Memórias de 

Quatro Irmãos

Samuel Chwartzmann

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A imigração judaica agendada, no RS, inicia em 1904 com a vinda do primeiro grupo para Filipson, através da Jewish Colonization Association, onde, em 1905, funcionava a primeira sinagoga e, em 1906, a primeira escola. De Filipson, seguiram para Santa Maria e Cruz Alta e, depois, para Porto Alegre, onde, em 1909, formaram o primeiro miniam (grupo de dez homens) para as orações do Rosh Hashaná (Ano Novo) e do Iom Kipur (dia do perdão) e, em 1910, fundavam a União Israelita Porto-Alegrense. Em 1911, 1913, 1926 e 1927 chegaram judeus para Quatro Irmãos, fugindo, como os demais, à opressão e discriminação nos países onde viviam.

EST Edições, como oportunidade de registrar mais uma faceta da constituição demográfica do Estado, sente-se privilegiada em publicar a obra de Samuel Chwartzman – Memórias de Quatro Irmãos – que contempla os pioneiros judeus da localidade, ma­peando suas campas, donde, como sementes bíblicas de coragem, trabalho e fé, fizeram germinar os frutos do pa­raíso de integração étnico-cultural e religiosa em que vivemos. O Samuel bíblico é “o filho pedido a Javé por seus pais”, e o Samuel Chwartzmann é o enviado de Javé que, através dos antepassados, provou seu amor conosco. Samuel, você fez o primeiro degrau da escada, desafiando outros a continuá-la, escrevendo a história dos demais grupos pioneiros.

Porto Alegre, 1º de junho de 2005

Frei Rovílio Costa

 

 

 

 

 SUMÁRIO

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Nota do Autor / 9

Saudades do meu rincão / 11

O começo da colonização / 15

Filhos de colonos colonizados / 17

A história / 17

O escritório / 21

O funcionamento / 21

Os dirigentes / 22

Os médicos / 23

Os farmacêuticos / 23

Os schochtim / 23

Os açougueiros / 24

As serrarias / 24

O ramal férreo / 24

O progresso / 25

Os professores / 28

As tafonas / 29

Os comerciantes / 29

O fracasso / 31

O Grupo Barão Hirsch / 35

Baronesa Clara / 37

A vida espiritual / 40

A vida social / 41

O pós-guerra / 43

A contribuição dos nativos / 44

O Chevra Kadisha / 47

Morte violenta / 49

Motivo passional / 50

Cemitério de Quatro Irmãos / 51

Cemitério de Quatro Irmãos: relação de pessoas enterradas / 53

desbravadores: Família Schwartman / 60

Desbravadores: Família Nagelstein / 65

Outras histórias / 68

A família Aisen / 69

Relação dos colonos que ficaram nas colônias até 1923 / 71

Fracasso da primeira colonização de Quatro Irmãos / 73

A Revolução de 1923, já antes relatada / 74

O legado dos imigrantes / 77

A Colônia de Phillipson / 80

 

 

 

 

  APRESENTAÇÃO

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Samuel Chwartzmann

Ninguém é digno de vir ao mundo sem um compromisso a ser cumprido.

Nas palavras de Samuel, reproduzidas por seu filho Zalmir, irmão tão querido como se fosse de meu sangue já um tanto judeu pela longa amizade, ninguém é digno de uma refeição caso não faça jus ao trabalho e ao esforço. Estas palavras premissas bem qualificam – e justificam – a edição deste livro.

Judeu, filho de imigrantes da primeira leva de Quatro Irmãos, numa época em que a semente nazista se instilava em solo europeu aterrorizando multidões que mais tarde seriam arrastadas pela iconoclastia do patético ditador dos modos e da estética, Samuel lega a nós, privilegiados leitores de seu texto raro e oportuno, uma densa lição de vida. Ele quebrou alguns paradigmas de nosso imaginário sobre a cultura judaica, ao mesmo tempo em que conservou o compromisso de fé numa religião que soube cultivar, transmitir e, mais do que isso, dignificar. Homem simples que é na aparência, mal sabia, pouco imaginava que a ele havia sido designada a tarefa de relatar de forma instigante as circunstâncias de uma época repleta de momentos felizes como aqueles em que reunia a família numerosa em torno da mesa do Pessach e de outros angustiantes como os da procura do resguardo diante do arbítrio das forças políticas que então, ainda que remotamente, ameaçavam os judeus também em nosso país. Gracioso, dotado de um humor que o acompanha até hoje, aos 90 anos, e de uma vitalidade que não pode esconder pelo simples jeito como caminha a largos passos pela Rua Mariante, ou como prepara um bom charque, Sa­muel, por tantos anos, escrevia em sua mente um livro que poucos esperavam conhecer, mesmo ele. Prova em seu texto que a vida do campo também era possível aos judeus – por vezes ele foi um tropeiro –, em geral afeitos ao comércio e às ciências. Relata um extenso universo de curiosidades ao qual não teríamos acesso não fosse sua pertinácia em produzir esta obra que ora nos oferta. Escrevia, sim, em sua mente, um livro de memórias que deve­riam um dia eclodir de alguma forma. Faltava-lhe apenas a oportunidade de fazê-lo de forma concreta, plasmando sobre o papel a letra. Como um escultor que cava na pedra a imagem final que deseja representar, precisava extirpar de suas memórias antigas o sumo de um relato que prendesse o leitor, a fagulha para acender o fogo de sua verve descritiva.

E ela veio.

Nenhum de nós chega ao mundo sem uma missão. E Samuel, resumo de uma vida digna já o suficiente para justificar-se, a cumpre, mais uma vez, para nosso encantamento, agora na condição de um bom escritor.

 

Paulo César do Amaral

Outono de 2005

 

 

 

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