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A origem do conhecimento humano Urbano Zilles |
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O
mundo que nos cerca provoca diversas atitudes em nós, emoções como
admiração e dúvida. Abrange desde as gigantescas galáxias até os
pequenos seres que povoam nosso planeta. O homem pode sentir-se ameaçado
pelo desconhecido. Por isso sente medo de doença, da fúria dos
elementos. Por outro lado, já dizia o pensador espanhol José Ortega y
Gasset: “Eu sou eu e minhas circunstâncias... O homem não se contenta
com o simples viver, mas busca o bem-viver”. Quer desfrutar a vida e
seus prazeres. Neste
mundo o homem se inquieta com grandes perguntas: Para onde vamos? Donde
viemos? Quem somos? Não
sabemos exatamente onde e quando, em nosso planeta, surgiu o primeiro homo
sapiens, nossa espécie. Cercado por animais mais fortes, pela fome e doença,
não tendo as armas e a força do leão, o homem nasceu com uma capacidade
mais poderosa, a da inteligência e do espírito. Por
um lado, o homem observa e interpreta a natureza através do sobrenatural.
Desta maneira entre os humanos surgem os sacerdotes que tudo relacionam
com os deuses. Fenômenos da natureza, como raio e trovão, são
interpretados como manifestações de deuses. Deste modo o homem nasce
para dentro de um sistema de crenças. Habitua-se a elas. Conta com as
coisas e vive a interpretação que herda de pais, mestres e antepassados.
Mas também há momentos em que as crenças se tornam problemáticas.
Interpretações de tipo religioso entram em conflito. Surgem incertezas.
Mas, por outro lado, entre o povo também apareceram, paralelamente aos
sacerdotes, os que são chamados artesãos. Esses, através da experiência,
percebem que existem algumas pedras mais duras que outras. Passam a usá-las
como instrumentos, criando objetos e ferramentas. O homem mantém as
tentativas bem sucedidas, multiplicando-as, deixando de lado as erradas ou
falhas. O conhecimento adquirido passa a ser transmitido de uns a outros,
socializando-o e acumulando-o. Sendo o homem um ser pensante, desenvolve idéias e as testa na prática da vida. Busca coisas úteis, que tornem a vida melhor e mais confortável. Inventa armas para a caça e a pesca; faz cestas para carregar coisas consigo; o arado para cultivar a terra e semear; a cerâmica e os tijolos para construir casas, aldeias e cidades. Enquanto não encontra explicação para o mundo, preocupa-se com o desenvolvimento de técnicas que funcionem. Para poupar suas próprias energias, locomove-se a cavalo ou de camelo. Assim, na antiga Mesopotâmia, já foram construídas cidades, que à noite eram iluminadas com lâmpadas a óleo. A
invenção de técnicas para cultivar a terra permite ao homem abandonar o
nomadismo e fixar-se à terra. Assim surgiram povoados e aldeias e a
convivência humana trouxe novos problemas a resolver como a divisão de
terras, a troca de produtos agrícolas ou animais. Foi desafiado a criar
uma linguagem própria para o cálculo. A medição e divisão de terras e o comércio
produziram a matemática. Se,
por exemplo, no Ocidente medieval predominava a ortodoxia religiosa, no
final do século XX é a ciência e a técnica. A linguagem universal
passa a ser a matemática. No topo da hierarquia estão os cientistas.
Estes assessoram políticos. Se as cruzadas medievais foram substituídas
pela conquista do espaço, os sacrificados são vítimas da ciência: a
morte em acidentes automobilísticos, os desempregados marginalizados pela
máquina. Mas a ciência ajuda ao homem ganhar mais conhecimentos e maior
compreensão do mundo. Desse
modo, o conhecimento nasce na experiência cotidiana do homem no mundo que
o cerca. Este conhecimento é fortalecido na diversidade das circunstâncias
através do tempo. Primeiro é transmitido oralmente e depois por escrito.
A transformação da natureza pela inteligência e pelas mãos do homem
chamamos, de modo genérico, de cultura. O conhecimento tem pois, sua
origem na capacidade reflexiva do próprio homem a qual lhe garante um
lugar único entre os seres que habitam nosso planeta. O prestígio da ciência
hoje é incontestável. Entretanto pode ser que no futuro o homem conclua
que o mundo só se interpreta pelo amor, que a religião e a filosofia são
pelo menos tão importantes como a ciência. |
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