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Urbano Zilles |
Discurso filosófico e teológico sobre DeusUrbano Zilles
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Durante séculos, a questão de Deus foi reprimida para o âmbito privado, íntimo de cada um. Hoje, novamente, passa a ser formulada como de extrema relevância para a compreensão do homem e do cosmo, de espírito e técnica, de salvação e política. Deus era uma vez um nome. Este nome foi transformado num conceito. Deus era uma vez um destinatário. Tornou-se um objeto. De um tu fez-se, no decurso do tempo, um isto ou aquilo. Encontramo-nos diante de uma evolução que não se consegue descrever numa simples conferência. Trata-se de uma evolução cujos pressupostos e cujas conseqüências ainda são imprevisíveis. O conceito de Deus é um dos mais antigos, mais universais e mais fecundos do patrimônio cultural da humanidade. No campo religioso indica para além do empírico, para o sagrado. Para Platão, os deuses presidem a repartição de todas as coisas, decidem o destino do homem e do mundo. Na
história das religiões, a idéia de Deus parece surgir, predominar e
permanecer como solução para o mistério do mundo, da vida e do homem.
Prescindindo da questão do politeísmo e do monoteísmo, em Homero e
Hesíodo os deuses evoluem sob figuras humanas, dotadas de qualidades,
virtudes e vícios, que muitas vezes os assemelham aos humanos. Quando
surge a consciência crítica dos filósofos, sobretudo nos tempos áureos
de Sócrates, Platão e Aristóteles, as divindades antropomórficas dos
mitos são desmitologizadas e reduzidas a idéias impessoais e neutras,
como Ser, Justiça, Uno, Bem etc. Embora tais idéias sirvam como princípios
explicativos da realidade, não suscitam sentimentos, nem confiança.
Com isso desaparece a possibilidade de dirigir-se a Deus como um Tu. Sem
menosprezar as religiões e as conquistas dos filósofos, é a revelação
de Deus testemunhada nas Sagradas Escrituras, o fundamento do discurso
teológico judaico-cristão. Deus se manifesta com caráter pessoal, de
modo mais pleno em Jesus Cristo. Falar de Deus só é possível quando
se fala do mundo. Este é o horizonte da experiência em cujo interior
torna-se realidade o que se quer significar quando se fala de Deus. Do
contrário Deus é excluído para a esterilidade da transcendência. Meditar
sobre a palavra Deus, a rigor, só é possível quando tentamos refletir
sobre aquilo que propriamente significa. Por mais que a palavra como tal
tenha sua realidade por si mesma, indica para além de si mesma. 1. Discurso religioso
sobre Deus Nas
religiões, em geral, a palavra Deus
surge para designar o termo supremo, de algum modo transcendente, com
relação ao homem e ao mundo. O homem busca entrar em relação pessoal
com Ele. Para as escolas evolucionistas houve um largo caminho para se
chegar a um Deus único e universal. Essa teoria, entretanto, foi
questionada por W. Schmidt, que formulou a hipótese de uma revelação
primitiva, baseando-se no fato de que também em religiões ditas
primitivas encontram-se indícios de uma crença num Ser Supremo. Sua
tese fundamental é a seguinte: no começo existe a unidade, a fé em um
ser supremo, um monoteísmo simples. É claro, que tal tese não se
deverá sustentar por motivos teológicos. Prescindindo
dessas teorias, podemos afirmar que, na história da humanidade
conhecida, encontram-se duas estruturas do homem religioso: de um lado,
a orientação para algo (alguém) Absoluto e Transcendente; por outro,
a necessidade das mediações simbólicas (hierofanias, mitos,
ritos...). Ora prevalece um, ora outro elemento. As
religiões tentam estabelecer alguma relação com Deus de várias
maneiras, sobretudo na oração (adoração), no sacrifício, no culto,
na moralidade, na lei e no direito. Deus (ou os deuses) é ser com quem
se pode falar, que pode ser invocado. As
teorias evolucionistas, que partem do politeísmo para chegar ao monoteísmo
judaico-cristão, manifestam limites para os estudiosos contemporâneos.
Sabe-se que monoteísmo e politeísmo nem sempre são excludentes.
