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A Reforma na AlemanhaSegundo o IBGE o Brasil é um imenso terreno baldio abandonado, onde 64% do seu território (regiões norte e centro-oeste) são ocupados por apenas 14% da população brasileira Ricardo Bergamini |
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O ambiente na Alemanha – mais do que em qualquer outra nação – era especialmente favorável, em começos do século XVI, a um movimento reformista. Nesta época é que aparece Lutero. Martinho
Lutero (1483-1546), de família humilde, nasceu em Eisleben (Saxônia).
Agostiniano e professor de teologia na Universidade de Wittemberg, era
um homem sensível e inquieto, constantemente perseguido pela idéia do
pecado. Só conseguiu a paz de espírito quando, pela leitura de Santo
Agostinho, convenceu-se de que a chave da salvação era a fé, a
confiança em Cristo. Em 1517, surgiu a “questão das indulgências”:
Lutero sublevou-se contra esse sistema de perdoar pecados mediante
pagamento, o que considerava um torpe comércio. Chegou mesmo a atacar
aspectos do dogma e do ritual da Igreja, o que levou o Papa Leão X a
condenar-lhe os atos e as doutrinas, exigindo sua retratação. Lutero,
porém, queimou em praça pública a bula condenatória (20 de dezembro
de 1520). O Papa, então, excomungou-o. Começava a Reforma e a luta
entre reformistas e católicos. Carlos
V, que era nessa ocasião o imperador do Sacro Império Romano Germânico,
intimou Lutero a comparecer perante a Dieta de Worms. Nela, Lutero não
se retratou; pelo contrário, reafirmou suas idéias. A Dieta condenou-o
como herege, mas Lutero, protegido por um salvo-conduto do príncipe-eleitor
da Saxônia, conseguiu refugiar-se no castelo de Wartburg, onde
permaneceu oculto até a morte de Leão X. No silencioso refúgio,
Lutero traduziu a Bíblia ao alemão e redigiu parte dos seus escritos
panfletários. A tradução, escrita em alemão corrente, era clara e
acessível a todos; foi o primeiro modelo do alemão moderno. As
doutrinas de Lutero propagaram-se com notável rapidez e provocaram
reivindicações (libertação dos servos, igualdade social) e revoltas
de camponeses e cavaleiros, que foram sangrentamente reprimidas pelos príncipes.
Mas estes sim, apossaram-se dos bens eclesiásticos (secularização). Carlos
V, no desejo de restabelecer a unidade cristã nos seus domínios,
convocou nova Dieta em Augsburgo (1530) e pediu a Lutero que
apresentasse, por escrito, sua doutrina, a fim de ser tentado um acordo
com os católicos. Melânchton, grande humanista, de caráter moderado,
foi designado por Lutero para a redação da profissão de fé luterana.
Este credo luterano (28 artigos) é a chamada “Confissão de Augsburgo”.
Seus pontos fundamentais eram: único meio de salvação: a fé; única
fonte de fé: a Bíblia; interpretação da Bíblia: livre exame por
todos os fiéis. Além
disso: não reconhecimento da autoridade papal, necessidade de suprimir
as imagens e a condição eclesiástica, não validez da missa e do
culto aos santos, e alteração de diversos outros aspectos do dogma e
do ritual. Tendo
ficado evidenciada a impossibilidade de qualquer acordo, decidiu-se
recorrer à luta armada. Os príncipes católicos renovaram a aceitação
das condenações de Worms. Os príncipes protestantes, para
defender-se, formaram a Liga de Smalcalda (1531). Os coligados somente
foram atacados por Carlos V em 1546, logo após a morte de Lutero. Depois
de uma série de cruentas guerras, celebrou-se a paz de Augsburgo
(1555), que concedeu aos príncipes a liberdade de culto e reconheceu a
propriedade definitiva das terras secularizadas, mas criou o estranho
princípio de que os súditos teriam de seguir a religião do seu príncipe
(sob pena de expulsão e perda dos bens). O
luteranismo foi-se estendendo rapidamente, da Alemanha à Suécia,
Noruega e Dinamarca. Todavia, aceita a idéia da livre interpretação,
logo surgiram diversas correntes reformistas, não só divergentes, mas
às vezes até inimigas. .
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