*Comerciante e Pesquisador

Porto Alegre - RS

DOM LUIGI ORIONE O APOSTOLO DA CARIDADE

Antônio Alberti*
 

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Desde a minha adolescência, nos anos 40, em casa conhecíamos, pela fama, as obras de Don Luigi Orione espalhadas pela Península Italica,desde Turim até Noto nas Sicília. Mas entre elas aquela que mais nos tocava,nos impressionava, era Il Piccolo Cotolengo. Minha mãe nos havia explicado que esta Casa acolhia pessoas com graves problemas cerebrais que os impedia de falar ou de falar claramente ou de se locomover. Essas suas palavras nos faziam chorar..Quando nos queixávamos de algo que não havíamos gostado, ou por não ter recebido um presente que havíamos pedido, ela nos convidava para ir a visitar aquela Instituição.Uma visita ao Pequeno Cotolengo, um contato com aquelas crianças, dizia ela , teria tocado o nosso coração e teria nos tornado melhores.Varias conjunturas da vida, entre as quais a 2a guerra mundial, nos impediu de conhecer aquela Casa.

Nos anos 80 conheci, aqui em Porto Alegre, uma grande obra dos Orionitas, o Amparo Santa Cruz. Fiquei amigo de Don Orione e Padre Pedro, um dos Diretores que passou pela Casa, pelo seu espírito empresarial pela sua fibra e facilidade de relacionamento,em 2000 foi chamado para dirigir o Pequeno Cotolengo do Paraná – em Curitiba. Finalmente teria a oportunidade de realizar o desejo de conhecer um Cotolengo e os seus assistidos.Isto aconteceu no mês de Setembro de 2001.

Lá fomos eu a Lygia, Julieta Carrion, a filha Maria da Graça Ministro do Itamaraty, o filho Luis Fernando,como eu do setor da carne, com Regina e o filho Bernardo, ficando hospedados na Instituição.em ambientes com todos os confortos,mas sobretudo com um espírito de hospitalidade que nos comoveu.

Antes de passar ao leitor informações sobre a obras, gostaria de apresentar o seu fundador.

Nasceu na região de Piemonte, Itália, em 1872, o pai Vittorio Orione trabalhava na construção de calçadas, a mãe Carolina Feltri de origem veneta, cuidava da casa e da sua família, composta do casal mais quatro filhos. Nas épocas das colheitas ela, com os meninos, iam pelos campos a recolher as espigas perdidas.Era uma Spigolatrice,uma das atividades mais humilde que possa existir, mas que ajudava no sustento da sua família. Gente humilde materialmente, ma cheia de bens espirituais: sólida formação cristã , humanidade rica de caráter e inteligência, braços fortes e a honra como um sagrado mandamento. E antes deles quem eram os ascendentes? A historia não se ocupa dos Humildes.A historia dos povos depende de grandes acontecimentos, protagonizados por nomes já destacados. A grandeza da alma se transmite automaticamente, podendo dar vida a Grandes Nomes. No caso especifico de Dom Orione, ele deixou uma grande herança, uma imensa família que até hoje honra o seu nome. A sua dinastia viverá para sempre Quantos nomes de Grandes da nossa Historia já não foram esquecidos?

Luigi teve uma infância atribulada. Devido a problemas de saúde, alem da situação de miséria dos Orione, teve que interromper os estúdios no seminário e começou a estudar na casa dos Salesianos em Turim.Aqui conviveu três anos com Dom Bosco, que tinha Luigi como um filho. Do exemplo deste Mestre ele herdou o seu amor para os jovens e pelo ensino.

Entrou no seminário em Tortona ao 16 anos. Quando tinha 20 anos faleceu o Pai, após longa doença. Isto o obrigou a trabalhar como guardião da catedral para pagar os seus estúdios.