Sabe-se, ainda, que o conceito de divindade dos antigos gregos é
essencialmente politeísta. Existem muitos deuses, ou seja, o estado e a
família dos deuses. Mas a idéia de um deus supremo, pai dos deuses e
dos homens abrange esta concepção. Os vários deuses são a plenitude
divina. Se houvesse um único deus, diminuir-se-ia o divino. A
pluralidade de deuses, por outro lado, realça o fato de que o cosmo está
“cheio de deus”, cheio da beleza divina, de maneira que se pode
dizer que tudo que existe é divino. A pluralidade de deuses expressa a
multiforme riqueza do mundo. Este produz a imagem de muitos deuses, que
se manifestam no próprio mundo através de teofanias. Por isso, aos vários
deuses correspondem as várias funções que o homem deve a eles. Deste
modo, a pluralidade dos deuses que o mundo experimentou, no sentido do
politeísmo, não necessariamente nega a ligação com o Deus único,
mas pode ser vista também como caminho para encontrar o Deus único. A
multiplicidade dos deuses e das divindades, neste caso, também pode
indicar a multiplicidade de nomes com os quais Deus pode ser chamado,
invocado e se torna acessível. Pode ser, em outras palavras, a
tentativa de compreender o nome do Deus que está acima dos outros
deuses. Na
história das religiões, seja no passado seja no presente, o ateísmo
raras vezes parece significar negação absoluta de Deus ou dos deuses.
Muitas vezes pode significar apenas a rejeição de determinadas
imagens, representações, formas ou nomes dos deuses. Tal negação,
ontem como hoje, pode significar uma via negativa de procurar a fé em
Deus. Não foram os cristãos, nos primeiros séculos, chamados ateus
pelos romanos? É verdade, certamente seria exagero querer reduzir todo
o ateísmo à tal interpretação. As
religiões orientais contemporâneas oferecem-nos imagens de Deus que,
muitas vezes, causam grande impacto sobre os ocidentais por seu caráter
misterioso e impessoal, por sua sensação de paz e aniquilamento no
meio de um mundo violento e sempre agitado. Tendem a uma espécie de
panteísmo religioso, no qual Deus se manifesta em todas as coisas,
suprimindo diferenças e individualidades. Em vez do encontro pessoal
com Ele, busca-se a paz do êxtase. Tal imagem, apesar de traços
positivos, pode conduzir facilmente à inanição e à passividade, a
certo descompromisso com a realidade terrena. No
campo religioso, no século XX, a crítica se volta mais contra os
homens e menos contra Deus. Converge contra os personagens decisivos no
sistema: o pai, o representante de interesses, os funcionários
institucionais das igrejas. Esses funcionários são acusados de
abusarem do nome de Deus. Dessa maneira surge a impressão de os críticos
se ocuparem não da crise de Deus mas que espíritos críticos protegem
Deus contra os que representam os interesses de Deus. Estaria, por
exemplo, a teologia cristã esquecida de Deus, perdendo-se em detalhes
secundários? Tal crítica poderia apoiar-se na fé dos crentes, a qual
se mostrou incompetente em problemas humanos desde os campos de
concentração do nazismo, da guerra do Vietnã e no Afeganistão, em
questões de política comunitária até em questões globais como o
problema da fome? Em nome da fé em Deus nada parece ter sido
solucionado e, certamente, já foram cometidos crimes contra a
humanidade. Pode
uma determinada religião, hoje, reivindicar para si caráter absoluto?
Hoje vislumbra-se um pensamento que não excomunga quem dele discorda,
mas sabe que precisa da divergência, pois o pensamento só avança na
contradição e o homem através do diálogo. Isso recomenda-nos
humildade para reconhecer uma parcela de verdade a quem diverge, sem
cair num cômodo relativismo. Quem quiser reivindicar o absoluto deverá
fazê-lo de maneira inclusiva, não exclusiva, pois os que crêem em
Deus pertencem a inúmeras religiões e confissões. Constatamos que o
mundo sempre mais unificado pela técnica contrasta com a divisão de
tradições religiosas heterogêneas. 2. Discurso filosófico sobre Deus Sempre
que os filósofos, no passado como no presente, falaram de Deus, pressupõem
que o Deus da religião, o Deus da fé cristã e o Deus da filosofia é
o mesmo. Por vezes a filosofia até já questionou o que a fé cristã
diz sobre Deus. Numerosos filósofos declaram-se incompetentes para
julgar a verdade da palavra revelada. Outros, entre os quais Hegel,
reivindicaram para si entenderem melhor o conteúdo dessa fé que a própria
fé. Tudo indica que os filósofos nunca duvidaram de que a filosofia e
a fé se referem ao mesmo quando dizem Deus, mesmo quando não afirmam a
mesma coisa. Quando Tomás de Aquino explica que todo o movimento deve
ter uma causa primeira e todo o desenvolvimento deve ter uma meta última
e todo o acidental uma razão necessária, conclui cada um desses
argumentos com as palavras: “Isso todos entendem quando dizem Deus”.
