| PARAÍSO BRASIL |
José Carlos Laitano, www.laitano.cjb.net |
Lei, justiça e honestidade são daquelas palavras que possuem - e transmitem - uma carga de emocionalidade, de conceituação, de significados que nos envolvem e nos arrebatam. Afirmar que uma ação é ilegal torna-se definitivo, resulta em proibição. Dizer trabalho honesto, ou crédito justo, é passar atestado de integridade moral e respeito a todos os valores que elegemos como desejáveis. Quando interessa.
Quando não interessa, partimos para a filosofia, interpretamos o sentido, a formalização e oportunidade da lei e puxamos do baú os vários matizes da legalidade, justiça ou honestidade. Ou patriotismo, ou fidelidade, escolham a palavra.
Quando interessa, afirmamos que a lei não obriga, ou não proíbe. Desarticulamos uma dada lei do ordenamento jurídico, separamos a renda do guardanapo e podemos encher a boca de razão: tudo que a lei (estrita compreensão) não veda, é permitido; tudo que não impõe...
Empresas jornalísticas e entidades privadas têm organizado debates com candidatos, nível federal e estadual. Lula, Garotinho, Serra e Ciro. Tarso, Fortunatti, Brito, Bernardi, e Rigotto. Acabou. E os outros? Mas quem são esses outros, alguém sabe os seus nomes? E como saber se ninguém fala neles?
O TSE negou pedido do PSTU em participar das entrevistas no Jornal Nacional. Disse que a lei não assegura espaço idêntico a todos os candidatos. Conclusão lógica: os candidatos têm espaços não idênticos na mídia. Então alguns aparecem tantos minutos e outros nenhum minuto. Entre tanto e nenhum existe diferença, logo a lei está cumprida. A preocupação da mídia e entidades em contar segundos na fala de cada um é desnecessária, conclusão dois.
O Ministro Nelson Jobim, que preside as eleições declarou na entrevista a Boris Casoy que devemos tratar desigualmente os desiguais. Foi uma frase curta, não sei o que os milhões de espectadores entenderam. Que os outros canidatos não têm expressão eleitoral e nenhuma chance de ganhar eleição. Outra frase curta. Boris engoliu em seco.
Então está combinado: fora Garotinho, Serra, Lula e Ciro e, aqui no Estado, Brito, Tarso, Fortunatti, Rigotto e Bernardi, os demais são meros coadjuvantes, já perderam a eleição, tipo zero à esquerda.
Mas eu e qualquer jornalista não pode criticar um candidato. A lei proíbe. O TSE explicou: não é ético utilizar um espaço privilegiado para expor preferências, não é justo para o nome criticado. Estou proibido em nome do justo. Mas em nome do justo posso silenciar candidatos que eu, do alto da minha magnitude, tenha decidido não ter chance.Falar não posso, é ilegal. Discriminar posso, é justo. Olha a filosofia de novo!
Um exemplo, dona Frida: Passo Fundo, Estrela, Santa Cruz e Encantado podem participar do campeonato, mas não jogam no Olímpico nem no Beira-rio. Lá, perante as grandes platéias, só quem tem chance. Quem decide se tem chance ou não? Sei lá! O Juventude, dona Frida? é pequeno, ou era pequeno e ganhou a copa, eu sei, mas é que... bem... mas, sabe?...
O PT já foi nanico, o PSB ainda é pequeno, mas elegeu governador, eu já medi alguns centímetros ao nascer e pesei três quilos. Mas, NESTA ELEIÇÃO, primeiro surgiu a verticalização que não valeu para outras eleições com mesma lei, agora a constatação oficial de que alguns estão fora do páreo desde o começo.
Isso tem um nome, dona Frida: é predestinação, é bíblico, a senhora sabe, como bíblico são os termos lei, honestidade, justo, amor, deus e diabo. E com predestinação só podemos lidar de um jeito: baixar a cabeça e sofrer o golpe ou mudar o predestinador. Tem uma entidade que eu conheço onde o presidente é eleito pelo conselho, mas este conselho é eleito por partes, a cada dois anos apenas um terço. Não há margem para surpresas.
Lei é lei, mulher é mulher. Qual o significado? O que a senhora quiser, dona Frida, a filosofia casou com a oportunidade. Sem preconceitos. A não ser com os nanicos.