Figlio di Nessuno

Filho de ninguém

Homero Farias Eschiletti

Home | E-mail

 

 

 

 

 

 SUMÁRIO

                          ¨                         

 

 

 

Prefácio

Introdução

Apresentação

Guardava um grande segredo!

No pé havia uma marca

Sobre o Hotel Globo

Objetivo maior: conseguir a cidadania italiana

Comentários sobre o sobrenome

Incomodando muita gente

Chega de incomodar

Primeira chegada em Vicenza: única dúvida

A caminho da igreja

O local da roda

A casa do padre

Desvendando o documento

Devo dividir a notícia

Iniciando a montagem do processo de cidadania

Meu avô ficou três dias no “hospício”

Por causa de um “de”

Uma noite na Praça da Matriz

Confirmação da cidadania

Comunicado fatal

A segunda viagem

O grande dia

O “tesouro” no Arquivo Histórico

A segunda visita ao padre

Torre ou Muri?

Cemitério de Torrebelvicino

Cioccolata

Retorno à “Comune”

Visita a Muri de Molvena

As dúvidas dos destroços da guerra

Coincidências “do meio-dia”

Terminou o sonho

Um “diálogo histórico”

Certeza de conseguir

Agradecimentos

Considerações finais

9

13

17

19

23

25

29

33

35

39

43

47

51

53

57

61

63

65

67

69

71

73

77

79

83

89

93

95

97

101

105

107

113

114

117

127

129

131

 

 

 

 

 PREFÁCIO

                          ¨                         

 

 

 

Homero Farias Eschiletti convida-nos a viajar com ele e com sua família para terras distantes, nas quais busca respostas para suas mais remotas indagações, na tentativa de reconstituir uma história que se constituiu envolta em brumas.

Constituir... Reconstruir...

A essência de cada ser é tão única, e formada por uma infinidade de fatores tão diversos, que não há como a compreendermos em toda a sua complexidade. Nossa bagagem genética, nossas famílias, vizinhança, escola, amigos e, até mesmo, nossas exceções, são metabolizadas por nosso aparelho mental, resultando em nossa individualidade.

A este respeito, contudo, cada um de nós tem muitas indagações, esboça hipóteses e teorias pessoais. Bem sabemos – porque sentimos na própria pele – que a pessoa que nós somos foi e continua a ser construída a partir dessa experiência ímpar: nossa própria história. E mais: esta história faz sentido em pelo menos dois planos: no horizontal (entre contemporâneos, aqui e agora, em se tratando do fator-tempo); e no vertical (relações entre passado, presente e futuro; relações trans e intergeracionais; relações de caráter hierárquico). 

A história de João Oscar (pai de Homero) e de seus irmãos constituiu-se particularmente cheia de mistérios. Que enigmas tentavam responder aquelas criancinhas, diante do olhar absorto de seu pai, Anacleto Eschiletti? Que caminhos haviam trilhado aqueles pés, jamais descobertos? Que histórias vivera ele, tão silenciosamente? Como se sentia sua esposa, diante de tantas reservas? Quem era, afinal, aquele homem do qual se dizia "fechado em si mesmo" e "sem sorte na vida"? Por que tantas e tamanhas interrogações?

Curiosamente, eu me fazia perguntas algo semelhantes a respeito de meu colega e amigo Dr. Homero Farias Eschiletti, apesar de ele ser o oposto de seu avô: acolhedor, expansivo, alegre, bem-sucedido enquanto pessoa e profissional. Nós nos conhecemos porque tínhamos consultórios no mesmo prédio. Ele, pediatra. Eu, psicóloga. Através de meus filhos e de pacientes em comum, percebi de imediato que Dr. Homero apresentava um diferencial: profundamente humano, com um olhar atento e perspicaz, mostrava-se sempre atento às criancinhas e a suas famílias, vendo-as em contexto biopsicossocial apresenta-se para elas com naturalidade, espontaneamente. Se concordarmos que espontaneidade é algo como um "sopro vital", teremos que admitir que essa qualidade do Dr. Homero nasceu com ele e/ou é fruto de vivências muito marcantes que, desta forma tão feliz e exitosa, foram elaboradas. Eu penso que, de nossos antepassados, herdamos riquezas, dúvidas e dívidas. Levo muito em conta teorias que sugerem que, em nossas famílias, sempre há lugares a serem ocupados, papéis e funções a serem desempenhados, e que a designação destes lugares, papéis e funções não é obra do acaso: vem sendo cuidadosamente desenhadas de acordo com as necessidades e os momentos familiares, atravessando gerações. Por acreditar nesta hipótese, ouso atribuir a conteúdos desta natureza a escolha que Dr. Homero fez de sua profissão, de Valéria, sua encantadora esposa, e da formação na qual decidiu investir, em terapia de casal e de família. Comentou, certo dia: "Penso que este deveria ser um estudo obrigatório para o exercício da Medicina – principalmente em se tratando da Pediatria". De pleno acordo!

No Curso de Terapia de Casal e de Família, o desejo de investir concretamente na descoberta de segredos familiares tomou vulto, contaminou à esposa, aos filhos, aos irmãos, aos sobrinhos – a toda uma rede de pessoas envolvidas afetivamente nesta história, incluindo amigos especiais. Imagino que a busca da Cidadania Italiana, com todos os percalços que o leitor poderá acompanhar, foi muito mais um pretexto do que qualquer outra coisa.