Mas não foi a filosofia que descobriu a palavra Deus, nem a idéia de
Deus. Hegel escreve no início de sua Enciclopédia que a filosofia
encontra essa palavra e seu conteúdo pré-dados, ou seja, na religião. As
grandes tradições do pensamento filosófico ocidental originaram-se em
tradições religiosas anteriores ou contemporâneas. Em geral, no seio
da própria tradição religiosa nasce um processo de racionalização e
depois passa a desenvolver-se fora. Tenta-se estruturar ou sistematizar
os conteúdos religiosos ou examiná-los criticamente para fundamentá-los
racionalmente ou rejeitá-los. Isto estabelece certa comunidade entre
religião e filosofia, pois ambas pretendem responder à mesma exigência
do homem: a de encontrar sentido para sua existência. A religião é uma resposta integral,
mas não sem uma certa dimensão intelectual. O
valor da religião consiste em dar solidez à noção de Deus e mostrar
a sua radicação no homem, colaborando para este harmonizar a sua
convicção religiosa com o desenvolvimento racional. Tudo
indica que Anaximandro foi o primeiro, entre os filósofos, a elaborar a
idéia de Deus em termos de um ser infinito, princípio sem princípio.
Xenófanes, por sua vez, criticando os deuses da religião, tidos como
simples projeções das necessidades e aspirações dos seus seguidores,
contrapõe a idéia de um Deus, unidade envolvente da totalidade do
universo, que pelo pensamento governa todas as coisas. Xenófanes quer
libertar a idéia de Deus dos antropomorfismos. Dentro
da linha de pensamento de Anaximandro, outro pensador grego, Heráclito
de Éfeso, mostra que o uno é infinito, não só na pluralidade de suas
produções, mas sobretudo na universalidade de sua presença, como lei
que harmoniza os contrários. Platão aproxima a idéia de Deus da idéia
de Bem, a que todos os homens aspiram. Aristóteles identifica-o com o motor
imóvel, que tudo move sem ser movido. Logo
percebemos que o Deus da razão filosófica reduz-se, no fundo, a uma idéia,
de um absoluto, princípio sem princípio da inegável unidade do ser,
da ordem e justiça imanentes no mundo da experiência sensível. Na
verdade, os maiores filósofos gregos não conseguiram elevar-se à idéia
de um ser transcendente, princípio e fim de amor pessoal e livre. O Bem
descrito nas obras de Platão não chega a ter dignidade de sujeito ou
fonte de iniciativa amorosa. Atua apenas como princípio de
inteligibilidade, não como inteligência propriamente dita. Pode ser
dito causa eficiente enquanto causa final. De
maneira semelhante, “o motor imóvel” de Aristóteles não move como
sujeito pessoal. É causa eficiente porque causa final. A própria
definição de “ato puro” o aprisiona num pensamento circular, que o
apresenta mais como idealidade imanente no mundo do que um ser pessoal,
inteligente e livre. Também a transcendência formulada pelos filósofos
gregos é incompleta, pois em Platão a matéria preexiste; na potência
de Aristóteles é resistência pluralista. Oculta-se a alteridade entre
Deus e mundo. Entretanto,
embora a fé não exija uma demonstração filosófica da existência de
Deus, ela permanece uma busca permanente. E isso para ser uma atitude
humana, assumida livre e responsavelmente. Desta maneira a oposição
formulada por Pascal ou a ele atribuída entre “o Deus dos filósofos
e o Deus de Abraão, de Isaac e Jacó” não se justifica plenamente.
Seria errôneo e cômodo chamar, como Karl Barth, o Deus dos filósofos
simplesmente de ídolo porque reflexo do espírito humano. Quando
perguntamos: “isto é um homem?” podemos responder de maneira unívoca,
pois podemos indicar com o dedo para identificar o conteúdo do qual
falamos. Mas quando perguntamos “o que é o homem?” tal univocidade
torna-se muito difícil. A
filosofia neopositivista, Carnap e o Círculo de Viena, de modo especial
L. Wittgenstein, afirmaram que proposições carentes de
verificabilidade empírica, são absurdas. O juízo sobre tais proposições
também inclui Deus, tanto faz se afirmam ou negam sua existência. Para
tais proposições faltam as condições de verdade. Para Wittgenstein
existia o limite dessas proposições, pois “quando respondidas todas
as questões científicas, permanecem intocados nossos problemas
vitais”. Esgotado o cientificamente dizível, permanece a experiência
do indizível. Este indizível Wittgenstein chama o místico. Afirma:
“Deus não se revela no mundo. Crer em um Deus significa reconhecer
que as coisas do mundo não esgotam tudo”. Se
o homem fala de Deus é porque Deus o habilitou a tanto. Deus lhe fala
de si mesmo através do espírito e da criação. Desde
Aristóteles e Tomás de Aquino, o problema de Deus foi vinculado
intimamente, na filosofia, à questão do Ser, a ponto de M. Heidegger,
com razão, designar a metafísica de “onto-teo-logia”. Segundo
Heidegger, não se pode alcançar Deus como ente
depois de ter esquecido o Ser.
