|
|
Etnias & Carisma Poliantéia em homenagem a |
Antônio Suliani |
ETNIAS & CARISMA
¨
|
é uma poliantéia representativa de significativos investigadores de teologia, filosofia, antropologia, educação, psicologia, sociologia, história e especialmente do processo imigratório. As reflexões sobre ciência, investigação e pesquisa abordam a responsabilidade social da universidade, os padrões explicativos darwinianos, a reinvenção de identidades, propostas para uma ciência ir além do tradicional. Outros textos examinam a atualidade de Mounier; caráter e angústia; memória, enraizamento-desenraizamento; relações interpessoais; entrelaçamento entre discurso e prática; a aporia da filosofia analítica; humanismo na cultura brasileira; o Uno/Deus; franciscanismo; teologia prática experimental; diálogo teológico e outros temas de teologia, filosofia, biblismo. Os movimentos migratórios (italianos, alemães, açorianos) ocupam a maior parte do livro – saúde, usos e costumes, alimentação, trabalho, pioneirismo, simbologia, religiosidade, cantos, literatura, língua, periódicos, sociabilidade, política, agricultura, comércio, indústria, economia –, na Europa, na América Latina, no Brasil e sobretudo no Rio Grande do Sul, estendendo-se para Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Espírito Santo. Os depoimentos dão sentido à história vivida e construída pelos autores da cultura. Etnias & Carisma é um livro para ser lido sob variados prismas, como foi escrito, o que lhe confere riqueza temática e universalidade.
Antônio Suliani |
Reinventor de identidades
Etnias & Carisma:
uma "bíblia" de fé e cultura para homenagear Rovílio Costa
¨
|
Etnias & Carisma é uma poliantéia de importantes pesquisadores de teologia, filosofia, antropologia, educação, psicologia, sociologia, história, com acento especial na história de etnias constitutivas da população sul-rio-grandense e brasileira. O livro é uma poliantéia porque homenageia o jardineiro Frei Rovílio Costa na data de seus 66 anos de vida dedicados ao cultivo de flores humanas. Poliantéia é uma palavra portuguesa de origem grega, que significa ramalhete de flores. Em nosso caso, é um ramalhete de textos sobre diferentes assuntos, escritos por pessoas diferentes, tendo em comum a amizade com o homenageado e o fato de terem sido por ele publicados. E como Frei Rovílio no início de seu magistério, em Ipê (1962-1967), foi professor de língua grega, a obra em sua homenagem remete às origens. Para compor este ramalhete, amigos de Frei Rovílio foram convidados a escrever um texto à escolha, e resultou uma bíblia de 1.168 páginas, denominado Etnias & Carisma: poliantéia em homenagem a Rovílio Costa. São cem autores, abordando temas diversos tendo como centro a história, a educação, etnias e fé, as quatro áreas em que Rovílio desenvolveu suas atividades em 40 anos de sacerdócio e magistério, e 30 de editor. O livro é de proporções bíblicas. De fato, foi escrito por pessoas preocupadas com os mesmos objetivos da Sagrada Escritura, ou seja, a qualidade total da vida humana. Os textos, num crescendo quase bíblico, podem ser divididos nestes núcleos:
1. Biblismo, teologia, religião e franciscanismo, com textos, entre outros, de Dadeus Grings (Diálogo teológico), Urbano Zilles (Jesus Cristo: o salvador), Adelino G. Pilonetto (A sensibilidade ecológica de S. Francisco), Bruno Glaab (Preservar o passado em vista do futuro), Silvestre Gialdi (Teologia prática experiencial), Antônio Mesquita Galvão (Deus Pai), Isidoro Mazzarolo (A Bíblia e a ciência), Luiz Carlos Susin (O espírito Santo e a história humana).
2. Ciência, investigação, pesquisa e filosofia, educação e psicologia, com textos de Alceu R. Ferraro (Universidade, pesquisa e responsabilidade social), Alino Lorenzon (Memória e enraizamento-desenraizamento), Ana Carolina K. P. Regner (Padrões explicativos)), Galdino de Conto (Caráter e angústia), Juan J. M. Mosquera (Atualidade e relevância de Mounier), Valentim Â. Lazzarotto (Produção científica além do tradicional), Ernildo Stein (A aporia da filosofia analítica), Jayme Paviani (Humanismo latino na cultura brasileira) e Reinholdo Ullmann (O Uno de Plotino).