A trajetória percorrida por Homero, Valéria, Laíssa, Letícia e Fabrício foi, literalmente, envolta em brumas e cheia de frios, mas também iluminada pelo sol, aquecida por esperança e calor humano, plena de emoções e de momentos de felicidade. Acompanhá-la torna-se uma oportunidade tão irresistível, que a gente começa a leitura e não consegue parar. A linguagem afetiva, dinâmica e instigante que o autor emprega constitui-se num permanente convite a prosseguir.

Em síntese, além de compartilhar suas inquietações, buscas e reflexões, Dr. Homero acaba instigando a que cada um de nós dê-se ao belo trabalho de reconstituir a própria história. Penso que, na verdade, deveríamos oferecer a nossos herdeiros algo desta natureza: muito mais do que fotografias, filmes e reconstituição da árvore genealógica, um livro de memórias, no qual descreveríamos momentos marcantes, de grandes ou pequenas dimensões, mas que dão uma idéia de tudo aquilo que contribui para que cada um de nós seja quem é.

Maravilhoso ler, no capítulo dedicado às Considerações Finais":

"Agora somos brasileiros com uma origem.

Com um início digno de uma família".

Só não consigo concordar com aquela palavrinha, colocada ao pé da página: "Fim"

Porque esta história, na verdade, ainda não terminou. Ouso duvidar muito que, daqui a algum tempo, Homero e sua família não voltem à Itália, questionando a validade de um "Segredo de Estado". Todos teriam a lucrar com isso!

Obrigada, Dr.Homero, por dividir conosco a sua história!

Iara L. Camaratta Anton

Psicóloga. Psicoterapeuta Individual, de Casais e de Famílias. Escritora. E, com muito orgulho, amiga do Dr. Homero, de Valéria e de seus filhos.

 

 

 

 

  INTRODUÇÃO

                          ¨                         

 

 

 

Era uma vez...

... só posso começar do mesmo modo que começavam os contos de histórias e aventuras que marcaram nossa infância, embora pareça um tanto brega.

Um dos livros que mais me marcou foi “Raízes”. A narrativa do autor, de sua caminhada por terras africanas, pisando o mesmo solo tórrido de seus antepassados, ficou em minha memória. 

Concluído o livro imaginei:

Quem sabe se um dia, poderei percorrer os mesmos caminhos de meus antepassados!

Tentarei levá-los a um mundo fantástico. Relatarei as vivências, emoções, confirmações e desencantos destas memórias familiares. Contarei, também, as condições a que me submeti, para o encontro dos documentos que jamais pensei obter.

A justificativa desta busca desenfreada reside nas vivências gravadas em minha memória. Os sentimentos de meu pai, meus tios, e de duas tias, eram de uma certa revolta. A elucidação da origem de Anacleto Eschiletti, seu pai, só aconteceu após suas mortes. Até então, com certeza, sabia-se de ele ter sido abandonado numa “roda” na Itália.

O fato de ter sido colocado na roda e de ser “filho da mãe”, sem origem familiar, sempre me impressionou.

Por outro lado, a possibilidade de obter a cidadania italiana, me fascinou. Com ela facilitaria todas as possíveis viagens ao exterior. Acrescida da possibilidade dos filhos obterem maiores chances de cursos em países da Comunidade Européia, poderem lá trabalhar e morar com tranqüilidade. Tudo isso levou-me a esta tarefa exaustiva.

Para obter a cidadania foi um verdadeiro parto. Um parto com etapas muitas vezes doloridas, difíceis, mas chegou ao fim.

O “problema familiar” foi resolvido após um longo tempo, mais de quinze anos de pesquisas locais e de duas viagens à Itália. A primeira, em fevereiro de 1997, com minha esposa e filhos. A segunda, em fevereiro de 2005, para resolver um grande problema: a cidadania italiana fora suspensa e não seria concedida aos outros descendentes. Com isto, ruiu toda a difícil construção. Todos os familiares ficaram atônitos, sem saber o que fazer para resolver este impasse.

Posso afirmar que a minha contribuição no resgate das origens familiares, as descobertas das pesquisas, as quebras e confirmações de relatos orais de meus antepassados tiveram influência em minha vida particular e familiar e, principalmente, ocasionaram sentimentos que jamais pensei pudessem ocorrer.

Escrevo a pedido de meus familiares, e com um sentimento de obrigatoriedade. As futuras gerações terão a tranqüilidade de serem descendentes de uma pessoa com uma história pessoal, embora muito triste, mas que foi praticamente resgatada em sua total integralidade. 

Nas páginas seguintes, caro leitor, está convidado a me acompanhar na valorização das origens familiares, no seu resgate, e dar importância à transmissão oral das gerações. Discutiremos alguns problemas que acompanham uma adoção, e como é benéfica, salutar e terapêutica a quebra de segredos familiares. Houve, sem dúvida, no final da pesquisa, uma renovação e um reajuste familiares.

 

 

 

EST EDIÇÕES | Fone/Fax (51) 33361166