Heidegger chamou atenção para um aspecto importante: a diferença
ontológica entre ser e ente. Neste caminho,
situa-se o que os seguidores de Tomás de Aquino chamam de analogia
do ser. O ser indeterminado não se deixa estabelecer como grandeza
unívoca. O ser indeterminado ou passará ao ser participado ou ao ser
subsistente. Assim o ser, na sua própria unidade, traz uma diferença e
na diferença traz novamente a unidade de relação. Na
perspectiva tomista, a unidade do ser, que corresponde à imanência de
Deus, é a ponte sobre o abismo. A diferença do ser, por sua vez,
expressa a transcendência de Deus. Em outras palavras, mediante o que
Deus não é, compreendemos aquilo que ele é. Na formulação de
Nicolau de Cusa, chegaremos a Deus, como a coincidência
dos opostos, colocando na unidade do ser a pluralidade dos opostos,
própria dos entes. Tomás de Aquino afirma que Deus supera toda a nossa
compreensão enquanto ele é mistério incompreensível (S. Th. I, 12, 1
ad 3), que transcende todas
as nossas determinações, escondendo-se na ignorância humana. Neste
sentido, Gabriel Marcel, já antes de sua conversão ao Cristianismo,
elaborou uma distinção fecunda entre problema
e mistério. O problema é
definido; opõe-se ao nosso conhecimento como um obstáculo que pode ser
removido. O problema, como objeto da ciência, pode ser resolvido. O
mistério, ao contrário, está dentro e fora de nós, nos envolve. Pode
ser reconhecido, aceito ou rejeitado. Deus é mistério, que a rigor não
conhecemos, mas reconhecemos, aceitamos ou negamos como sentido de nossa
vida. Se
a filosofia cristã afirma que a razão humana pode conhecer Deus,
opondo-se ao ceticismo e ao agnosticismo, não esqueçamos que da mesma
maneira também se opõe ao racionalismo, pois o conhecimento filosófico
de Deus é muito limitado e imperfeito. Por isso o Pseudo-Dionísio tem
razão quando diz que o Deus da razão humana continua um Deus oculto e
desconhecido ou, na palavra de S. Agostinho, um Deus que melhor se
conhece quanto mais se desconhece. A teologia negativa é complemento
necessário da teologia afirmativa. Como, por exemplo, relacionar o ser
finito com o Ser infinito, o poder absoluto de Deus com a liberdade
humana? A rigor, as soluções unilaterais ou são a favor de Deus
(panteísmo) ou do homem (humanismo ateu). O
discurso filosófico é um discurso sobre Deus, não um diálogo com
Deus, pois ao Deus dos filósofos falta o caráter pessoal, capaz de
amar e ser amado. Só o Deus pessoal é fonte e origem de todo o
pensamento. A tradição judaico-cristã apresenta-nos um Deus que se
nos revela em Jesus Cristo como um Deus onipotente e criador, o Deus
absoluto, transcendente e imanente, mas um Deus que se torna acessível
na experiência humana, um Deus que se comunica conosco. Se
Deus é pessoa, fonte de infinita bondade e amor, a sua transcendência
será uma proximidade condescendente. Podemos falar não só sobre Ele,
mas com Ele na oração. Podemos adorá-lo, prestar-lhe culto. Sob este
aspecto, as igrejas tradicionais, sobretudo a católica, sofrem, no
final do século XX e início do século XXI, da limitação do
racionalismo, do Deus ente racional e explica-se o sucesso do
pentecostalismo e da renovação carismática. Em novo contexto,
retomamos o velho problema da luta da teologia monástica ou mística
contra a teologia acadêmica nos séculos XIV e XV. A criatura não só
não faz concorrência a Deus, mas participa de seu ser, refletindo-O
ainda que palidamente. Adquire atualidade Tomás de Aquino quando afirma
que subtrair qualquer perfeição às criaturas equivale a diminuir a própria
perfeição divina. A dependência do homem em relação a Deus não o
humilha, mas antes o dignifica e exalta. A
palavra Deus tem um sentido
para além dos puros fatos. Este sentido não pode ser apenas moral.
Deus como abertura do homem para o futuro, Deus como sentido da existência
humana, torna-se uma fórmula bonita mas vazia, se este Deus não for
pensado simultaneamente como começo. Um Deus que não for Alfa não
poderá ser Omega. Onde o discurso sobre Deus ignorar isso, o conceito
de natureza se oporá ao conceito de Deus. Facticidade e transcendência
são dois conceitos inseparáveis para o discurso filosófico sobre
Deus. No
discurso filosófico sobre Deus não se deverá esquecer o tema “Deus
e sociedade”. Os poderosos de todas as categorias reivindicaram Deus
para si, como defesa de seus interesses para reprimir e oprimir súditos.
Não raro surgem suspeitas contra religiões de nosso tempo no sentido
de manipularem a idéia de Deus para explorar o semelhante. Por que os
cientistas sociais evitam uma questão tão relevante para a sociedade?
