*Economista 

 

A VOLTA DOS FUNDOS DE RENDA FIXA

Décio Pizzato*

 

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Os rendimentos dos fundos de renda fixa deverão se situar neste mês de setembro entre 1,35% à 1,40 %. O que levará a isto foi a troca de títulos públicos federais, agora com prazos mais curtos. O Banco Central determinou que a partir de 1º de junho passado, os títulos que fizessem parte da carteira dos Fundos fossem registrados pelo seu valor de mercado, este com cotação menor, e não pelo deságio pro rata em função do valor final no seu vencimento. Àquela determinação não previu a fuga dos investidores, já sensíveis pelo processo eleitoral, para à caderneta de poupança, entre outros investimentos. Assim, no decorrer do mês de junho e julho foram retirados R$ 28 bilhões desses fundos. Pois com os títulos federais cotados em seu valor de mercado, a maioria dos fundos teve rendimentos iguais ou até menor do que os pagos pela caderneta de poupança. O Banco Central praticou uma legítima barbeiragem. Continuando essa fuga, a sustentação da rolagem interna da dívida poderia ficar em perigo

A decisão do Banco Central, correta como de boa técnica financeira, não levou em conta a atuação da Receita Federal. E levaria em médio prazo a perda da arrecadação incidente sobre os Fundos , aos quais recaem o Imposto de Renda, o IOF e a CPMF. Já com a migração para a caderneta de poupança ficariam os investimentos isentos desses tributos. Assim, para manter o bom nível da arrecadação do Tesouro Nacional, e atingir o superávit primário neste ano de 2002 em 3,75%, e que foi aumentado para 3,88% conforme cláusula do acordo com o FMI, pelo empréstimo de US$ 30 bilhões, abandonou-se a política de alongamento dos títulos da dívida interna, e voltando-se aos de emissão de curto prazo. Títulos de curto prazo tem um deságio bem menor, ou quase nenhum, quando são negociados no mercado, em contrário com os de longo prazo. 

Por outro lado, a permanência de investimentos na caderneta de poupança acarretaria uma grande distorção no setor, já que atualmente não existe em grande escala uma política de financiamentos habitacionais. Só havendo tomadores desse tipo de financiamento permitiria-se remunerar os investidores na caderneta de poupança.

Desta forma, existe agora uma campanha de trazer de volta os investidores para os Fundos de Renda Fixa, de modo a garantir a rolagem da dívida interna e pela manutenção da arrecadação dos tributos. 

 

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