandes tipos de alfabetos, cada qual com forma e valores arbitrários e convencionais dos caracteres: os silábicos e os fonemáticos. O primeiro foi o dos fenícios, no século XIII a. C., baseado em escritas anteriores. A constituição do alfabeto é o resultado de longa história da escrita.

Por escrita pictográfica entende-se a representação de objetos e acontecimentos com maior ou menor interesse ornamental e valor estético. Esta serve de base da evolução histórica para a escrita na qual os sinais representam elementos lingüísticos. O desenvolvimento obedece a ordem de sucessão: pictografia, ideografia e fonografia. Desta maneira o estabelecimento de um alfabeto representa o auge na organização da grafia. Num alfabeto, em princípio, há um sinal (letra) para cada consoante e cada vogal, como num silabário há um sinal para cada tipo de sílaba.

O alfabeto dos fenícios teve modelos mais antigos como o ugarítico, que supõe um sistema de escrita no qual só eram representadas as consoantes da língua semítica. Quando os gregos adaptaram o alfabeto fenício, representaram as vogais por sinais do alfabeto fenício, cujos valores não tinham uso no grego. Do alfabeto grego originaram-se o alfabeto itálico, pai do alfabeto latino, o alfabeto cirílico (Cirilo e Metódio, no século IX), copta e armênio. O alfabeto gótico é uma forma do latino.

A escrita alfabética desenvolvida pelos gregos no primeiro milênio a. C., espalhou-se rapidamente pela Europa e outras partes do mundo. Entre as escritas mais espalhadas hoje figuram o alfabeto latino, o alfabeto cirílico, a escrita árabe e a ideografia chinesa.

A descoberta do alfabeto foi fundamental para a escrita que, por sua vez, facilitou ao homem a transmissão e a conservação de conhecimentos adquiridos.

 

 

 

 

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