3. Depoimentos sobre Frei Rovílio Costa, com textos de: Loraine Slomp Giron: Da terra nasce o homem. – Marcello Pacini: Padre Rovílio Costa e i programmi della Fondazione Giovanni Agnelli in Brasile. – Maria Estela Dal Pai Franco: O reinventor de identidades: caminhadas de entrelaçamento entre discursos e práticas. – Osébio Borghetti: Pesquisa deu novo rumo à imigração italiana. – Aldo Colombo: Naquele tempo, um frade, uma Ordem e uma Igreja. – Altino Berthier Brasil: A sessão que não houve. – Antonio D. Lorenzatto: Frei Rovílio e eu. – Antonio Martellini: Il frate cappuccino. – Balduino A. Andreola: Frate Rovílio: un esémpio de sìntese tra sciensa, fede, amore fraterno e buon umore. – Carlos de Souza Moraes: Rovílio Costa e a colonização italiana. – Claudino Pilotto: Vem e segue-me. – Darcy Loss Luzzatto: Rovílio Costa, un amico. – Élyio Caetano Grison: Ricordi. – Fernando Becker: Frei Rovílio Solidariedade. – Gilmar Ceccon: Frei Rovílio Costa: incentivo à cultura e resgate da história. – Graciano Martello: Vale a pena escrever? – Helga I. L. Piccolo: Rovílio Costa: o editor e o pesquisador. – Ivo Martinazzo: Reavivando a memória, impulsionando a cultura. – Lothar Francisco Hessel: Um frei versátil. – Luis A. De Boni: 25 anos de convivência. – Maria Estela Zonta: Sobre Rovílio Costa. – Mário Gardelin: Constitucionalmente beneméritos. – Moacyr Flores: Alegria de viver do Frei Rovílio. – Miguel Duarte e Suzana S. Brochado: Homem e homens. – Nilton Bueno Fischer: Rovílio, memórias afetivas. – Silvino Santin: Um frade capuchinho. – Telmo Lauro Müller: Rovílio, arquiteto da cultura através do livro.
4. História e etnias. – Renzo Grosselli: Colonizzazione e colonie in Brasile, il caso di Santa Catarina. – Véra Lucia Maciel Barroso: Qual presente? Os italianos de Santo Antônio da Patrulha. – Arthur Rabuske: Empenho pela saúde colonial no RS da segunda metade do século XIX. – Hugo Ramírez: 500 anos do descobrimento do Brasil: Açores e RS: liames históricos. – Loraine S. Giron: O corpo estranho: imigrantes italianos e escravos. – Mario Osorio Marques: Um sopro nas brasas adormecidas. – Ruy Ruben Ruschel: As origens de Torres. – Hilda Agnes Hübner Flores: Memórias. – Martin N. Dreher: O desenvolvimento econômico do Vale do Rio dos Sinos. – René E. Gertz: A eleição de 1907 nas regiões de colonização alemã do RS. – Aldo Francisco Migot: Manifestações de sociabilidade entre imigrantes italianos e descendentes no RS. – Antônia Colbari e Aurélia H. Castiglioni: A presença italiana no Espírito Santo: o perfil dos imigrantes no passado e no presente. – Antônio D. Lorenzatto: A religiosidade dos Vênetos. – Antonio Folquito Verona: A indústria têxtil de Schio e a emigração operária. – Antonio Hohlfeldt: La letteratura dell’emigrazione di lingua italiana in Brasile. – Arlindo I. Battistel: Tropeiros de porcos. – Arthur Rabuske: Il Corriere Cattolico, na Porto Alegre-RS, de 1891-5. – Chiara Vangelista: Relações de gênero na primeira imigração do século XIX: lígures e piemonteses no Brasil. – Daltro Souza D’Arisbo: Porto Alegre e seus italianos na virada do século. – Dante de Laytano: Pequena história de uma próspera colônia. – Darcy Loss Luzzatto: Sentovintissinque ani. – Décio Osmar Bombassaro: A fascinante história da imigração italiana. – Elvo Clemente: A literatura de italianos e descendentes no RS. – Floriano Molon: A influência da imigração italiana na mesa do brasileiro. – Giovanni Meo Zilio: Un altro Veneto in Brasile: profilo per una storia dei veneti nel RS. – Helena Confortin: A simbologia do mundo doméstico do imigrante italiano. – Honório Tonial: A rispeto del Talian. – João Carlos Tedesco: A família e a carreta: as bases da vida nos primórdios da colônia. – Júlio Posenato: A casa Guglielmin e o custo da construção em 1925. – Juracy Cunegatto Marques: Relações interpessoais na família: o legado da colonização italiana. – Lucy Maffei Hutter: Considerações sobre a imigração italiana em São Paulo nos séculos XIX e XX. – Luiz Sponchiado: Os pioneiros da Quarta Colônia de Silveira Martins. Luiz F. Beneduzi: Nem Jerusalém nem Sodoma: a vivência da religião nas comunidades italianas da serra gaúcha.. – Mário Maestri: A travessia e a mata: memória, mito e história na imigração italiana para o RS. – Noé Tamai: Centoventicinque anni. – Redovino Rizzardo: Os Scalabrinianos no Brasil: missionários que salvaram a fé e a civilização de um povo. – Renzo Grosselli: Colonizzazione e colonie in Brasile: il caso di Santa Catarina. – Sergio Angelo Grando: Nossas origens mais remotas. – Sérgio da Costa Franco: O despertar político da Região Colonial Italiana. – Stella Borges: Imigração italiana em zona de fronteira: Dom Pedrito e Santa Vitória do Palmar. – Vania Herédia: Emigração temporária: uma solução para a crise. – Waldomiro Manfroi: Terra Natal.
