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Uma política de desenvolvimento

Décio Pizzato

 

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Em recente artigo para o Jornal do Comércio foi abordada a necessidade ter pertinácia na nas negociações com o comércio exterior, principalmente se o país quisesse entrar no maior mercado do mundo, que é o dos Estados Unidos, não se levando ainda em conta um futuro mercado para as américas. E, se este mercado vier a ser antecipado, o passo a ser dado será o de negociar, negociar e negociar. O mesmo vale para o fechado mercado da União Européia. Essa persistência já trouxe para o Brasil uma grande vitória junto a Organização Mundial de Comercio - OMC, no contencioso com a empresa Bombardier do Canadá. Mas, não se trata de se obter vitórias em contencioso a serem julgados pela OMC, onde pode-se sair vitoriosos ou não. O que o país precisa é de uma política industrial e de comércio exterior que ultrapasse o período de um governo, de modo a permitir crescimento seguro da economia.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio está elaborando um plano que elabore propostas nesse sentido. Propostas essas, assim se supõe, venham a estabelecer para ainda este ano, e também para os futuros, o de elevar os superávites comerciais. Superávites esses que tiveram o seu início em 2001 atingindo US$ 2,642 bilhões na balança comercial, e que venham assim a carrear recursos para o país, diminuindo a dependência de financiamentos externos e a vulnerabilidade perante a especulação internacional.

Mas, é preciso ter muito cuidado para não cair no que aconteceu no passado quando a cerca de duas a três décadas atrás, tivemos algo assemelhado, com fortes restrições a importações e enormes incentivos a exportações. E, o que vimos foi a criação de verdadeiros cartórios setoriais, financiados pelo tesouro nacional, beneficiando apenas uns poucos, o que trouxe atraso tecnológico e aumentou a distancia com a relação a outros países então em desenvolvimento.

O país fez muito sacrifício para sanear o sistema bancário, assim como o tesouro nacional assumiu a dívida dos estados e municípios, implantou o cambio flutuante e ainda manteve superávit fiscal, o que fez com que a dívida interna triplicasse, deixando de investir uma boa parte desses recursos na área social. Mas, por outro lado fez nos distanciar de nosso vizinho país do Prata, tornando o Brasil um oásis na América Latina e entre os países que vivem em estagnação ou em retrocesso econômico.

Enfim, chegou o momento de se implantar uma política firme de crescimento, alheia a um processo eleitoral. Política essa que com seus superávites crescentes, diminua os volumes renegociados da dívida externa, o que por conseqüência aliviará as taxas de riscos cobradas além dos juros, o que fará ter um impacto muito forte nas taxas de juros internas, já que há uma equalização nas que são cobradas em empréstimos externos e nos internos. O que diminuirá os gastos com pagamento de juros.

Para que isto aconteça, é necessário que se comece retirando os tributos em cascata, tais como o das Contribuições, como COFINS, CPMF , etc. dando assim o início da tão esperada reforma tributária. E, se for estabelecida essa política de desenvolvimento, com toda a certeza, veremos serem gerados empregos e haverá aumento da renda. Enfim, é o que todos esperam.

Décio Pizzato

 

Escrito em 30/01/2002

 

 

 

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