É certo que repressões em nome de Deus ou da ordem cristã não são
questão individual, mas social. De
maneira análoga, hoje torna-se incontornável a questão “Deus e as
ciências”. Muitas vezes o conceito de ciência foi reduzido às ciências
da natureza. Ora, Deus não é objeto dessas ciências, nem pertence aos
métodos das ciências experimentais. Certamente não existe experiência
de Deus como é a experiência de uma planta. Nem por isso pode
afirmar-se que Deus não ocorra na experiência. Nenhuma ciência pode
ter a pretensão de abranger o todo em todos os seus aspectos. Se as ciências,
por exemplo, não têm resposta para a questão
do sentido, isso não significa que essa questão não permaneça
fundamental para o homem. Não terão os teólogos, os pais, os
professores e pastores criado a idéia de um Deus de mau caráter, que
se torna obstáculo para a inteligência crítica? Tudo indica termos
iniciado um estágio no qual o diálogo entre teólogos , filósofos e
cientistas não só se torna possível mas urge. Ou a palavra Deus
tornar-se-á apenas uma cifra
vaga? As
muitas questões da fé cristã hoje parecem convergir para uma só:
existe Deus? Não se dirige a fé para o vazio? A visão científica do
mundo dispensa a hipótese Deus, que muitas vezes parece mais um obstáculo
que uma ajuda para o homem ser livre. Mas
de qual deus se fala? Quem é mesmo Deus? É impressionante como cada um
julga saber, o que ou quem é Deus. Até os ateístas crêem saber quem
ou o que rejeitam. Se constatamos certa convergência para um ser
supremo, será ele uma espécie de super-homem? O chefe supremo do
Universo? O grande pai acima das estrelas? Ou um nome grandioso para
Natureza ou Humanidade? Não sabem muitas pessoas demais sobre Deus? Teólogos
inescrupulosos, no passado recente, falaram de uma teologia da morte de
Deus. Essa teologia, na ânsia de ela mesma sobreviver, renunciou a
Deus. Tal teologia ateísta chegou a ser classificada como típica
teologia Playboy. No mínimo, foi uma tentativa chocante.
Questionou-se não só a linguagem, mas a realidade que fundamenta o
judaísmo, o cristianismo e o islamismo. O que era aquela grandeza que o
povo bíblico chamou Javé ou Deus? Por que não interpretar essa
“realidade” de maneira ateísta, em vez de teísta, como fez o
passado? Neste caso, o discurso sobre Deus apenas seria expressão da
autocompreensão do próprio homem e a idéia de Deus um instrumento
mitológico para a autointerpretação do homem. O mundo das concepções
religiosas apenas seria projeção do próprio homem, como quiseram
Feuerbach, Nietzsche e outros. Na palavra de K. Marx, seria uma alienação
do homem, a teologia uma antropologia camuflada. 3. Discurso teológico sobre Deus Se
o discurso filosófico parte da razão humana que pergunta, o discurso
teológico parte da revelação de Deus. Assim, se os gregos
perguntavam, os cristãos podiam dizer: “nós temos a resposta.” S.
Paulo, no areópago de Atenas, vendo a inscrição “Ao Deus
desconhecido”, diz: “O que adorais sem conhecer, isto venho eu
anunciar-vos” (At 17,23).
A
teologia cristã é um esforço racional para penetrar a estrutura
inteligível do conteúdo da fé religiosa. Esta, todavia, sempre será
mais ampla e mais rica que as pequenas clareiras do discurso teológico.
O objeto supremo da teologia é, sem dúvida, Deus. A própria palavra teologia
não é criação da fé cristã, mas da filosofia grega. A teologia
cristã, por isso, não parte do Deus como conclusão da reflexão filosófica
sobre o ser e o mundo, nem do Deus do qual as religiões falam de
maneira múltipla e, não raro, confusa. Em seu discurso, a teologia
cristã parte do Deus da revelação judaico-cristã, testemunhada nas
Sagradas Escrituras. É claro, o teólogo exerce a função de intérprete.
É alguém que fala a linguagem da Bíblia e a linguagem do mundo de
hoje. Perguntas do homem de hoje exigem, muitas vezes, respostas novas.
Para isso, o teólogo deve ter boa formação filosófica. Embora
a teologia católica pressuponha que Deus pode ser conhecido pelo homem
sem uma revelação especial, a fé religiosa cristã deve ser uma
resposta pessoal à revelação. Isto, por um lado, implica que o crente
tenha como infra-estrutura de sua fé, um certo conhecimento natural de
Deus. Esta é a razão porque a teologia católica sempre deu importância
ao discurso filosófico. Teologias recentes, como a teologia da libertação,
sucumbiram pela má filosofia que lhes serviu de base. A teologia sempre
é intellectus fidei. O
cristão vê em Jesus Cristo a palavra pessoal de Deus, pronunciada na
história humana. É a palavra de Deus na palavra humana como é
testemunhada nos livros sagrados. Em Jesus Cristo, Deus revelou-se Pai,
ou seja, amor originário. O homem é filho de Deus, como participante
de uma vida nova. O Filho de Deus encarnou-se em Jesus Cristo, que
promete o envio do Espírito Santo, promessa que cumpre em Pentecostes.