5. Literatura. Antônio Baggio: João Facchin, poeta agricultor. – Antonio Hohlfeldt: La letteratura dell’emigrazione di lingua italiana in Brasile. – Charles Kiefer: A poética romântica de José de Alencar... – Darcy Loss Luzzatto: Sentovintissinque ani. – Elvo Clemente: A literatura de italianos e descendentes no RS. – Pasquale Petrone e Maria Teresa Petrone: Canti popolari italiani in Brasile. – Paulo Bernardi: A canção popular italiana em um processo migratório. – Pedro Garcez Ghirardi: Um comediógrafo veneziano na São Paulo de 1900: notas sobre o teatro de Giuseppe Salerio. – Regina Portella Schneider: Crianças de antigamente. – Regina Zilberman: Mário de Andrade, ou como um modernista editava. – Antonio Alberti: La polenta attraverso i secoli.
Além de um testemunho de amizade e apoio a Frei Rovílio, a obra engrandece a pesquisa histórica, especialmente a imigrantista, a literatura, a fé e a ciência. É uma homenagem viva a um homem em plena produção, dedicado dia e noite à história e cultura do Estado e do país, escrevendo, editando, orientando e servindo a comunidade sul-rio-grandense como sacerdote. Estruturamos a obra em ordem alfabética, porque os autores não se ativeram a um campo isolado/estanque, mas permearam áreas e ao enfoque científico juntaram afeto e amizade, o que torna Etnias & Carisma uma obra singular, que pode ser lida entrelaçando os temas, como se fora um jardim de variegadas flores. É uma poliantéia de filosofia, ciência, história e religião, amalgamadas pelo fluir espontâneo de profundas amizades. Coordenar uma obra como esta, de cem autores diversos, foi uma oportunidade ímpar de tratar com pessoas, idéias e propostas diversas, que nos enriqueceram com seu saber e amizade.
Os depoimentos sobre Rovílio Costa merecem leitura especial, pois são permeados de emoção e razão, de ciência e sabedoria. Aos leitores antecipamos algumas amostras.
