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Economia Política |
PATERNALISMO NA POLÍTICA |
Urbano Zilles |
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Desde o século V a.C. (Aristófanes, Vespas) emprega-se a palavra hipócrita para designar um ator de tragédia ou de comédia. O ator grego tinha como primeira função “responder”, mas não ficava excluída a de “expor” a situação da peça. Da mutação de personalidade necessária à representação dramática deriva o atual sentido de hipócrita para “pessoa dissimulada, fingida”. Neste sentido a palavra já aparece no grego do Novo Testamento quando Jesus, por exemplo, se refere à falsidade dos fariseus. Assim, por hipocrisia entende-se o vício de aparentar uma virtude ou um sentimento que não se tem, mas se finge ter. O hipócrita dissimula sua verdadeira personalidade, se é que tem, quase sempre por motivos interesseiros. Finge que te preza quando por trás está armando o bote contra ti. Carece de sinceridade. É como uma moeda falsa. Para compreender o significado atual de hipócrita basta ligar a TV Câmara ou a TV Senado por alguns minutos, como fiz nesses dias, por ocasião do debate sobre um caso Waldomiro e um atentado terrorista nos trens de Madri, que sacrificou a vida de mais de duzentas pessoas. A maioria dos oradores condenaram veementemente o terrorismo internacional. Claro, sem nenhuma referência à violência em nosso país, onde diariamente não faltam atentados violentos contra a vida de pessoas inocentes. Embora esse mesmo grupo de políticos, quando lhes interessa, são contra a pena de morte para criminosos, mas silenciam a pena de morte no Brasil de fato. Diariamente inocentes são executados por criminosos, doentes morrem porque lhes falta assistência médica, desempregados se suicidam por desespero... Os atentados terroristas no Brasil são tão diários que até muitos políticos já se acostumaram, pois aparentam ignorar a real situação do povo que os elegeu. Políticos, quando eram oposição, defendiam as CPIs dos “Waldos” para combater, aparentemente, a corrupção; quando no poder, negam tudo que defendiam antes. Bem disse o “filósofo” Aparício Torelly (Barão de Itararé): “Se queres conhecer Inácio, dá-lhe um palácio!” Diz um velho ditado que “o povo tem o governo que merece”. Mas a hipocrisia, que cresce por ocasião das eleições, trai muitos eleitores. Por isso, em sã consciência, não se pode recomendar um expressivo número de discursos de atores dramáticos ou comediantes na TV Câmara e TV Senado a pessoas honestas. Fazem mal à saúde dos cidadãos. É hipocrisia por demais, comédia sem graça nenhuma. Ainda bem que há algumas honrosas exceções. A situação só melhorará quando mais políticos estiverem a serviço do povo e este menos a serviço dos políticos. |
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