Deus-Amor revela-se-nos como uma vida interpessoal. Por isso, se é
verdade que a teologia católica sustenta a possibilidade de um
conhecimento natural de Deus, não é menos verdade que ela ensina também
que, de fato, um pleno conhecimento só é possível através da Revelação. Neste
contexto cabe mencionar as chamadas provas
da existência de Deus. As ciências recentes deram aos termos
“provar” e “demonstrar” um sentido bem preciso. De acordo com a
terminologia científica não se prova
a existência de Deus, nem sua não-existência. Os raciocínios
argumentativos que a tradição chama de provas
servem para dar plausibilidade racional à fé na existência de Deus,
mostram que faz sentido crer em Deus, não contraria a razão crítica.
Se conseguíssemos provas da existência de Deus dispensaríamos a fé,
pois teríamos certeza científica. Até hoje não conheci alguém
convertido ao Cristianismo por causa dessas chamadas “provas”. Talvez seja útil aqui uma distinção de Gabriel Marcel entre fé e ciência. A ciência engaja a pessoa apenas em sua dimensão racional. Trata de problemas que se resolvem. A ciência procura demonstrar, provar. A fé envolve a pessoa em sua globalidade: razão, vontade e emoção. A fé, por isso, se testemunha. Testemunhar significa engajar-se com todo o ser por aquilo que se diz. Toda especulação filosófica e teológica sobre Deus pode ser útil à fé, desde que não se extrapolem os limites da própria razão para dispensar a revelação divina. Esta, por sua vez, não deve servir para nossa acomodação, pois o sujeito da fé é um ser racional e pensante. Por
outro lado, a absolutização de alguns aspectos filosóficos ou teológicos
facilitam a criação de ídolos e o surgimento de fanatismos. Muitos são
afastados da religião pelas imagens parciais de Deus apresentadas como
totais. Deus permanecerá mistério. Neste
contexto também temos que ter cuidado de não transpor acriticamente o
conceito de Deus da história das religiões em geral ou da filosofia
para a teologia como se fosse idêntico com o conceito do Deus que se
nos revelou. Até
cabe reconhecer que a revelação de Deus não é contrária à
filosofia. Precisamos da filosofia até para compreender a palavra de
Deus na palavra humana e responsabilizar nossa fé perante a razão.
Neste sentido, podemos admitir que o Deus para o qual as religiões
tendem é o mesmo, sem renunciar à convicção de que só o
Cristianismo a Ele chegue com plenitude. Como Deus concede a graça de
poder salvar-se a todos os homens, admitimos que pessoas não católicas,
mesmo sem conhecimento histórico do fato cristão, podem salvar-se em
sua fé religiosa. A teologia cristã, através dos séculos, procurou
conciliar os “dados revelados” sobre Deus com as exigências
racionais de uma noção de Absoluto. Central,
no Cristianismo, é a noção do Deus-Amor. Esta noção permite acolher
os valores positivos dos humanismos mais recentes. Proporciona-nos,
outrossim, uma visão mais profunda da transcendência de Deus, que, por
ser transcendência absoluta, inclui certa imanência, pois “em Deus
vivemos, nos movemos e existimos” (At 17,28). Dizia S.