"Normalmente é mais seguro fazer o que sempre se fez. Normalmente é menos desafiante seguir um caminho já traçado. Mas a biografia de Frei Rovílio não passa por ali. Ele assumiu uma biografia diferente, não convencional. Sem deixar as certezas do projeto capuchinho e sacerdotal, inseriu-se profundamente na sociedade e na cultura. Procurou e encontrou caminhos novos. Para ser fiel ao passado, ele entendeu que precisava mudar. E adotou a fidelidade criativa. Lembra o mercador evangélico que buscou ‘coisas novas e velhas’. Hoje ele pode repartir com seus confrades, com os homens de seu tempo e com a sociedade um trabalho ao mesmo tempo humilde e extraordinário. Fez a travessia de tempos difíceis e apresenta a profecia de uma vida bem vivida." (Aldo Colombo). "Virgílio que não desabrochou, ou que morreu duas vezes, representa o homem sem chances do interior, condenado à marginalidade cultural, ao confinamento, aos versos jogados fora, mesmo porque a caridade cultural de um Rovílio Costa ainda não havia surgido." (A. Baggio). "Sì, sia lodato Gesú Cristo pechè nonostante le cativerie, le incomprensioni, l’ignoranza, la clonazioni ed altre diavolerie, continua ad elargirci, anche se molti di noi non lo meritano, uomini come questi frati cappucini, come quest’uomo che è Frei Rovílio." (A. Martellini). "L’è un omo sempre pronto a giutar i altri, sìano amissi o nò, cognossenti o ignoti, cristiani o ebrei o maometani, Bianchi o mori, tuti, insoma." (D. Luzzatto). "O humanismo, em seu sentido mais radical, aflora e marca a personalidade do Frei: são seres humanos, merecem atenção dependendo apenas de suas necessidades.." (F. Becker). "O entusiasmo e o conhecimento de causa subjacentes à sua fala e ao que por ele é escrito cativa ouvintes e leitores. Não usar subterfúgios e sem querer mostrar erudição usando uma linguagem rebuscada, são características de seu estilo claro e objetivo. Para aprender com Rovílio não é preciso fazer esforço; é necessário, apenas, ouvir ou ler com atenção o que transmite." (Helga Piccolo). "... coletando fontes e documentos, e publicando obras sobre a imigração italiana, Rovílio Costa contribui tanto para a historiografia gaúcha como para a história de sua congregação. Realiza com sua obra a síntese de suas duas origens: a família de colonos e dos capuchinhos, enfim, entre a imigração e a religião." (Loraine Giron). "... não lhe interessa a grandeza econômica da Itália atual e sim a grandeza humana de dezenas de milhares de filhos e netos de imigrantess..." (Luis A. De Boni). "Rovílio Costa ha rappresentato quindi um riferimento costante per tutte le attività concernenti le relazioni com le populazioni di origine italiana promosse dalla Fondazione Giovanni Agnelli in Brasile. Per la sua intelligenza di studioso e di ricercatore, per le sue doti di organizzatore culturale e, non da ultimo, per le sue grandi qualità spirituali e umane, la Fondazione Giovanni Agnelli ha trovato in Rovilio Costa um compagno di strada indispensabile e indimenticabile." (Marcello Paccini). "Só quem tem conhecimento, sabedoria e poesia pode angariar reconhecimento, respeito e legitimação para ser um reinventor de identidades." (M. Estela Dal Pai Franco). "De Rovílio Costa e de sua contribuição, através da atividade editorial, muito sabem os entendidos." (Mário Gardelin). "Quem vê Rovílio Costa na sua humildade franciscana, não nota que ele é um erudito, humanista e sábio homem. Devagar, sem pressa e sem prépotência, passa seus conhecimentos, ensina num bate-papo informal, sem vaidade, sem alarde." (Moacyr Flores). "Conhecer o Rovílio é um dos ganhos que tenho nesta vida!" (Nilton B. Fischer). "A história também irá reconhecer o valor do acervo editorial que Frei Rovílio Costa colocou no papel, ajudando a conhecer a verdadeira história dos que saíram, ou foram deportados, do Norte da Itália, e como começaram sua vida os que chegaram ao Rio Grande do Sul." (Osébio Borghetti). "Io non sò se esista un popolo chiamato ‘i taliani’. Ma se esiste, il suo riferimento di studio più certo, il suo baricentro culturale, ogi si chiama Rovilio Costa." (Renzo Grosselli). "O seu ‘mosteiro’ tornou-se a sinfonia capaz de reunir todas as dissonâncias sem afetar a melodia, porque sua partitura reúne harmonicamente todas as aleatoriedades que podem constituir a vida de quem assumiu, na plenitude, a condição de frade capuchinho." (Silvino Santin). "Um dia leremos que foi inaugurado um monumento a Rovílio Costa e um livro aberto sobre um pedestal será a imagem real desse amigo. Que o digam as dezenas de títulos que italianos, alemães, poloneses, judeus, portugueses e outros lhe devem." (Telmo L. Müller). "... das suas incontáveis qualidades, uma em especial encanta a todos: o respeito que ele tem às raízes, às origens, ao passado que dá o lastro à identidade que torna as pessoas mais humanas." (Véra Barroso).
