Cinqüentenária perda de Vargas

 

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Sumário

Explicação prefacial  11

Introdução  13

1. A herança farroupilha 17

2. A “sorte grande” 35

3. A arte de ouvir  49

4. O voto quase-secreto  63

5. A idoneidade de idéias  83

6. O mágico do Cate te  133

7. O legado educacional castilhista  157

8. O furto presidencial  201

9. A imortalidade de Vargas  211

Conclusão  223

 

Explicação prefacial

Prefácio significa preâmbulo, exórdio ou prelúdio. É o dizer no princípio, apresentando um escrito ao leitor. Então, é nascimento e, por definição, opõe-se àquelas lúgubres digressões vinculadas ao fenômeno morte.

Aqui, todavia, esta lógica sucumbe. É que, lá pelo começo do Século XXI, foram reunidos alguns rascunhos deste trabalho e entregues em mãos a Leonel Brizola, com o pedido para que prefaciasse o ensaio.

Na medida em que adorava “uma latinha”, como eram apelidados os microfones das emissoras de rádio, aquele gaúcho do Carazinho não gostava de redigir textos. Escrevia alguns artigos, mas somente Deus sabe a quanto contragosto...

Era muito difícil fazer qualquer espécie de cobrança ao líder trabalhista. A começar pelo vocativo a designá-lo. O chamamento por “Leonel” nem pensar, e só Dona Neusa e alguns familiares muito próximos gozavam desse privilégio. Raros eram os políticos que o tratavam por “Brizola”, entre os quais a teimosia de Alceu Collares, mas ele não costumava ceder intimidades a quase ninguém, mantendo aquele prudente distanciamento ocupado pelo respeito mútuo. Apesar da longa e leal proximidade, o próprio Matheus Schimidt O chamava de “Doutor Brizol”", assim como a grande  maioria do mundo político. Numerosos trabalhistas gostavam do tratamento de “Governado”" e parecia que a evocação o deixava satisfeito:

Governador, como está o prefácio que pedi ao Senhor? quando, abrindo aquele leve sorriso de quem já localizou a boa metáfora, respondia:

- Calma! Pedir redação a engenheiro é como tropear ovelha com cria. É demorado... Não é verdade?

Depois, o pedido caiu na pessoa do Deputado Vieira da Cunha, aproveitando um longo encontro político que teria com Leonel Brizola:

- Pô, Vieirinhal Faz o favor de cobrar do Governador o prefácio... e o jovem parlamentar trabalhista não disse nada, apenas riu e não houve nenhuma outra insistência porque tudo estava perfeitamente compreendido...

O tempo abalroou o inverno de 2004 e Lara, a deusa do silêncio, estendeu a surpresa de seu véu sobre Leonel Brizola, produzindo um vácuo político atroz no âmago do Trabalhismo e da Brasilidade.

Até por isso, este opúsculo não possui prefácio. Contudo, a esperança retratada por Alexandre Herculano mantém-se altiva e revigorada. Enfim, o velho arquiteto cego que construíra o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, após o terceiro dia desde a retirada das vigas e barrotes que sustentavam a majestade da abóbada refeita, fiel aos votos de fome e sede sobre a pedra fria no centro da cúpula, não pôde resistir. Apesar de encarquilhado e moribundo, Dom Afonso Domingues ainda reuniu forças para bradar a todas as direções da Rosa dos Ventos sua última prece:

- A abóbada não caiu...

A abóbada não cairá!

Luiz Carlos Rodrigues Duarte. 

 

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