Ainda seminarista começou a reunir os meninos de rua para ensinar-lhes a doutrina cristã, a entreter-los com historinhas e brincadeiras. O Bispo da cidade entendeu a importância deste simples trabalho do clérigo e cedeu-lhe os jardins do Bispado e varias salas. Assim nasceram os famosos oratórios. Eram locais, quase sempre pertencentes as igrejas, onde os jovens se reuniam, aprendiam o catecismo, reforçavam os seus estudos, brincavam,rezavam e faziam também a meranda. A minha vida cristã começou no Oratório da Igreja de N.S. Del Carmine em Sarzana Os oratórios foram a semente das grandes Casas, as Orionopolis, Cidades de Dom Orione,espalhadas em vários paises. Aos 21 anos, ainda estudante no seminário, confirmando a sua vocação de educador da fé, passando pelo caminho da moderna pedagogia, assim como interpretada pelo seu mestre Dom Bosco, dá vida ao seu primeiro Colégio, em locais cedidos pelo Bispo.Os primeiros alunos eram filhos de lavadeiras e lavradores. Outros clérigos os seguem nesta sua caminhada.Aos 23 anos reza a sua primeira missa.

Os Institutos se multiplicam , nascem numerosos Oratórios , abrem-se novas escolas e as suas obras passam os confins da Pátria. Tudo isto se torna possível também pela afluência fantástica de vocações nos seus seminários, de onde sairão sacerdotes, formados segundos os seus critérios. Ele e os seus colaboradores estarão sempre presente onde è necessário estender a mão, ajudar , como no trágico terremoto Calabro-Siculo de 1908 onde morreram 80.000 pessoas o naquele da Marsica de 1915.. A sua marcada sensibilidade humana, aperfeiçoada pelo seu ardente amor cristão, impulsiona-o a socorrer os irmãos mais necessitados, marcados com defeitos físicos e mentais, às vezes rejeitados pelas próprias famílias, e os acolhes nos recém fundados Pequenos Cotolengos.Ele dizia desta nova instituição, " deve ser o para raio das grandes cidades.A quem entra não se pede nada, nome, religião, mas somente se tem uma dor". Possuindo uma ampla visão missionária enviou em 1913 o primeiro missionário para a cidade mineira de Mariana. Um segundo seguiu para outra cidade mineira. Sucessivamente veio ao Brasil por duas vezes, de 1921/1923 e de 1934/1937 dirigindo-se ate o coração do Brasil. O pais era tão grande e as suas necessidades também, e ele disse antes de deixar o Rio de Janeiro: "o que não posso fazer para o Brasil na terra, fá-lo-ei no Céu.Morreu...........................

 

O Pequeno Cotolengo do Paraná.foi criado em 1965, è administrado por religiosos da Congregação – Pequena Obra da Divina Providencia –dentro da filosofia de Dom Orione de " Viver a Caridade" e que " Só a Caridade Salvara o Mundo".

Tem como objetivo atender Pessoas Portadoras de Necessidades Especiais de 0 a 65 anos, abandonadas ou em situação de risco.

 

Os atendidos são Portadores de Paralisia Cerebral ou Problemas Neurológico graves totalmente dependentes nas suas necessidades bio-psico-sociais.Hoje os moradores são 228 ,na maioria usuários de cadeiras de rodas.

 

Imponente a sede da Entidade, localizada no Bairro Campo Comprido. È situada em uma área verde de 120.000m2, doada por uma conceituada família da região. Tem 10.000m2 de área construída, onde constitui grandes Lares de permanência dos moradores, capela, lavanderia,centro de Reabilitação, com Hidroterapia que utiliza uma grande piscina térmica, que o Pedro conseguiu instalar com doações de Amigos. Há um Centro Administrativo, salão de eventos, que no churrasco mensal chega a atender até 6.000 pessoas, refeitórios dos funcionários. Cada casa tem a sua cozinha auxiliar e refeitório. Os lares de permanência, todos bem pintados, limpissimos (esta da limpeza è uma mania do Pedro), ajardinados, formam quadriláteros. Muitos dos pátios centrais são cobertos com vidros como grandes jardins de inverno. Ali os moradores passam parte do seu tempo sentados ou deitados, sempre acompanhados por espertos monitores.Escutam musica, cantam,brincam, lêem. Sempre fazendo algo. No Cotolengo não há tempo para ócio e ninguém fica abandonado a si mesmo.

