EST EDIÇÕES   On Line

 

Home | E-mail

 

 

 

0

 

 

 

A origem do conhecimento humano

Urbano Zilles

 
 

                    

 

O homem é um ser que pensa e pergunta. É um eterno peregrino. Contesta o mundo existente em busca de um mundo melhor. Não só quer entender a natureza, mas transformá-la. Procura o caminho para isso. Esse caminho chamamos, desde os antigos gregos, de método.

O mundo que nos cerca provoca diversas atitudes em nós, emoções como admiração e dúvida. Abrange desde as gigantescas galáxias até os pequenos seres que povoam nosso planeta. O homem pode sentir-se ameaçado pelo desconhecido. Por isso sente medo de doença, da fúria dos elementos. Por outro lado, já dizia o pensador espanhol José Ortega y Gasset: “Eu sou eu e minhas circunstâncias... O homem não se contenta com o simples viver, mas busca o bem-viver”. Quer desfrutar a vida e seus prazeres.

Neste mundo o homem se inquieta com grandes perguntas: Para onde vamos? Donde viemos? Quem somos? Não sabemos exatamente onde e quando, em nosso planeta, surgiu o primeiro homo sapiens, nossa espécie. Cercado por animais mais fortes, pela fome e doença, não tendo as armas e a força do leão, o homem nasceu com uma capacidade mais poderosa, a da inteligência e do espírito.

Por um lado, o homem observa e interpreta a natureza através do sobrenatural. Desta maneira entre os humanos surgem os sacerdotes que tudo relacionam com os deuses. Fenômenos da natureza, como raio e trovão, são interpretados como manifestações de deuses. Deste modo o homem nasce para dentro de um sistema de crenças. Habitua-se a elas. Conta com as coisas e vive a interpretação que herda de pais, mestres e antepassados. Mas também há momentos em que as crenças se tornam problemáticas. Interpretações de tipo religioso entram em conflito. Surgem incertezas. Mas, por outro lado, entre o povo também apareceram, paralelamente aos sacerdotes, os que são chamados artesãos. Esses, através da experiência, percebem que existem algumas pedras mais duras que outras. Passam a usá-las como instrumentos, criando objetos e ferramentas. O homem mantém as tentativas bem sucedidas, multiplicando-as, deixando de lado as erradas ou falhas. O conhecimento adquirido passa a ser transmitido de uns a outros, socializando-o e acumulando-o.

Sendo o homem um ser pensante, desenvolve idéias e as testa na prática da vida. Busca coisas úteis, que tornem a vida melhor e mais confortável. Inventa armas para a caça e a pesca; faz cestas para carregar coisas consigo; o arado para cultivar a terra e semear; a cerâmica e os tijolos para construir casas, aldeias e cidades. Enquanto não encontra explicação para o mundo, preocupa-se com o desenvolvimento de técnicas que funcionem. Para poupar suas próprias energias, locomove-se a cavalo ou de camelo. Assim, na antiga Mesopotâmia, já foram construídas cidades, que à noite eram iluminadas com lâmpadas a óleo.

A invenção de técnicas para cultivar a terra permite ao homem abandonar o nomadismo e fixar-se à terra. Assim surgiram povoados e aldeias e a convivência humana trouxe novos problemas a resolver como a divisão de terras, a troca de produtos agrícolas ou animais. Foi desafiado a criar uma linguagem própria para  o cálculo. A medição e divisão de terras e o comércio produziram a matemática.

Se, por exemplo, no Ocidente medieval predominava a ortodoxia religiosa, no final do século XX é a ciência e a técnica. A linguagem universal passa a ser a matemática. No topo da hierarquia estão os cientistas. Estes assessoram políticos. Se as cruzadas medievais foram substituídas pela conquista do espaço, os sacrificados são vítimas da ciência: a morte em acidentes automobilísticos, os desempregados marginalizados pela máquina. Mas a ciência ajuda ao homem ganhar mais conhecimentos e maior compreensão do mundo.

Desse modo, o conhecimento nasce na experiência cotidiana do homem no mundo que o cerca. Este conhecimento é fortalecido na diversidade das circunstâncias através do tempo. Primeiro é transmitido oralmente e depois por escrito. A transformação da natureza pela inteligência e pelas mãos do homem chamamos, de modo genérico, de cultura. O conhecimento tem pois, sua origem na capacidade reflexiva do próprio homem a qual lhe garante um lugar único entre os seres que habitam nosso planeta. O prestígio da ciência hoje é incontestável. Entretanto pode ser que no futuro o homem conclua que o mundo só se interpreta pelo amor, que a religião e a filosofia são pelo menos tão importantes como a ciência.

 

 

 

EST EDIÇÕES | Fone/Fax (51) 33361166