A BALANÇA COMERCIAL E AS TAXAS DE JUROS

Décio Pizzato

 

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São dois assuntos do momento, mas pouco tem sido falado sobre a forte ligação que existe entre ambos. Vamos escrever sobre isto neste artigo, perdoem os puristas, mas vou ser extremamente didático e de simples objetividade.

Para aqueles que não sabem, existe uma equalização entre as taxas de juros pagas para empréstimos feitos no exterior e as que são pagas a empréstimos feitos aqui no país, ou seja há um equilíbrio entre as mesmas. E, assim de uma forma bem simples vamos ver o porque disto. As taxas básicas que são pagas para a captação de empréstimos feitos pelo Tesouro dos Estados Unidos, são estabelecidas pelo Banco Central americano, o FED, e estão fixadas em 1,75% ao ano, já o valor de risco do Brasil está cotado na casa anual de 12% no mercado internacional, percentual este que é estabelecido pelo que se chama de arbitragem internacional, algo assemelhado com o que é feito pelas agencias de classificação de risco, quando estabelecem o rating da divida de longo prazo em moeda estrangeira A estes percentuais deve ser acrescido a chamada taxa de risco cambial, e são as oscilações que existem entre as varias moedas, e para o Brasil está cotada em torno de 5%, ou seja a transformação de dólares ou outra moeda em reais ou no sentido contrário, assim se somarmos todos estes percentuais chegaremos a taxa de 18,75% ao ano.

Já internamente, dentro dessa linha de equilíbrio, e também para evitar a fuga de capitais para investimentos lá fora, assim a taxa básica de juros estabelecida pelo Comitê de Política Monetária – COPOM do Banco Central em sua última reunião, foi fixada 18,75% ao ano. Se a inflação interna do Brasil para este ano de 2002 ficar em 4,5%, e se for mantida a mesma taxa de 18,75%, teremos uma taxa real de juros fixada pelo COPOM em 14,25%, pois será este o valor a ser pago acima da inflação. O que convenhamos é muito alta, pois representa mais do que 3 vezes o cálculo inflacionário, o que acarretará um grande aumento na dívida interna, e nem aqui se fala dos recursos que poderiam ser carreados para outros setores que são também necessários, pois um aumento de valores para os mesmos pressionaria a inflação.

Como visto acima, a fixação das taxas de juros pelo COPOM não tem como objetivo único apenas o da manutenção das metas de inflação estabelecida para 2002 como sempre informa, mas também de sua manutenção.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio está elaborando um plano com propostas de expansão do superávit da Balança Comercial, já para alcançar neste ano o saldo positivo de cerca de US$ 5 bilhões, e com propósito de alcançar o superávit de US$ 18 bilhões em 2006. Assim, havendo superávites crescentes na Balança Comercial, estes trarão alívio a Balança de Pagamentos, já que esta representa tudo o que entra e sai em dinheiro do país. Pois, a necessidade para 2002 é de cobrir um saldo negativo de US$ 21 bilhões, sendo com US$ 17 bilhões por investimentos diretos vindos do exterior e de US$ 4 bilhões pelo saldo da balança comercial. O que diminuirá a dependência de financiamentos externos e a pressão por renegociações dessa dívida, e fortalecerá o país com relação a vulnerabilidade perante a especulação internacional. Este alívio na Balança de Pagamentos, fará com que as taxas de risco do país que são cobradas acima da taxa de juros padrão americana tenham espaço para ceder. E, se assim acontecer as taxas de juros cobradas internamente aqui no país terão que cair também.

O Brasil experiente com a vitória obtida sobre a empresa de aviação canadense Bombardier, dará início nos próximos meses a uma ofensiva junto a organização mundial do Comércio – OMC, no sentido de derrubar o protecionismo feito pelos EUA e União Européia, que levantaram barreiras comerciais as nossas exportações de produtos do setor primário. Tais como as barreiras tão bem defendidas pelo agitador José Bové, agora hóspede em uma prisão francesa. Deixa assim o nosso país de sua postura de apenas se lamentar, para lutar contra regras que prejudicam as nossas exportações.

 

 

Décio Pizzato

Economista

dbpizzato@cpovo.net