Agostinho que nos é “mais íntimo que a nossa própria intimidade”
(Conf. 3,6,13). Já no Antigo Testamento Deus é uma realidade concreta que se preocupa com os homens e com o mundo. Aparece a Abraão prometendo fazer dele um povo numeroso (Gn 12,1-4) e reitera essa promessa a Isaac e a Jacó (Gn 26, 3-5). Mas sua grande revelação foi feita a Moisés, quando no Sinai lhe confiou seu nome inefável de Javé (Ex 3,1-15). Javé é o Deus salvador que libertou os israelitas do Egito (Ex 3,20) e os acompanha com sua presença, instituindo com eles uma Aliança eterna (Ex 19-24). Só Ele é o Deus de Israel. Existe desde o princípio e tudo criou (Gn 11). Por isso quer ser adorado como Deus único (Dt 4,35), não tolerando o politeísmo (Ex 20,3). É inacessível e transcendente (Sl 139), embora habite no templo de Jerusalém. Javé é um Deus vivo (Ex 3,7-10), santo, ciumento (Ex 20,5) e misericordioso (Ex 33,19). Se antes dos profetas encontramos textos que indicam para a fisionomia de tirano caprichoso (Gn 32,25), com muitos antropomorfismos, depois apresenta nova personalidade. No Novo Testamento, este Deus único e pessoal completa a revelação de si mesmo no mistério da Trindade, revelado por Cristo, Filho de Deus, encarnado por amor dos homens. Toda a revelação de si mesmo por parte de Deus é orientada para a salvação do homem. Em geral os textos sagrados dizem mais o que Deus quer e faz e menos o que é. A pregação de Jesus centra-se na vinda próxima do Reino de Deus, como salienta o evangelista Marcos: “Cumpriu-se o tempo; o Reino de Deus está próximo; convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15). O Deus de Jesus é, portanto, o Deus de Israel, que revelou seu desígnio de salvação através dos profetas e, depois de tolerar durante algum tempo o triunfo aparente das forças do mal, decide estender seu domínio a todo o universo. O Deus de Jesus é o Pai, Senhor do céu e da terra (Mt 11,25). O que Jesus revela é o amor paternal de Deus para a menor de suas criaturas, aos pássaros do céu e aos lírios do campo, e com mais razão para cada homem (Mt 6,25-34). Este Pai é aquele que vê o segredo (Mt 6,4-7) e que sabe o que necessitam seus filhos antes que o peçam. Jesus testemunha o amor do Pai para com os pequeninos, as crianças, os pecadores públicos. Conta as parábolas da misericórdia (Lc 15) como prova de que o Céu se alegra com a conversão dos pecadores. Jesus, no dia-a-dia, aparece como aquele que revela seu Pai: “Ele não é Deus dos mortos, mas dos vivos” (Mc 12,26). Mas o Deus de Jesus Cristo também é o juiz que separará o joio do trigo. Jesus manifesta não só a intimidade com o Pai: Abba! Revela, outrossim, a dependência radical. Aos doze anos, entre os doutores do templo, diz aos pais terrenos: “Não sabíeis que devo fazer a vontade de meu Pai?” Diz: “Ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho”(Mt 11,27). No horto de Getsêmani grita: “Meu Pai, se possível afasta de mim este cálice!” (Mt 26,39). Acrescenta: “Faça-se não a minha mas a tua vontade”. Na cruz ouve-se o grito: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?” A comunidade apostólica converge seu ensinamento na intervenção decisiva de Deus na ressurreição de Jesus. Agora a fórmula soa: “Deus ressuscitou Jesus dos mortos”. A identidade da fé cristã passa a ser conhecida quando Jesus aparece como “Messias e Senhor” (At 2,36) e “Príncipe da vida” (At 3,15). Pedro chega a dizer que a ressurreição é o motivo de nossa fé em Deus (1 Pd 1,21). Na pessoa de Jesus irrompe um mundo novo, um homem novo. No caminho de Damasco S. Paulo experimentou a radicalidade da graça. Em oposição à cólera de Deus, proclama a manifestação de sua justiça (Rm 3,21). Enquanto os judeus invocam o Deus dos patriarcas, S. Paulo apresenta a Deus como o “Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo”. Segundo Paulo, a missão de Jesus Cristo consiste em conduzir os homens a Deus, seu Pai. O verdadeiro raciocínio sobre Deus conclui na adoração: “Ó profundidade da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus” (Rm 11,33). A teologia de S. João desenvolve-se sob o signo da luz e do amor. Revelador do Pai, Jesus expressa, sobretudo por sua ação, a vontade salvífica daquele que o enviou (Jo 5,19). João considera o Calvário como o mistério do amor que se entrega, e que inclusive chega a comunicar seu espírito (Jo 19,30). “Deus é amor” (Jo 4,8-10). Reconhecer que Deus é amor equivale a participar do movimento do amor divino. A teologia desenvolve-se em comunhão com Deus e com os irmãos, sob a ação do Espírito de Deus. É o espírito que garante a continuidade entre o tempo de Jesus e o tempo da Igreja. Conclusão Todos
os esforços humanos para expressar Deus em conceitos e imagens não
passam de símbolos limitados na tentativa de aproximar o absoluto e o
infinito à cultura humana. Toda imagem de Deus é passageira e
condicionada pela cultura que a criou, pois Deus é sempre maior do que
tudo aquilo que possamos dizer ou imaginar. É
comum encontrarmos a idéia de um Deus primitivo, vigia das ações
humanas, sempre pronto para intervir com castigos e reprimir o pecador.
Essa imagem expressa a impotência do homem diante das forças da
natureza como ação de um Deus vingativo. Deus é reduzido a uma espécie
de Senhor poderoso, imagem dos senhores terrenos, primitivos e
vingativos. No fundo o homem tende a imaginar Deus de acordo com a situação
na qual vive e com os problemas que o angustiam. Nos
meios políticos, é comum ver-se em Deus o poderoso aliado de um povo,
incitando à luta libertadora. Vê-se nele o aval para libertar o povo
escravizado, oprimido, que busca em Deus a força suficiente para lutar
por uma sociedade mais justa. Tal imagem facilmente identifica Deus com
os interesses de um grupo, de uma classe. A identificação de uma causa
particular com a causa de Deus freqüentemente gera fanatismos. A
concepção filosófica de Deus tende a apagar as imagens populares,
substituindo-as por imagens mais abstratas e menos vigorosas. Apaga-se o
caráter pessoal de Deus, dificultando qualquer comunicação com Ele.
