SANTA PAULINA, PADROEIRA DOS IMIGRANTES, ROGAI POR NÓS!

Frei Rovílio Costa

 

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Dall’Italia noi siamo partiti. Uns antes. Outros depois. 1875: a grande procissão para as vias do mundo, com 16 milhões até a II Guerra. A península invadiu o mundo. O mapa da Itália passou a se confundir com o mapa do mundo. Italianos, cidadãos do mundo. Mestres de fé e de trabalho.

Amábile Visintainer nasceu em Vígolo Vattaro-TN, a 16 de dezembro de 1865, filha de Napoleone e Anna Pianezzer. Em 1875, no começo da grande emigração italiana, com os pais e cinco irmãos emigrou para Vígolo, de Nova Trento, em Santa Catarina.

Trabalhar a terra, manejando a enxada; distribuir alimentos, atrelando bois e carregando carroças, só até os 12 anos, quando a enxada deu lugar ao terço; a carroça deu lugar a leitos e cadeira de rodas de hospital; a comunidade de capela deu lugar à Comunidade Religiosa; o sonho de fidelidade a um esposo, deu lugar à fidelidade a Deus pelos votos de pobreza, obediência e castidade.

Paulina começou vivendo do trabalho e da fé, para, depois, viver da fé e do serviço aos irmãos. Em 12 de julho de 1890, com sua amiga Virgínia Nicolodi, deixou a casa paterna para cuidar de uma cancerosa, dando início à Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, hoje presente no Brasil, América do Sul, África e Europa, com 600 religiosas.

Em agosto de 1895, o Bispo de Curitiba aprovou a comunidade de Amábile e, em dezembro, ela e as duas companheiras fizeram votos religiosos em Nova Trento-SC. Amábile passou a chamar-se Ir. Paulina do Coração Agonizante de Jesus, incumbida de dirigir a novel Congregação e continuar seu trabalho: catequese, cuidado de doentes, órfãos e idosos.

Da Itália, via Brasil, a emigrante Irmã Paulina chega aos altares do mundo, canonizada por João Paulo II, a 19 de maio de 2002, tornando-se o presente espiritual especialmente aos italianos e descendentes do Sul do Brasil, que celebram, a 20 de maio, a partir de 2001, o dia da Imigração Italiana.

 

Santa PaulinaEm 1938, Madre Paulina do Coração Agonizante de Jesus, que era diabética, precisou amputar a mão, depois o braço direito, devido a uma gangrena, e aos poucos foi perdendo a vista até ficar cega. Morreu em 9 de julho de 1942, deixando a impressão de uma alma santa que entrava na eternidade, depois de viver sempre com humildade e simplicidade. "Seja feita a vontade de Deus" foram suas últimas palavras. Em 3 de setembro de 1965, foi iniciada oficialmente a causa de beatificação, junto à Cúria de São Paulo.

O passo decisivo para Madre Paulina ser declarada santa foi o decreto de João Paulo II, de julho de 2001, que reconheceu como milagrosa, instantânea, perfeita e duradoura a cura de Iza Bruna Vieira de Souza, de Rio Branco-AC, nascida em junho de 1992, com grave doença na cabeça. A família pediu proteção a Madre Paulina. No 5º dia de vida, a menina foi submetida, embora anêmica, a cirurgia para retirada de um tumor do tamanho de uma laranja. Após a cirurgia, a criança sofreu convulsões e parada cárdio-respiratória. Os médicos alertaram que, se a criança sobrevivesse, teria graves seqüelas. Um padre ministrou-lhe o batismo. Invocaram Madre Paulina e, logo, a menina apresentou melhoras. Hoje Iza não apresenta nenhuma seqüela da doença. Antes de reconhecer o milagre, o Vaticano esperou que a criança crescesse para a certificação do caráter permanente da cura.. Em julho de 2001, Iza passou por uma série de exames, entregues, posteriormente, à Congregação para as Causas dos Santos que, em dezembro, reconheceu o milagre.

Para que uma pessoa seja declarada santa, são necessários dois milagres.O processo de beatificação de Madre Paulina começou em 1965. O primeiro milagre foi reconhecido em 1989. Eloísa Rosa de Souza foi curada em 1966, quando já desenganada pelos médicos. No 7º mês de gravidez, ocorreu a morte intra-uterina do feto. Na operação de retirada do feto, Eloísa sofreu fortes hemorragias e um choque irreversível. Após a operação, uma religiosa colocou uma relíquia de Madre Paulina sobre o peito de Eloísa Rosa e juntou outras irmãs para rezar. No dia seguinte, estava curada. O reconhecimento desse milagre permitiu que Madre Paulina fosse beatificada por João Paulo II, em Florianópolis, em 1991. A cura aconteceu em Imbituba-SC.

Especialmente para os 57 milhões de Italianos da Itália, para os 60 milhões de italianos e descendentes no mundo, e para todos os que saíram e saem de sua pátria em busca da Pátria que lhes proporcione o pão, Paulina é a grande padroeira, de forte identidade cristã participativa e solidária, marca da Imigração Italiana no Mundo. Irmã Paulina, como cristã, como italiana e como brasileira, é propulsora da verdadeira globalização, proposta por Cristo: "Ide, pregai o meu Evangelho a toda a criatura" (Mt 16, 15).

 

Porto Alegre, 21 de abril de 2002

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