Ao homenageado, escudando-nos em nossa longa amizade, advertimos de não se lançar nas cordas, mas perceber nas palavras dos amigos apoio à obra realizada, bem como aceno para novos empreendimentos, para riqueza de nossa cultura comum. Ainda há muito que fazer. "Ninguém é insubstituível" é uma rotunda falácia. Ninguém é duplo. E outro Rovílio, ... nem clonando! |
APRESENTAÇÃO
¨
|
Etnias & Carisma é resultado de convite a uma centena de autores, motivado por várias comemorações: 66 anos de vida e 40 de sacerdócio de Frei Rovílio Costa, 125 anos da imigração italiana e 175 da imigração alemã no Rio Grande do Sul, 500 anos do descobrimento do Brasil. O homenageado é "um ícone da cultura" sul-rio-grandense. Sua atuação, no entanto, vai além das fronteiras gaúchas e brasileiras: vários autores de outros estados e da Europa participam. Seu curriculum vitae é apenas o esboço dessa personalidade; alguns depoimentos aqui publicados são eloqüentes e indicam pistas de sua atividade e maneira de ser que vão muito além. Tratando-se de estudos imigratórios, é referência obrigatória nacional e internacional. Sua atividade envolve dezenas de cartas, visitas e telefonemas diários de pessoas interessadas em informações sobre cidadania, história, dissertações, teses, preparação de livros, orientação pessoal, religiosa, familiar... Todos são atendidos como se fossem únicos, gratuitamente, com competência, objetividade... e bom humor. A diversidade dos temas é resultado da multifacetada atividade do homenageado. O convite indicava "tema de sua preferência" e foi dirigido a "autores publicados" por ele (hoje consagrados, muitos então estreantes à procura de editor). Não houve necessidade de reiteração; a participação foi maciça. O resultado está aqui: uma enriquecedora variedade. Os textos estão publicados por ordem alfabética do prenome dos autores. No final, estão organizados tematicamente, sem pretensão de exaurir as "classificações" ou estabelecer áreas estanques do conhecimento. A interpenetração temática resultou em vários textos serem citados em mais de uma área. Há muitos anos Rovílio Costa ultrapassou os mil livros editados. Hoje já não tem a conta ("devem" ser mais de dois mil). Muitos esgotados e reeditados por Edições est ou por outras editoras. Aliás, costuma publicar os que dificilmente encontrariam espaço em outras editoras. Para ele, é importante editar, fazer o livro chegar aos leitores, independentemente de posição ideológica. Sempre há o que aproveitar, tudo se presta à reflexão, mesmo que discordante: é oportunidade de crescimento intelectual para quem escreve e para quem lê. Com esse espírito, já criou perto de duas dezenas de estantes/bibliotecas em pequenas localidades do interior, com mais de mil títulos cada uma (o projeto continua). Como pesquisador e autor, é aberto e permeável a sugestões, novas idéias, métodos alternativos, piramidando sobre os tradicionais. O lançamento dos três volumes de Assism vivem os italianos, por exemplo, em 1982, foi quase um escândalo metodológico; hoje a metodologia da história oral tem muitos seguidores, institucionais e não-intitucionais, e se consolida. Que se tenha notícia, ninguém mais que ele tem pesquisado, produzido e editado no Brasil sobre origens de famílias, história da imigração, etnias, não só italianas, mas todas as que constituem o calidoscópio étnico brasileiro. Além disso, pelo que o homenageado é, faz, incentiva a ser e fazer, pela sua individualidade, pela sua grupalidade, pela sua citadinanza excepcional, pelo trabalho cultural, pelo que ajuda, pelo que promove, incontestavelmente é um líder, é personificação do carisma, e sempre com espírito franciscano – simples, alegre, feliz por servir e promover a paz e o bem. Os textos aqui publicados refletem essa maneira de ser e essa diversificação de atividades. No trabalho de editoração e revisão, priorizou-se a forma original; com as nuanças do padrão uniformidade, preservando a diversidade de formas e estilos. Ao fazer agradecimentos nomeados sempre ficam lacunas; por isso, agradeço a todos os que colaboraram para a realização deste projeto. Como organizador deste livro, no entanto, seria imperdoável não agradecer aos autores, que forneceram a matéria-prima, e à Editora da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – EDIPUCRS –, que, por empenho de seu Presidente do Conselho Editorial, Monsenhor Dr. Urbano Zilles, e de seu Diretor, Professor Antoninho Muza Naime, viabilizou esta publicação em homenagem a um expoente da cultura e um de seus ex-professores. O leitor, com certeza, tem em mãos material altamente representativo da produção cultural, filosófica, teológica, antropológica, social, étnica e histórica. Cada texto é um convite diferenciado à leitura, à investigação, à reflexão, à vivência. Antônio Suliani Porto Alegre, novembro de 2000 |
|
EST EDIÇÕES | Fone/Fax (51) 33361166 |