A lavanderia merece um elogio a parte.Imensa,moderna, trabalha dia e noite sem parar. Lava todos os dias,ou mais de uma vez por dia, a roupa de todas as camas, a roupas dos internos,dos refeitórios. Poderia ser suficiente para uma pequena cidade.

A cozinha, em via de acabamento,isto depende de doações,è de primeiro mundo.

Os alimentos não perecíveis são armazenados em locais apropriados e higiênicos.;câmaras frias para alimentos perecíveis; área de cozimento com fornos e fogões industriais; ampla área para distribuição das refeições ao vários lares. Grande espaço, com equipamentos em aço inoxidável è reservado para lavagem e secagem dos talheres, panelas dos recipientes térmicos etc.

A casa visa o bem estar bio-psico-social dos moradores, suprindo as suas necessidades básicas, com atendimentos especializados, como: Pedagogia, Serviço Social, Odontologia, atendimento Medico, Psicologia Clinica e Organizacional, Fonoaudióloga, Terapia Ocupacional, Nutrição e Fisioterapia.

Os recursos,ainda insuficientes para cumpri novos programas e novas metas, para procurar uma melhoria permanente da qualidade de vida dos moradores, provem dos eventos promocionais 10%, convênios com Órgãos públicos 15%. O resto è originado por doações de pessoas físicas e jurídicas. Buscando dinamizar o seu banco de contribuintes, foi instalado um moderno sistema continuo de telemarketing.

Muitas empresas publicas e particulares tem parceria com a Casa, ma pelo crescimento das sua necessidades, a sua Diretoria precisava aumentar o numero de parceiros. Surgiu assim o projeto EMPRESA CIDADÂO, uma forma de dividir entra os parceiros e a Instituição,responsabilidade e benefícios.A empresa participantes do projeto receberá o selo EMPRESA CIDADÂO, e terão uma grande exposição da sua marca,um grande retorno institucional a nível custo beneficio. A sua marca aparecerá no sito do Pequeno Cotolengo, em outdoors fixos, citação em radio,jornal, televisão, inserção do logomarca no jornal Voz do Pequeno Cotolengo, 10.000 exemplares e na revista anual Pequeno Cotolengo,30.000 exemplares. Não devemos esquecer que a preocupação com causas sócias è uma tendência cada vez mais explorada no marketing das grandes empresas. È bom não esquecer que entre dois produtos iguais, quase 85% dos brasileiros escolhem o que está associado a uma boa causa social.

O momento mais tocante da nossa visita foi a Santa Missa na Igreja da Instituição onde havia uma centena destes moradores.Foi a Missa mais bonita e importante a qual assistimos. Era servida por alguns deles, com competência e amor por aquilo que estavam fazendo. Um dos coroinha,o Gaúcho, tinha dificuldade em falar e em se locomover mas cumpria a sua tarefa com seriedade, feliz de servir na Santa Missa e colaborar com o Padre Pedro. .Uma mulher passeava pela Igreja cumprimentando a todos sem parar, gritando, sorrindo: "beleza Pura!" .Todos acompanhavam a cerimônia com muita atenção e olhavam os forasteiros com curiosidade.

Fomos chamados para ir ao lado do altar e uma menina, que estava quase deitada numa cadeira de rodas, cantou para nos a musica do Roberto Carlos, Amigos para Sempre. A nossa comoção chegou ao ponto maximo. Sentimos que não obstante a suas limitações ou mesmo deficiências, eles estavam felizes e estavam nos dando uma lição de vida. Nos também nos sentimos felizes, pensando que tantas criaturas estariam abandonadas se não existissem obras como esta que as amparavam de forma tão humanitária . minha mãe tinha razão quando nos aconselhava uma visita al Piccolo Cotolengo de Turim, para ficarmos mais humildes e pensar mais no nosso próximo.

Agradecemos Padre Pedro para ter proporcionado a nossa aproximação a uma das obras mais importantes realizadas pelos Orionitas, seguindo os ensinamento do Beato Luigi Orione. Merece toda a nossa admiração e apoio.

 

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