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A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO |
Urbano Zilles |
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Na minha experiência de professor de Teologia, encontrei seminaristas que justificam sua pouca dedicação ao estudo, dizendo que não querem ser teólogos, mas apenas padres. Tal postura é incompreensível, pois há muito passou o tempo em que o padre era reconhecido como líder, por ser padre. Quando alguém consulta o médico, supõe que este tenha estudado medicina. Da mesma forma, o leigo, ao se dirigir ao padre, para orientação, ou escutá-lo nas homilias e celebrações, tem o direito de esperar que não diga bobagens e "achologia" pessoal, em questões referentes à doutrina e à vida cristã. Como vai anunciar a Palavra de Deus quem antes não a escutou? O estudo da Teologia é necessário, embora não suficiente, para o ministério sacerdotal hoje. A Igreja precisa de teólogos profissionais, mas nem todos os padres precisam sê-lo. Lembro-me de um seminarista o qual afirmava que o povo do interior não precisava de padres "estudados". Quando ordenado, o bispo o colocou numa paróquia do meio rural, mas, depois de alguns meses, teve que transferi-lo, porque não satisfazia as exigências de "seu" povo. Bastaria ao cristão rezar? A oração é fundamental na vida do cristão, mas não suficiente, pois o próprio Cristo ensina: "Para entrar no Reino do Céu, não basta dizer: Senhor, Senhor!" Para justificar a pouca dedicação ao estudo, por vezes, alguns afirmam que os apóstolos escolhidos por Jesus eram ignorantes. Ora, é sabido que S. Paulo era doutor da lei e S. Pedro escreveu suas cartas em língua estrangeira (grego). O próprio S. Pedro ensina que o cristão deve "saber dar as razões de sua esperança ou fé" (1Pd 3,15). Os documentos do Magistério da Igreja são claros e incisivos quanto à seriedade dos estudos filosóficos e teológicos dos candidatos ao sacerdócio. O L’Osservatore Romano de 24/06/06, transcreveu um artigo notável de Antonino Franco, professor de Teologia fundamental, sobre "A importância do estudo e das suas virtudes na vida espiritual" (p. 8). Inicia: "O empenho nos estudos e na pesquisa é fundamental para o crescimento humano da pessoa e para a vida cristã. É um exercício que aumenta os nossos conhecimentos e, ao mesmo tempo, faz amadurecer em nós a vida interior, a profundidade do espírito e a capacidade para uma leitura da realidade que pode ir além das próprias coisas". O articulista diz que "não se pode falar de estudo, e portanto de ascese intelectual, quando é compreendido como uma tediosa e triste obrigação, que visa a obtenção de um título, para alcançar a fama ou progredir na carreira". A primeira condição para o estudo é a humildade: "O homem humilde está consciente da fundamental limitação dos seus conhecimentos. Por este motivo, não se fecha em si mesmo, não absolutiza o próprio ponto de vista, ao contrário, abre-se ao confronto na escuta e no diálogo". O estudo é exercício de disciplina da inteligência. Por isso exige paciência, um investimento de energia e tempo, disponibilidade para qualquer renúncia, concentração, uma vida ordenada. Deus deu a inteligência ao homem, para cultivá-la, através do estudo e da pesquisa, e colocá-la a serviço da comunidade. Chegou o momento de não nos preocuparmos apenas com a construção de templos de pedra, mas de templos vivos. |
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