*Economista 

 

As viúvas da estrela

Décio Pizzato*

 

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Passado um ano, vários economistas escreveram artigos e  publicaram livro, mas foram apenas  desabafos com sua decepção com  2003.  Mesmo  assim, continuam culpando o governo anterior pelo ano que transcorreu.  Mantém esses a velha retórica de culpar o antecessor por suas frustrações, por não ter acontecido o tal de espetáculo prometido,  que fazia parte do messianismo do seu ainda partido.  O atual governo está fazendo tudo aquilo que antes criticava,  e seus militantes  acompanhavam  usando  palavras de efeito – Abaixo isto ou  aquilo.  E o resultado ?;  nunca teve  o país um governo que fizesse  tão bem a lição de casa prescrita pelo FMI.

Escrevi  no ano de 2003,  14 artigos publicados pelo Jornal do Comércio, 12 destes foram de análises sobre a economia brasileira. Todos aqueles que leram meus artigos não ficaram  nem um pouco surpresos com o que aconteceu em 2003.  Dei inicio aqui no sul a divulgação, que o problema estava na dívida interna e não na externa.  Escrevi sobre a política industrial, que não veio; mostrei que  o país  no ano foi sustentado pelo o modelo herdado do governo FHC; afirmei que os fundamentos da economia brasileira ainda  não são sólidos; e  também fiz análises mostrando a inexperiência do atual governo ao aplicar um  choque muito além  do necessário.

Agora,  chegou-se ao absurdo de divulgar que o país “colocou bônus” por valor não vistos há uma década.  Quando deveriam afirmar que a dívida externa, tão combatida,  tinha aumentado em mais US$ 1, 5 bilhão, e tratar-se de um novo empréstimo, como tal terá que ser pago. O alegado sucesso na colocação desses novos títulos, está nas  taxas de juros pagas pelos Treasuries Bonds americanos, que são de 1% ao ano,  tão baixas que a banca internacional resolveu correr riscos e aplicar no Brasil. Tanto isto é verdade, basta ver as captações feitas lá fora.  E, de acordo com os últimos dados disponíveis ( agosto 2003), tem aumentado a participação pública na dívida externa. A dívida do setor privado caiu,  estando em US$ 76,5 bilhões, e ao seu contrário a dívida do setor público cresceu,  estando naquela data em U$ 117,8 bilhões,  boa parte é  aportes do FMI.  O custo do dinheiro lá fora está barato, e era assim também  no final dos anos 60 e na primeira metade da década de 70. Foi o que financiou o então “milagre  econômico" ocorrido no período militar.  Vieram  crises externas, choques do petróleo,  e tudo desmoronou. Todos sabem o que aconteceu depois, foi apresentada a conta do milagre,  os recursos, a captação e os superávits foram escasseando,  e tivemos toda a década de 80 em total atraso.

O processo ideológico que atua sobre os neurônios dos intelectuais e doutos em economia, simpatizantes ou militantes,  do partido dominante no governo faz com que fiquem pasmados e de raciocínio lento, custando a  “ficha cair”.  Assim não seria  uma surpresa, se breve tenhamos a semelhança das  "viúvas da ditadura",  surjam "as viúvas da estrela".

 

 

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