* Acadêmica de Veterinária

 

 

Gaúcho Ibiraiarensce

Francieli Sgarbossa*

 

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Ibiraiaras é um pequeno município localizado na região nordeste do Estado do Rio Grande do Sul, a 240 km de Porto Alegre. Seu nome é de origem indígena, já que juntamente com o município de Muliterno fazia parte da reserva indígena de Monte Caseiro com 1003 hectares. Aos poucos foi sendo colonizada pelos brancos e, no dia 29 de maio de 1966, foi fundado o município de Ibiraiaras.

Mesmo com predomínio da população de origem italiana, é marcante o traço da cultura gaúcha na culinária, na música, nas festas, nos rodeios, pelo contato com o gaúcho campeiro do planalto.

Com pouco mais de 7.200 habitantes, Ibiraiaras, região de solo vermelho e fértil, era considerada a terra da batata; hoje seu cultivo de é pequeno, devido ao baixo preço e até prejuízos na comercialização.

Atualmente, a principal atividade é a agricultura, com cultivo de soja e milho, além de, em menor escala, cebola, alho e feijão.

A pecuária é outra atividade que registrou um crescimento rápido em poucos anos voltado basicamente para a criação de vacas holandesas produtoras de leite.

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Produção de leite

 

 

Com  aumento da produção de leite no município, os problemas com a saúde dos animais, o de manejo, a alimentação, a higiene, a qualidade do leite e o melhoramento genético dos animais também apareceram e foram motivos de estudos e pesquisas que trouxeram grandes avanços tecnológicos para a pecuária leiteira do município.

A raça holandesa é a de melhor produtividade de leite na região, devido às condições ambientais semelhantes às originais da raça. Adapta-se a temperaturas amenas e, com manejo, genética e alimentação adequada, ultrapassa cinqüenta litros de leite diários.

O investimento na pecuária leiteira foi uma opção tomada por muitos produtores rurais. O que antes era atividade secundária da propriedade, atualmente tornou-se principal. Com apoio veterinário e técnico da cooperativa local, os produtores de Ibiraiaras ampliaram sua produção de leite, pelos investimentos aplicados no aprimoramento genético dos animais, nas instalações adequadas para o manejo e a alimentação de qualidade.

 

Genética dos animais

 

O melhoramento genético dos animais tem grande responsabilidade na produção de leite e acontece com o controle reprodutivo dos animais, através da inseminação artificial, que é de suma importância, por ser um método barato, e por meio do qual a cada geração as novilhas aumentam seu potencial genético por herdarem características desejáveis, de sêmen de touros selecionados para aptidão leiteira.

A transferência de embriões é a técnica mais avançada em melhoramento genético de bovinos, muito mais rápido para o avanço  genético do rebanho. Consiste em aplicar uma dose de hormônios numa vaca de alto valor genético, provocando uma superovulação. Ao invés de ser liberado um único óvulo, serão liberados vários óvulos que serão fecundados com sêmen de pai de alto valor genético, e cada óvulo fecundado gerará um embrião. Os embriões serão então  retirados da vaca e selecionados, para serem implantados em outras vacas, que podem ser de baixo valor genético, pois o bezerro herdará as características da mãe e do pai que o geraram. A vantagem é que esta vaca de boa produção vai gerar vários bezerros no espaço de tempo de um ano, ao passo que seu número de crias de forma natural, em um ano, é de um bezerro. A desvantagem deste processo é o custo muito elevado, pois envolve o trabalho de profissionais especializados e equipamentos próprios. Em Ibiraiaras, esta técnica já foi utilizada e pode ser constatada na foto abaixo de uma terneira, nascida de transferência de embrião.

 

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 A alimentação

 

A alimentação é outro fator de grande importância, pois envolve a maior parte dos gastos econômicos com os animais. O resultado de uma alimentação balanceada tem efeito direto no aumento da produção de leite do animal, além de manter a sua saúde em boas condições. Um exemplo de manejo alimentar das vacas é o da propriedade do Sr. Francisco Sgarbossa, que, com o plantio de pastagens de trevo e tiftom, mantém um sistema rotativo, onde são feitos vários piquetes, cercados com fio elétrico, e os animais pastam durante um dia a cada piquete, mantendo a brotação do pasto contínua, aumentando assim os lucros, já que a produção dos animais aumenta com a ingesta de pasto e o custo das pastagens é bem menor que o da ração concentrada.

 

Os animais ainda recebem uma complentação de silagem, que é um dos alimentos de menor custo, pois consiste na armazenagem compacta em silos, do pé de milho triturado ainda verde, com folhas, caule e espiga. Este alimento é de boa qualidade e utilidade para os meses em que as pastagens estão escassas pelas geadas ou falta de chuvas.

 

É necessário fornecer alimento concentrado diariamente, pelo seu valor protéico, que é encontrado na ração, composta por farelos de soja, milho, trigo, arroz e demais grãos. Se o animal estiver sendo alimentado de pasto e silagem, a ração pode ser dada em pequenas quantidades.

 

O manejo dos animais

 

O manejo diário dos animais pelos proprietários é outra questão que os profissionais da cooperativa, técnicos e veterinários vêm desenvolvendo através de cursos para os produtores, explicando como  deve-se agir com os animais, a rotina que se deve estabelecer nos horários da ordenha mecânica, bem como na sua alimentação. As condições de higiene do tambo, dos equipamentos de ordenha, a armazenagem do leite, a qualidade da água que os animais bebem, o cuidado com os bezerros, o controle reprodutivo, as medicações usadas periodicamente, como carrapaticidas e vacinas, o cuidado com uso de antibióticos, enfim, todas as informações necessárias para o manejo diário dos animais de forma prática e moderna e higiênica.

 

Mercado

 

O comércio de leite é estabelecido pela Cooperativa Agrícola Mista de Ibiraiaras, que faz contrato de venda com indústrias de laticínios. O leite é coletado diariamente nas propriedades e transportado até os postos de estocagem.

 

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