Deus é reduzido a noções genéricas e frias que a nada comprometem. O
Deus vital cede lugar a um meio de explicar o ser e a existência. Tais
imagens carecem da experiência religiosa porque resultado do pensamento
abstrato. Sem
dúvida, o nome de Deus ainda hoje pode ser manipulado. A Bíblia
adverte-nos a “não usar em vão o nome de Deus”. Se Deus é Deus, não
poderá ser definido. Nem por isso deveremos deixar de preocupar-nos de
como pensar e não pensar Deus. Kant negava-se a pensar Deus como o máximo
dos objetos. Schelling procurou salvar a liberdade e Hegel o espírito.
Permanece a experiência dos limites. Se Deus é Deus deve ser livre
para surpreender. Se Deus é Deus ninguém o compreenderá. Poderá
manifestar-se na glória como no silêncio. Por isso o homem é sua única
imagem. A
grandeza que a Bíblia chama Deus, não se pode imaginar, é invisível.
Mora em luz inacessível. Seu nome é: “Eu sou aquele que será”.
Enfim, a Bíblia fala pouco do que é Deus em si e mais do que Ele
significa para mim, para nós. Como o amor só é enquanto amo ou sou
amado, Deus é enquanto me decido e comprometo. Segundo o Novo
Testamento, só estou no amor e em Deus enquanto amo o próximo. Neste
sentido, falar de Deus implica em falar do homem. A Bíblia chama de
verdade a vida de Deus. Mas, no Novo Testamento, também diz que um
determinado homem é essa verdade, isto é, Jesus de Nazaré. Ele chama
aquela realidade última que determina sua vida, “Abba, Pai!”. Seu
alimento é fazer a vontade daquele que chama de Pai. É isto que
chamamos Deus? Jesus
Cristo, entretanto, transmitiu-nos uma imagem bela e fonte de comunicação
íntima. É um Deus próximo, que ama seus filhos. Este Deus
manifesta-se como amor que se comunica a si mesmo em Jesus através do
Espírito Santo. É Deus conosco. É o Deus dos pobres e abandonados,
dos pecadores e excluídos. Sua imagem fundamental é a de Pai. Exige
uma atitude filial para com Ele, e fraternal para com os semelhantes. A
imagem mais própria de Deus, para os cristãos, é a pessoa de Jesus,
que se fez irmão nosso, como imagem plena do Pai. É olhando para Jesus
que vemos e conhecemos o Pai. A
questão de Deus, enfim, é a mais importante para a teologia, questão
mais central e radical que a Igreja. Trata-se do fundamento e da meta da
fé. A questão da Igreja é questão de caminho para chegar à meta.
Chame-se essa meta de Javé, Deus ou outro nome. Talvez os teólogos
devam ser mais humildes, não exigindo apenas que os cientistas reconheçam
os limites de seu conhecimento. Também o conhecimento teológico tem
seus limites. Quem sabe, o discurso de muitos teólogos contribua para
que muitos cientistas não cheguem ao Deus vivo. Deus, se for Deus, é e
permanecerá mistério que aceitamos ou rejeitamos como sentido de nossa
vida. O
teólogo, não é aquele que tem respostas prontas para tudo. É antes
alguém com a tarefa de refletir sobre a consciência de fé, na qual
existem problemas, luzes e trevas. Por isso, os grandes teólogos sempre
se manifestam no sentido de que aquilo que sabem sobre Deus é muito
pouco em relação ao que ignoramos. O Deus que se revela é, também,
sempre o Deus abscôndito. Até certo ponto podemos dizer que o Deus dos
conceitos e das imagens não existe. Apesar de tudo, no discurso sobre
Deus trata-se do sentido de nossa vida e morte, da razão e da meta de
toda existência. Para
concluir, manifesta-se, hoje, um desejo universal por uma sociedade mais
justa e mais fraterna. Ora, tal sonho será apenas um sonho enquanto não
se reconhecer um pai comum de todos, Deus. Só onde se reconhecer a Deus
como Pai de todos poderemos reconhecer em cada semelhante um irmão.
Onde não se reconhecer a Deus como Pai de todos, homens tentarão
explorar seus semelhantes, usurpando o lugar de Deus. Haverá espaço
para totalitarismos de direita e de esquerda. Mas onde se reconhecer a
Deus como Pai de todos valerá a palavra de Jesus: “Um só é vosso
Pai, vós todos sois irmãos!”
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